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Federação Russa

Oito anos de Putin na Presidência Russa: Um balanço

27.02.2008
 
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Oito anos de Putin na Presidência Russa: Um balanço

“Nenhum povo em condições econômicas precárias tem uma grande oportunidade para estar capaz de governar-se democraticamente a si próprio.”

Aldous Huxley, Regresso ao Admirável Mundo Novo

No próximo domingo, dia 2 de março, haverá eleições presidencias na Rússia, e em maio expirará o mandato do atual presidente, Vladimir Vladimirovitch Putin. O mandatário russo era primeiro-ministro e assumiu o cargo executivo máximo quando da surpresiva renúncia de Boris Ieltsin, em 31 de dezembro de 1999. O presidente anterior tinha graves problemas de saúde (embora tenha vivido por quase 8 anos mais) e já tinha manifestado sua decisão de que Putin fosse seu sucessor, na época uma figura pouco conhecida dentro e fora de seu país. Em agosto do ano passado, no final do seu segundo mandato, a popularidade de Putin é de nada menos que 82%, o que faz dele o líder com maior aprovação (1). Porém, na maioria dos países ocidentais, ele é acusado de acumular poder, adotar uma política exterior agressiva, e fazer a Rússia retroceder no árduo caminho que ela tem percorrido rumo à democracia. Um balanço dos oito anos que Putin esteve no poder mostrará que, embora tenha havido erros e retrocessos, a Rússia está no caminho correto e não parece haver risco de que volte ao que era há 25 anos.

A imprensa ocidental tem boa parte da culpa na criação da imagem distorcida de Putin, ao dar ênfase em alguns fatos e ignorar outros, algo imperdoável hoje – há muito já passou o tempo em que os “sovietólogos” tentavam adivinhar a influência de cada membro do Partido segundo sua posição nas paradas e comemorações. Embora o sistema político russo ainda seja pouco transparente (basta ver o mistério da sucessão de Putin, cujo candidato foi nomeado apenas em dezembro de 2007, e a que se dedicará o atual presidente ao deixar o posto), há uma enorme quantidade de informação disponível a qualquer um na internet, de meios oficiais e independentes, em vários idiomas (em inglês, principalmente, mas não só: a principal agência de notícias russa, RIA Novosti, tem versões em várias línguas). Embora muitos ainda vejam a Rússia como um país distante e misterioso, não há mais desculpas para desinformação.

Um exemplo da desinformação da imprensa ocidental: para apoiar sua tese de que Putin sente saudade da União Soviética e quer voltar àquele sistema, muitos meios citam um discurso dado no dia 25 de abril de 2005, em que o presidente russo afirmou: “deveríamos reconhecer que o colapso da União Soviética foi um enorme desastre geopolítico do século.” Isolando esta frase, tirando-a do contexto, realmente parece que é isso que Putin quer – voltar aos bons tempos da URSS. A continuação do seu discurso (disponível em inglês no site da presidência) revelará seu verdadeiro conteúdo: “Para a nação russa, tornou-se um verdadeiro drama. Dezenas de milhões de nossos cidadãos e compatriotas se encontraram fora do território russo. Mais, a epidemia de desintegração afetou a própria Rússia.

As poupanças dos indivíduos desvalorizaram, e os antigos ideais foram destruídos. Muitas instituições foram dissolvidas ou reformadas sem cuidado. Intervenções terroristas e a capitulação de Khasavyurt (2) que se seguiu prejudicaram a integridade do país. Grupos oligárquicos – que possuíam absoluto controle sobre os canais de comunicação – serviam exclusivamente seus interesses corporativos. A pobreza em massa começou a ser vista como norma.

E tudo isto estava acontecendo em um contexto de queda econômica dramática, finanças instáveis, e a paralisação da esfera social.” (3) Não há dúvida de que o fim da URSS e as reformas que se seguiram tiveram um custo humano e social imenso, embora fossem necessárias – e a isso se refere Putin em seu discurso. A continuação do seu discurso deixa bem claro: o presidente mostra que é preciso tornar o estado mais eficiente, embora socialmente ativo para reduzir a pobreza; aperfeiçoar a democracia para aumentar as liberdades civis; e continuar as reformas liberais para aumentar o espaço das empresas privadas.

Também, a imprensa ocidental quase não reportou que, em 2006, Putin pediu desculpas oficiais à Hungria e à República Tcheca pelas intervenções militares soviéticas nesses países, ocorridas em 1956 e 1968, respectivamente (4); que em 2005 eliminou o feriado de 7 de novembro, em que se comemorava a Revolução socialista de 1917, substituindo-o pelo 4 de novembro, o dia da Unidade (dia em que as tropas russas, no ano de 1612, retomaram Moscou, pondo fim à ocupação polaca e levando ao trono o primeiro da dinastia Romanov); e que, em 30 de outubro de 2007, visitou um monumento às vítimas da repressão política soviética (principalmente stalinista), e aproveitou para enfatizar a importância da liberdade de oposição e dissentimento (5). Nem mesmo Boris Yeltsin, o principal responsável pelo fim da URSS ao declarar a independência da Rússia em 1991, ousou tomar tais ações, já que o partido comunista ainda era demasiado forte na década de 90.

Política interna

A imensa popularidade de Putin tem como principais causas duas importantes conquistas de seu governo: a relativa pacificação da república separatista da Tchetchênia, e o enorme êxito econômico.

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