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Federação Russa

Tropa do Ártico russa não representa uma ameaça para o Canadá

26.06.2012
 
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A decisão da Rússia para formar unidades especiais a protegerem seus interesses no Ártico "não representa uma ameaça para o Canadá", formalizou o Departamento Canadense de analistas do Ministério da Defesa, segundo o jornal "Ottawa Citizen" que recebeu acesso a essa análise. "A Rússia tem o direito de colocar as suas tropas onde quiser, pois, se trata do território russo", diz o documento, citado pelo jornal na sua edição de 23 de júnio.

As autoridades russas anunciaram a formação de 20 unidades especiais de guarda fronteira no Ártico em abril. A presença militar na fronteira será reforçada pelas tropas terrestres. A primeira brigada de infantaria ártica será organizada por três anos, disse o chefe do Exército, coronel-general Alexander Postnikov, segundo o jornal Izvéstia. A sua localização escolhida é a cidade de Murmansk.

Cada um dos 20 postos de guarda disporá entre 15 a 20 militares, que vão monitorar a situação e ajudar as tripulações de navios em perigo nas águas do Ártico. Formação dessa defesa faz parte do programa "Fronteiras do Estado da Federação Russa (2012-2020)", informou o chefe do Serviço de Guarda de Fronteiras da Rússia, Vladimir Pronichev. Segundo ele, a direção estratégica nórdica está "despida em termos aéreos",  pois , a partir do meio da Passagem do Nordeste, 2,5 mil quilômetros não têm nenhum controle de radar.

Entretanto a primeira brigada da infantaria será equipada de polivalentes veículos blindados MT-TWT que podem passar a neve profunda e operar a umas temperaturas de menos de 50 graus Celsius. Além disso, os elementos executivos dela, digamos,  da Tropa do Ártico, vão usar uma uniforme acolchoada. Nesta roupa, de acordo com estudos anteriores, os soldados podem passar a noite toda na neve sem risco para saúde.

Segundo o Ministério da Defesa russo, as zonas fronteiriças no Ártico são frequentados por submarinos estrangeiros americanos ou britânicos, demonstrando a disposição pouco amigável com a Rússia. Agora, esses visitantes estrangeiros serão obrigados a tomar em consideração oito novos submarinos nucleares de ataque da classe Severodvinsk. Esses submarinos do projeto 885M vão aderindo à Frota do Norte. O primeiro submarino atômico  Yasen acaba de passar por testes e tornar-se-á a parte da Frota Militar do país em 2012. Em 2015 será terminada a construção do submarino Kazan, o principal do projeto modernizado 885M com o nível rebaixado de barulho, cuja construção começou em 2009. Para o ano 2021 no âmbito do projeto 885M serão construídos mais 5 submarinos.


O principal objetivo russo do fortalecimento da fronteira no Ártico é o interesse crescente de vários países em recursos polares, tendo em conta o esgotamento das reservas de petróleo e gás terrestres e descobrimento dos novos potenciais no pré-sal, incluindo ártico. Além disso há um outro alvo. A Passagem do Nordeste devido ao aquecimento global promete ser uma das rotas mais movimentadas do mar entre o Norte da Europa e da Ásia. Precisa de infra-estrutura para fortalecer os sistemas de navegação, a frota de quebra-gelos, etc.  Neste sentido, os países que possuem áreas polares ártcas — os EUA, Canadá, Dinamarca e Noruega — já começaram a reforçar activamente as suas fronteiras. A Rússia juntou-se a eles e anunciou um investimentos estratégicos no desenvolvimento da região do Ártico — 1,3 trilhão de rublos (37 bilhões de dólares) até o ano 2020.


 Já mencionado o Ministério da Defesa canadense publicou um relatório "O Conselho do Ártico: o seu lugar na futura gestão do Ártico", falando da construção futura da base militar regional aérea e destino a tornar-se um posto avançado do Canadá em Ártico. O país também aumentou a marinha polar que daqui a pouco terá oito navios de patrulha e vai reforçar a guarda de fronteira nas áreas canadianas polares. Em março, uma declaração sobre o fortalecimento da presença do Ártico foi feita pelos Estados Unidos, sublinhando os EUA terem um forte interesse nos recursos da região. Enquanto isso, a proporção das reservas de petróleo do Ártico que pertencem aos Estados Unidos é apenas 19,8 por cento, o que parece mínimo sendo comparado com 71 por cento das reservas de "ouro negro" no pré -sal russo.

Os EUA ficam extremamente temerosos do rápido derretimento do gelo no Ártico, e têm pressa para melhorar a experiência de navegação em condições polares, em primeiro lugar quanto à frota de quebra-gelo . Há um movimento também nas áreas árticas da Dinamarca, que anunciou a intenção de estabelecer a sua presença militar no norte da Groenlândia. Autoridades dinamarquesas estão dispostos para a colocação no Ártico uma unudade militar e posto de comando.

Neste sentido, a Dinamarca tem planejado um programa de dotações militares para 2010-2014, que inclui o uso das aviões militares para vigilar Groenlândia e áreas vizinhas. O país está tão excitado com o desejo de preservar o território ártico que até criou um novo cargo público -" embaixador para o Ártico".

Este posto pertence agora a ex-Chefe do Ministério de Diplomacia Pública dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca Kvals Holm, cujo principal tarefa é promover os interesses nacionais da Dinamarca na região. Contudo, a Dinamarca tem preparado um "tapete vermelho" para os representantes da República Popular da China no caminho para o Ártico, e está ativamente defendendo a integração de Pequin no "Conselho do Ártico".Conforme o relatório do Ministério da Defesa russo, os quebra-gelos militares chinesas começaram a aparecer com expedições ao Ártico, o que indica seu interesse genuíno nas áreas polares.  Em troca, às autoridades dinamarquesas foram prometidos os investimentos chineses.

A Noruega também reforçou a sua posição na região mas focado no uso do tal chamado "soft power", que consiste em estudar o Ártico. Especialistas estimam que a plataforma de gelo do Ártico esconde cinco milhões de toneladas de óleo, sete e meio bilhões de toneladas de gás e condensado de gás, bem como grandes reservas de diamantes e outros minerais. Enquanto isso, na década de 1970, a área de gelo no Ártico foi de oito milhões de quilômetros quadrados, e em 2007 as estimativas deram a redução quase em metade, atingindo 4,3 milhões.

Lyuba Lulko

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