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Federação Russa

Fórum Econômico Internacional de S.Petersburgo

24.06.2015
 
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S.Petersburgo, no coração dos acontecimentos - Como se podia prever, houve muito suspense sobre o Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICs, com grandes novidades a serem divulgadas na Cúpula dos BRICs, mês que vem, em Ufa. O brasileiro Paulo Nogueira Batista, novo vice-presidente do banco, espera entusiasmado a primeira reunião dos diretores.

Os cães das sanções e do medo ocidental ladram, enquanto a caravana eurasiana passa.

Nenhum caravanserai poderá jamais competir com a 19ª edição do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo [St. Petersburg International Economic Forum (SPIEF)]. Milhares de líderes de empresas globais - inclusive europeus, mas nenhum norte-americano; afinal, o presidente Putin seria "o neo-Hitler" - representando mais de mil empresas/corporações internacionais, inclusive os presidentes da British Petroleum, da Shell Holandesa e da Total, chegaram à cidade em grande estilo.

Por todos os lados, painéis fascinantes - incluindo sessões sobre os BRICs; a Organização de Cooperação de Xangai (OCX); a(s) Nova(s) Rota(s) da Seda; a União Econômica Eurasiana (UEE); e, claro, o tema de todos os temas, "A Formação [orig. making] do Século Pacífico-Asiático: Reequilibrar o Leste", em que falou o primeiro-ministro australiano Kevin Rudd.

Como se podia prever, houve muito suspense sobre o Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICs, com grandes novidades a serem divulgadas na Cúpula dos BRICs, mês que vem, em Ufa. O brasileiro Paulo Nogueira Batista, novo vice-presidente do banco, espera entusiasmado a primeira reunião dos diretores.

E noutro tema chave - deixando de lado o dólar norte-americano -, coube a Anatoliy Aksakov, presidente da Comissão Parlamentar do Parlamento Russo para Política Econômica, Desenvolvimento Inovador e Empreendedorismo, chegar logo ao que interessa: "Precisamos completar a transição, até fazermos todos os nossos pagamentos recíprocos em moedas nacionais, e acreditamos que já se encontram preparadas todas as condições para que assim seja." 

Não é movimento só retórico. Adiante, apenas alguns dos negócios fechados no Fórum SPIEF. Como se poderia prever, verdadeiro show por todos os cantos do Oleogasodutostão.

- Os dutos para o gasoduto do Ramo Turco pelo fundo do Mar Negro começarão a ser instalados ainda esse mês, mais tardar em julho, segundo Alexander Novak, ministro de Energia da Rússia.

- O presidente da Gazprom, Aleksey Miller e o ministro de Energia da Grécia, Panagiotis Lafazanis praticamente fecharam negócio para a extensão do Ramo Turco até a Grécia. Estão "preparando o devido memorando intergovernamental", segundo a Gazprom.

- A Gazprom também anunciou que construirá um duplo gasoduto, da Rússia até a Alemanha, pelo Mar Báltico, em parceria com a E.ON alemã, a Shell Anglo-holandesa e a austríaca OMV.

Em outro front eurasiano crucial, a Índia assinou o projeto de acordo para criar uma zona de livre comércio com a União Econômica Eurasiana. A ministra do Comércio da Índia, Nirmala Sitharaman, estava eufórica: "São duas grandes regiões, qualquer coisa que façam juntas com certeza levará a resultados ainda maiores." 

Oh, como vão longe os dias de Bandar Bush e suas ameaças de que atiçaria os jihadistas contra a Rússia! 

Em vez disso, aconteceu uma reunião sob todos os aspectos notável, entre o presidente Putin e Mohammad bin Salman, o vice-príncipe coroado saudita e atual ministro da Defesa (o homem que comanda a guerra no Iêmen). Foi resultado lógico de Putin estar em contato, há semana, com o novo chefe da Casa de Saud, rei Salman.

