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Federação Russa

Lavrov: Ocidente bombardeia, depois de ter patrocinado

25.09.2014
 
Lavrov: Ocidente bombardeia, depois de ter patrocinado. 20924.jpeg

O ministro de Relações Exteriores da Rússia relembrou os tempos em que norte-americanos e europeus faziam literalmente qualquer coisa, a qualquer preço, para justificar o apoio que davam a fundamentalistas islamistas, que usavam como ferramenta a favor de quem prometesse ajuda à oposição a alguns regimes.

Serguey Lavrov, ministro de Relações Exteriores da Rússia: "Ocidente agora bombardeia, depois de ter patrocinado, os terroristas do Estado Islâmico. OK. Antes tarde, do que nunca"

24/9/2014, RT - http://rt.com/news/190200-lavrov-isis-west-miscalculation/


As potências ocidentais que adotaram extremistas islamistas para incitá-los contra alguns regimes no Oriene Médio bem fariam se parassem de classificar terroristas entre terrorista bons e maus, disse o ministro Sergey Lavrov, de Relações Exteriores da Rússia, em entrevista televisionada.

Em entrevista ao Channel 5 em São Petersburgo, Lavrov disse:


"Agora que o Estado Islâmico do Iraque e Levante (ISIL) foi declarado inimigo n.1 dos EUA, gostaria de relembrar que [os militantes do ISIL] são exatamente a mesma gente que cresceu graças ao poderosíssimo patrocínio e rico apoio material que recebia do exterior, desde o tempo dos esforços para mudar o regime na Líbia e depois, a partir do momento em que o mesmo processo foi tentado na Síria."


O ministro de Relações Exteriores da Rússia relembrou os tempos em que norte-americanos e europeus faziam literalmente qualquer coisa, a qualquer preço, para justificar o apoio que davam a fundamentalistas islamistas, que usavam como ferramenta a favor de quem prometesse ajuda à oposição a alguns regimes.


"Quando chamávamos a atenção deles para o fato de que havia muitos extremistas e terroristas na oposição a vários regimes, [os norte-americanos e europeus] nos diziam, essencialmente, que todas essas questões se resolveriam depois que os tais regimes 'não apreciados' fossem derrubados e que eles mesmos resolveriam os problemas, depois" - disse Lavrov. - "Como todos estamos vendo, nada aconteceu como eles previram."


Noutro exemplo, Lavrov lembrou que a França armou militantes que lutavam contra Muammar Gaddafi da Líbia; pouco depois, os franceses enfrentavam os mesmos militantes no Mali, onde soldados franceses lutavam contra fundamentalistas islamistas que haviam migrado para lá, saídos de uma Líbia devastada depois da queda de Gaddafi.


"É preciso fixar um critério geral: se lutamos contra o terrorismo, então somos contra o terrorismo em qualquer lugar onde apareça e sempre. Não é possível separar terroristas em terroristas bons e terroristas maus, só porque alguns terroristas ajudam os EUA a derrubar governante legítimo de país membro da ONU, mas governante que os EUA não apreciam" -
Lavrov continuou.


Washington insiste que só os "terroristas do mal" estão sendo mortos pelos EUA, disse Lavrov; mas os norte-americanos "só deram sinais de incômodos depois que alguns vídeos horrendos foram divulgados, em que se via a execução de jornalistas norte-americanos".

 


"Aquelas execuções são inaceitáveis e desumanas, e aquela gente tem de ser caçada com unhas e dentes. Mas... por que os norte-americanos não perceberam a ameaça, antes de que tudo aquilo acontecesse?
- Lavrov perguntou.

"Nada perceberam a tempo, porque estão habituados a combater o terrorismo com padrões duplos; e nunca prestaram atenção ao que nós dizíamos a eles, sempre que propúnhamos unir nossos esforços e ajudar o governo sírio e a oposição moderada na Síria a formar uma frente unida para combater terroristas que estavam voando como enxame na direção da República Árabe Síria. Nunca nos deram atenção" - disse Lavrov.


Agora que os EUA tentam montar uma coalizão antiterrorismo, disse Lavrov, Moscou absolutamente não tem plano algum para unir-se àquela coalizão.


"Não há nada do que nos envergonharmos na ajuda que damos ao Iraque, a Síria e a outros países no mundo árabe, para fortalecer a capacidade de eles mesmos enfrentarem o perigo terrorista" -
disse Lavrov. Acrescentou que a Rússia continua a enviar armas aos governos do Iraque, Síria, Egito e Iêmen, países que sofrem pesadamente por causa de terroristas; e que a ajuda russa amplia a capacidade de os próprios países enfrentarem terroristas.


Mas Lavrov considera bem-vinda a disposição de estados ocidentais, com sua grande capacidade, ajudarem o legítimo governo iraquiano a dar combate aos terroristas.

"OK. Antes tarde, do que nunca" - disse o ministro russo de Relações Exteriores, destacando que, se o ocidente planeja combater o terrorismo em outros países, mais especificamente na Síria, os EUA têm de obter a autorização do legítimo governo sírio para tais ações: "O governo sírio declarou repetidas vezes que estava pronto para cooperar com parceiros estrangeiros para eliminar o terrorismo no território sírio" - disse Lavrov. *****

 


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