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Federação Russa

Rússia: OTAN pede ajuda

23.12.2009
 
Rússia: OTAN pede ajuda

Por que é que a OTAN faz e quebra promessas para a Rússia, circula pela Rússia a armar ONGs, rodeia a Rússia com regimes que são hostis a Moscou depois de prometer que não, e então pede a ajuda da Rússia quando fica em sarilhos?


O facto que o secretário-geral da OTAN Anders Fogh Rasmussen reuniu com o Presidente Dmitry Medvedev, o Premier Vladimir Putin, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, Sergei Mironov do Conselho da Federação, e Boris Gryzlov da Duma mostra a importância de sua recente visita a Moscovo.


Em cima da mesa, aparentemente, o assunto do apoio logístico às operações da OTAN em Afeganistão, onde após 8 anos, as vítimas estão em níveis recorde e vastas áreas do país estão sob o controle permanente dos talibãs a um custo total até à data de $ 231.596.444.845, ou duzentos e trinta e um vírgula cinco bilhões de dólares, onde o governo de Hamid Karzai se assemelha a um bando de gangsters e onde dez por cento dos gastos do Pentágono são pagos aos Talibã para não atacar.


Isto, depois da própria OTAN, ainda que indirectamente, criou o problema, desencadeando movimentos extremistas terroristas na Ásia Central para desestabilizar a União Soviética, entre os quais o movimento Mujaheddin, com o mulá Omar e Osama bin Laden, que hoje se transformou nos Talibã. O cartão de agradecimento pelo apoio foi o 9/11.


Depois de ter feito compromissos à Rússia que a OTAN não se expandiria para o leste, se o Pacto de Varsóvia fosse desmontado, em seguida, OTAN em seguida colocou a mão na garganta da Rússia com a sua presença militar ao longo das fronteiras norte e oeste, e em seguida, cortejando a Geórgia, cujo regime lançou um criminoso e selvagem ataque assassino e covarde contra a Rússia no verão de 2008, vem a OTAN agora pedir a ajuda da Rússia.


Dado que o governo da Rússia tem seguido a posição histórica da Rússia na comunidade internacional, adoptando uma leitura dos eventos historicamente sensata, equilibrada e correcta (afinal apoiar o Governo socialmente progressivo no Afeganistão contra os movimentos terroristas, assim como a OTAN está fazendo hoje, foi a decisão certa), faz sentido que a Rússia ajude a NATO, fornecendo apoio logístico. Ninguém ganha pelo Afeganistão se tornar um Estado falhado novamente, embora resta a noção de que o seu povo teria ficado muito melhor se a OTAN tivesse deixado o país em paz nos anos 70.

Ninguém ganha se o terrorismo internacional tiver lugares para se esconder e se desenvolver, para depois semear a tragédia e horror do que aconteceu em Nova York, Londres e Madrid e, recentemente, Moscovo, mostrando que não é apenas uma luta entre os E.U.A. e Bin Laden, mas na verdade a própria civilização contra um bando de assassinos.


Nem é a Rússia de qualquer forma hostil à campanha da OTAN no Afeganistão. Afinal, é justo que a OTAN terminar o trabalho que começou em 1970, embora as vidas de 15.000 Soviéticos teriam sido poupadas.


Assim, a OTAN faria bem se pelo menos uma vez agradecesse à Rússia pelo seu apoio não só no Afeganistão, mas em outras áreas, nomeadamente a luta contra a pirataria e o tráfico de drogas e armas e faria bem, no futuro, honrar sua palavra, não fazer avanços abertamente hostis e não apoiar regimes como a Geórgia de Saakashvili.


A chave para todas estas questões (exceto a Geórgia, onde reina a ideia "Sem Saakashvili, Sem Problema”) é o desenvolvimento e isso requer dinheiro, paciência e tempo. Exige também um mundo cujos líderes e aqueles que os mantêm no poder estão mais centrados na resolução de problemas comuns do que em obter ganhos pessoais. O mundo só pode juntar-se se antigos inimigos se tornem amigos, se a comunidade internacional viver em paz e amizade em torno do nosso lago comum, os mares. As lágrimas têm gosto de sal, seja de quem forem…


Timothy BANCROFT-HINCHEY
PRAVDA.Ru


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