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Federação Russa

Mudança do Clima, o Ártico e a Segurança Nacional da Rússia

25.03.2010
 
Mudança do Clima, o Ártico e a Segurança Nacional da Rússia

O que é que o primeiro-ministro Stephen Harper tem em comum com o Ministro da Defesa canadense? Ele compartilha um discurso sinistro, hipócrita e beligerante na beira lunática da comunidade internacional. No entanto, a recém-encontrada megalomania do Canadá é o mínimo das preocupações da Rússia: como é que uma alteração climatérica no Ártico ameaça sua segurança nacional?


Da parte de Canadá, a Rússia tornou-se acostumada a ver e ouvir as posições de arrogância, insolência e intrusão provocante. Tomemos por exemplo a declaração do primeiro-ministro Stephen Harper, que disse que o Canadá é “uma superpotência árctica” (o quê, todos os treze deles?) E a referência idiota do ministro canadense da Defesa, Peter McKay, sobre os “sobrevoos” russos, mas fora do espaço aéreo canadense. Como se pode “sobrevoar”, fora?


O que essas declarações escondem é o nervosismo do Canadá perante o fato de que o direito internacional apoia a Rússia nas suas reivindicações sobre uma fatia bolada do Ártico e perante o fato que o direito internacional favorecerá Rússia no delineamento das novas fronteiras desta região. Dentro da plataforma continental da Rússia se encontram enormes jazidas de ouro, diamantes, níquel, cobalto e cobre.


Por que as mudanças climáticas podem ser catastróficas para a Rússia
A enorme importância do Ártico para a economia russa pode ser visto pelo fato de que 22 por cento das exportações da Rússia e 20 por cento do seu PIB provêm de produtos obtidos a partir do interior do Círculo Polar Ártico, onde estão cerca de 90 por das reservas de hidrocarbonetos do país. Canadá, por outro lado, deriva menos de um por cento do seu PIB a partir de produtos provenientes desta região.


E se o aquecimento global derreter o permafrost?
Yuri Averyanov, membro do Conselho de Segurança Russo, declarou esta semana em uma entrevista com Rossiiskaya Gazeta que as alterações climáticas representam uma grave ameaça à Rússia, à segurança nacional e que o derretimento do permafrost poderia causar problemas graves no prazo de dez a quinze anos.


O resultado desta situação, de acordo com Averyanov, será que milhares de quilômetros de gasodutos, ferrovias e estradas estarão em perigo, juntamente com um grande número de cidades e aldeias. Ele prevê que em Yakutsk, Tiksi e Vorkuta até um quarto de todas as casas poderão ser inutilizadas devido às condições instáveis do solo decorrentes do derretimento.


Dado que o permafrost cobre 66 por cento do território russo, uma mudança drástica nas condições climáticas poderá ameaçar todas as estruturas de engenharia na região, considera Averyanov.


Além disso, Yuri Averyanov considera que o conflito interestadual é uma possibilidade real devido às novas políticas de aliados do E.U.A. no Ártico na expansão de actividades de exploração e investigação. Na verdade, a possibilidade é referida na Estratégia de Segurança Nacional da Rússia, aprovada na Primavera de 2009 e que cita o uso da força armada e conflitos por causa dos recursos de hidrocarbonetos.


No caso de um confronto entre Rússia e Canadá, é óbvio que a Rússia iria ganhar. No entanto, o Canadá está ficando cada vez mais arrogante, sentindo as costas cobertas talvez pelo Big Brother para o sul. Talvez seja hora para o Canadá meter o nariz em seus próprios assuntos e esquecer as aventuras que podem trazer conseqüências terríveis.


Timothy BANCROFT-HINCHEY
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