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Stalin, o poeta e as escolhas da vida (II parte)

25.08.2008
 
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Stalin, o poeta e as escolhas da vida (II parte)

Quase não consigo acreditar! Com a idéia de opções políticas em mente, escrevi no Yahoo Search as palavras "American Left" com a intenção de investigar as escolhas sócio-políticas que fazemos na vida. E o que apareceu? Uma longa lista de artigos cheios de ódio a respeito até mesmo da mera idéia de Esquerda. Especialmente socialismo. E coletivismo. Dos vigilantes da direita. Pessoas do estilo estadunidense. Uma pessoa escreveu "A Esquerda está fazendo lavagem cerebral de nosso patriotismo!" (sic)

Essas reações automáticas de ódio fazem o ato de escolher parecer um luxo raro. Uma quimera.

Um dos principais problemas que os escritores políticos enfrentam é o da receptividade. Isto é, a falta dela. Quando os órgãos receptores de uma pessoa estão ajustados para receber apenas o que já foi ouvido antes, aquilo que ela já ouviu durante a vida toda, todo o resto passa a parecer-lhe propaganda política! E a verdade será, para sempre, uma estranha. Sem embargo, a ignorância por certo não é uma bênção. Ainda acredito que temos a opção de escolher, na vida.

Acredito que cada um de nós se preocupa com o coletivo, com o que alguns cristãos progressistas chamam de "fraternidade", e não acredita nem aceita de fato todos os clichês a respeito de individualismo radical. Como seres humanos, temos uma alma coletiva. Todos ansiamos por ela, por aqueles momentos de epifania que mudam nossas vidas. Todos nós. Todo capitalista individualista bastardo anseia pelo sentimento de pertencer ao coletivo — o "seio" — da raça humana.

Portanto devemos desejar saber no que acreditamos. E por quê. O que defendemos. Quem deseja ser condicionado para sempre? Embora as árvores também tenham vida, os seres humanos não são árvores. As árvores simpesmente crescem se lhes for permitido, por mais que sejam objeto de abuso, tratadas a pontapés e mal regadas; elas nos condicionam e reagem a nós mesmo quando provavelmente não enfrentem escolhas entre uma coisa e outra. Talvez, em nossas vidas, só escolhamos parcialmente; por vezes as circunstâncias escolhem em nosso lugar; e, como muitas pessoas acreditam, por vezes o destino escolhe por nós.

Talvez a escolha seja também a probabilidade funcionando em nossas vidas — se formos pusilânimes demais para fazermos nós próprios a escolha. Por vezes a probabilidade é uma mulher linda, por vezes é um monstro. Pergunto-me que idade deveremos ter, que preparo será necessário, antes que possamos saborear o entendimento, a dignidade, a satisfação, de mesmo que apenas tentar fazer uma escolha. Talvez a verdade seja que ninguém escolhe completamente seu próprio caminho e talvez haja menos livre arbítrio em nós do que gostaríamos de crer. Tolstoy e Stendahl, entre outros, acreditavam que tudo é predeterminado pelo curso das coisas.

Stalin e o poeta

Stalin tinha muitas coisas em comum com o poeta Mayakovsky. Ambos havia nascido na Geórgia, ou Gruzia. Ambos frequentaram escolas na Geórgia e, quando crianças, ambos falavam georgiano. Depois de mudar-se para Moscou, Mayakovsky, como Stalin, foi expulso da escola porque estava mais interessado na revolução do que no estudo. Com 15 anos de idade ele foi preso por fazer agitação política favorável aos bolcheviques.

O poeta e Stalin compartilhavam sua vigorosa e inflexível defesa do proletariado e o medo da contra-revolução. Depois do suicídio do poeta, de críticas desbragadas da instituição cultural e sua queda em desgraça, Stalin reabilitou-o, dizendo: "Mayakovsky foi e continua a ser o mais talentoso poeta de nossa época soviética." Praticamente da noite para o dia, o poeta boicotado foi renascido como herói da revolução. Praças receberam seu nome e, em sua homenagem, estátuas foram erigidas.

Stalin é minha preocupação maior aqui. Minha conclusão é que fui enganado no tocante a ele. Sofri lavagem cerebral tanto pela propaganda ocidental — na maior parte da variedade anglo-saxônica — quanto por historiadores tendenciosos de todas as nacionalidades e ideologias. Agora meus olhos estão mais abertos. Meus canais receptores estão ligados e ativos. Leio minha história. Observo que Oliver Cromwell, Napoleão e até Robespierre foram reabilitados. Hoje Napoleão é mais herói do que salafrário.

Muito seguramente Stalin, cujas realizações positivas sobrevivem, não deve ser classificado junto com Hitler, cuja contra-revolução destruiu sua própria nação num delírio de insânia e cuja agenda social, desde o começo, foi reacionária, racista e ignóbil. Embora Stalin, do mesmo modo que Hitler, tenha sido implacável em eliminar a oposição e construir um estado totalitário, ele foi bem-sucedido em criar uma nova ordem social e, a preço imenso, fez uma nação moderna daquela que havia sido rotulada de nação de selvagens. Além disso, enquanto Hitler envolveu-se em toda a sua conversa fiada ariana, a meta de Stalin, por mais que distorcida pelo Stalin ditador, foi e continuou sendo o nascimento de uma nova sociedade baseada na igualdade. Justiça social. Seguramente mesmo nos Estados Unidos capitalistas e doutrinados lembramo-nos do que isso quer dizer.

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