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Stalin, o poeta e as escolhas da vida (II parte)

25.08.2008
 
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Não quero comentar aqui minhas opiniões a respeito dos historiadores, visto que a tarefa de reavaliar Stalin ficará a cargo deles, os jovens historiadores capazes de escapar da grande lavagem cerebral. A tarefa com a qual eles hoje se defrontam é imensa. Há sempre muitos motivos para duvidar-se da verdade na história. Quem organizou a Guerra Fria? Por que houve a Guerra da Coréia? Quem matou John F. Kennedy e Bobby? Como foi acontecer de ambos os Bush tornarem-se Presidentes dos Estados Unidos? Qual é a história completa por trás das torres do World Trade Center? Como e por que os Estados Unidos da América se desencaminharam?

Como disse Virginia Woolf, "Pontos de vista foram assumidos, mitos foram construídos."

Posso digerir a citação de Emerson segundo a qual "não há propriamente história; apenas biografias" somente no sentido de que ele se estava referindo à vida vivida por homens, não entretanto a registrada. A qual, de modo geral, fica longe da realidade a ponto de ser mentira. Embora Tolstoy tenha escrito que os homens fazem história sem saber o que estão fazendo, ele também acreditava que a força que tomou o lugar de Deus e moveu a história era algo grande, incompreensível, arcano. A luta de classes era estranha à formação dele. Se não fosse, talvez ele tivesse encontrado a resposta.

Quanto a Stalin, é tempo de começar-se a reavaliar os revisionistas. É preciso lembrar que na terminologia marxista revisionismo significa desvio dos princípios básicos da luta de classes tal como explicada por Marx e Engels. O revisionismo do papel histórico de Stalin começou com Khruschev e culminou com Gorbachev. Agora a agulha está-se movendo para trás. A reavaliação de Stalin e dos revisionistas é iminente. É hora de uma revisão do revisionismo. O tempo passa e dados históricos rígidos amolecem e gradualmente transformam-se em opiniões.

Embora alguns russos o considerem um monstro, muitos outros pensam nele como um deus e sentem saudade dos tempos stalinistas. Por exemplo, li em algum lugar que hoje, na Rússia moderna, o Tsar Ivã o Terrível e Stalin são amplamente considerados os maiores dentre os líderes russos. Quando Stalin morreu em 1953, a despeito das fomes e expurgos e julgamentos de fachada, as execuções e deportações de montes de pessoas, a nação russa pranteou-o.

As multidões que fizeram fila no Kremlin e no Mausoléu de Lenin para ver o corpo dele eram tão caóticas que cerca de 500 pessoas perderam a vida tentando ter um vislumbre do cadáver de Stalin. Também comunistas do Ocidente prantearam o passamento do herdeiro de Lenin, o líder da sorte do lar do comunismo e o vencedor do fascismo.

Relacionemos algumas das realizações positivas que sobreviveram a Stalin, algumas inclusive integrantes do capitalismo russo dos dias atuais. Muitas de minhas referências encontram-se na biografia Stalin do historiador Isaac Deutscher, que não pode ser acusado de simpatizante do comunismo stalinista.

- Quaisquer tenham sido suas aberrações e "crimes", Stalin foi um revolucionário que erigiu uma nova organização social em contraste com o capitalismo.

- Stalin foi o guardião da doutrina marxista.

- Muitos historiadores concordam com que Stalin era um leninista, como ele próprio se chamava, e um seguidor verdadeiro de seu mestre, o ícone da Rússia Soviética. Portanto, fala-se do marxismo-leninismo-stalinismo como um contínuo.

- Stalin pragmaticamente partiu para o Socialismo em Um Só País quando se tornou óbvio que a revolução mundial não era iminente.

- Stalin modernizou a Rússia a qual, até a Revolução, era mais asiática do que européia.

- Stalin transformou uma miscelânea de povos em uma só nação.

Tradução Murilo Otávio Rodrigues Paes Leme

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