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O mundo 20 anos depois da catástrofe tm Chernobyl

26.04.2006
 
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O mundo 20 anos depois da catástrofe tm Chernobyl

Todo o mundo está vivendo no periodo depois da catástrofe em Chernobyl.

Foi há precisamente 20 anos, às primeiras horas da madrugada de 26 de Abril de 1986, que os trabalhadores do quarto reactor da Central Nuclear Vladimir Lenin, em Chernobyl, na actual Ucrânia (então pertencente à União Soviética), receberam de Moscovo instruções especiais para a realização de uma experiência. No dia anterior, o reactor tinha sido programado para ser desligado no âmbito de uma manutenção de rotina, tendo então sido decidido que essa seria a oportunidade ideal para testar a capacidade do gerador para a produção de energia a fim de manter operacionais os sistemas de segurança (nomeadamente as bombas de água), em caso de falha energética externa.

Antes de a experiência ter início, por volta da 1h30, terão sido desactivados todos os módulos de segurança. A energia para as bombas de água foi cortada, levando à diminuição do fluxo, por inércia do gerador da turbina, que foi desconectada do reactor, aumentando o nível de vapor do seu núcleo, levando à gradual formação de bolhas de vapor nas linhas de resfriamento. Segundo informações disponíveis relativas ao desenvolvimento da experiência, em nenhum momento a situação instável do reactor se reflectiu no painel de controlo, pelo que nenhum dos operadores estaria ciente do perigo que corriam. Os acontecimentos que se seguiram não puderam contudo ser controlados, e uma catastrófica explosão de vapor resultou na deflagração de um incêndio, numa série de explosões adicionais e num derretimento nuclear que destruiu totalmente a cobertura de blindagem de mais de mil toneladas.

 A zona de exclusão ao redor da usina nuclear de Chernobyl transformou-se em um santuário ecológico, apesar de ser uma das áreas mais contaminadas do mundo. Todas as pessoas saíram há 20 anos, deixando toda a área só para os animais, que se multiplicaram. Espécies que não eram vistas havia décadas, como o lince e a coruja gigante, começaram a retornar. Até mesmo surpreendentes pegadas de ursos, animais que não eram vistos na Ucrânia havia séculos, foram encontradas na região. "Parece que os animais não sentem os efeitos da radiação e ocupam a área, independentemente dos níveis de radioatividade", diz o ecologista Sergey Gaschak. "Várias aves estão fazendo ninhos dentro do ´sarcófago´, diz ele, se referindo à estrutura de aço e concreto que foi construída ao redor do reator para conter a radiação, após a explosão em 1986. "Estorninhos, pombos, andorinhas, rabiruivos - eu vi ninhos e encontrei ovos dessas espécies." Pode haver plutônio na região, mas não há pesticidas, indústrias ou tráfego. E os pântanos não estão mais sendo drenados. Com exceção do reaparecimento do seu predador, o lobo, não há nada para perturbar a procriação do javali selvagem.

 A população do animal teria aumentado em oito vezes nos dois anos seguintes à explosão. Impróprio para comerA situação não foi assim tão rósea nas semanas seguintes ao acidente no reator de Chernobyl, quando os níveis de radiação eram muito mais elevados. Quatro quilômetros da floresta de pinheiros vizinha à usina ganharam uma cor marrom-avermelhada, passando a ser conhecida como Floresta Vermelha. Alguns animais nas áreas mais atingidas também morreram ou simplesmente pararam de se reproduzir. Embriões de ratos simplesmente se dissolveram, enquanto cavalos deixados em uma área de 6 quilômetros da usina morreram quando suas glândulas tireóides se desintegraram. O gado, na mesma área, também foi fortemente afetado nas tireóides, mas a segunda geração desses animais nasceu surpreendentemente normal. Ainda é comum para os animais ter níveis altos de radiação que impedem que a sua carne seja consumida. Mas no resto, eles são saudáveis.

 Adaptação em Chernobyl, há uma distinção entre os animais que vivem em áreas limitadas, como ratos, e animais maiores, como alces, que entram e saem de áreas contaminadas. Os animais que vivem em áreas maiores têm índices menores de contaminação do que aqueles que ficam mais próximos à usina. Mas há sinais de que as pobres criaturas afetadas pela radiação tenham desenvolvido uma notável capacidade de adaptação. Sergey Gaschak fez experiências com ratos na Floresta Vermelha - que está voltando a crescer, ainda que com árvores deformadas. "Marcamos animais e os recapturamos depois", explica. "Constatamos que os animais da área estão vivendo tanto quanto os de áreas normais." O próximo passo foi levar ratos normais para a floresta e fechá-los na Floresta Vermelha. "Eles não se sentiram muito bem", disse Gaschak. "A diferença entre os animais ´locais´ e os outros ficou bastante evidente", diz. Mutação Em toda a sua pesquisa, Gaschak encontrou somente um rato com sintomas de câncer. Ele encontrou amplos sinais de mutações genéticas, mas nada que afetasse a fisiologia dos animais ou sua capacidade de se reproduzir. "Nenhum bicho de duas cabeças." Mary Mycio, autora de Wormwood Forest, uma história da área de Chernobyl, conta que um animal mutante na natureza normalmente morre e é devorado antes que cientistas possam encontrá-lo.

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