A Casa de Saud informou polidamente que se tratou de discutir "relações e aspectos da cooperação entre os dois países amigos". Fatos em campo incluíram discussão, entre os ministros do petróleo saudita e russo, para um amplo acordo de cooperação; assinatura de seis acordos sobre tecnologia nuclear; e o Imponderável Supremo: Putin e o vice-príncipe coroado discutindo preços do petróleo. Podemos estar diante do fim da guerra do preço do petróleo movida pelos sauditas?

Como se já não bastasse, no front asiático o presidente executivo e superstarmáximo, Jack Ma, do Grupo Alibaba, disse, sem meias palavras: "É mais que hora de os players do mercado investirem na Rússia." Pequim, aliás, estima atualmente o valor dos contratos de negócios fechados e quase-fechados com a  Rússia em torno de alucinantes $1 trilhão. O vice-primeiro ministro russo, Igor Shuvalov, disse que preferia estimativa mais "discreta".

Bem... Seria ótimo se outras nações sancionadas e "isoladas" - por causa das "agressões" que cometem - conseguissem mostrar tal desempenho comercial. 

E por onde andavam os Masters of the Universe

Antes do fórum de São Petersburgo, Putin dedicou-se a distribuir uma mesma e invariável mensagem, sempre que cruzava com algum líder ocidental: falava sobre comércio bilateral; e em seguida lembrava o quanto as coisas poderiam estar muito, muito melhores. No Fórum, estava mais do que evidente que a política de sanções da União Europeia contra a Rússia é completo desastre - e decida o Conselho Europeu o que decidir, semana que vem.

Aqueles gênios da burocracia kafkeana na Comissão Europeia continuam a jurar que a Europa nada sofre. Quem acreditará nisso? Burocratas da Comissão Europeia, que só se preocupam com suas gordas aposentadorias, como mostra esse estudo feito na Áustria?

E houve também A Grande Reunião à margem do Fórum SPIEF:  Putin com o primeiro-ministro da Grécia Alexis Tsipras. A questão aqui não é, por exemplo, a Grécia vir a ser, amanhã, membro do grupo BRICs. Yves Smith, do blog Naked Capitalism pode ter acertado na mosca: "O risco objetivo de uma nova aliança Grécia-Rússia (...) é se os europeus estiverem suficientemente preocupados para arriscar uma mudança de curso."

Não há - até agora - qualquer indício de que venha a haver alguma mudança de curso. Mas a Chanceler de Ferro Merkel já anda jogando abertamente com a carta russa - tipo Moscou obter ponto onde apoiar o pé na União Europeia -, para manter outras nações da União Europeia afinadas com a obsessão alemã com a 'austeridade'.

Quanto à Palavra Definitiva no Fórum, difícil bater o primeiro-ministro Tsipras: a Europa "deve parar de ver-se como o centro do universo. Deve tratar de compreender que o centro do desenvolvimento econômico mundial está de mudança para outras regiões."

E havia algum verdadeiro Master of the Universe presente ao Fórum de São Petersburgo?

No mundo real, há várias instituições e conferências que servem de base para "coordenar" políticas. Mas os Masters of the Universe não participam delas. Puxam as cordas da marionetes que vão a reuniões - e tudo que decidem é coordenado por baixo.

Putin nada perdeu por não ter sido admitido ao G7 nos Alpes Bávaros (na verdade, um G1+ "parceiros aspirantes"). Logo adiante se encontrou com quem interessava encontrar-se.

Com o Banco Internacional de Compensações [Bank for International Settlements (BIS)], onde se reúnem os principais bancos centrais, Putin reúne-se uma vez por mês, para "objetivos de coordenação". O Grupo Bilderberg, a Comissão Trilateral e Davos também se reúnem para objetivos de coordenação. Pode-se bem dizer que o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo é hoje o fórum chave de coordenação para a Eurásia. Os Masters of the Universe - verdadeiros ou autoiludidos - que esnobem quem quiserem. E aguentem as consequências. *****

20/6/2015, Pepe Escobar, Asia Times Online 

http://atimes.com/2015/06/spief-st-petersburg-in-the-heart-of-the-action-escobar/


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