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Federação Russa

Os soviéticos na guerra em Angola

23.05.2006
 
Os soviéticos na guerra em Angola

 Segundo a agéncia EFE, o Museu Central da História Moderna da Rússia inaugurou hoje uma exposição sobre a participação secreta da União Soviética no conflito armado de 1975-91 em Angola, no qual atuaram até 30 mil militares soviéticos.

A exposição apresenta fotografias e documentos, mapas e relatórios militares, apontamentos e diários dos assessores, especialistas e tradutores soviéticos, além de uniformes, armas, condecorações e objetos pessoais dos participantes da guerra de Angola.

"A amplitude de nossa intervenção no conflito angolano continua sendo um grande segredo, assim como os dados sobre as baixas", reconheceu o coronel Vadim Sagachko, presidente da União de Veteranos de Angola, que organizou a mostra.

A associação de veteranos calcula que "por Angola passaram pelo menos 30 mil militares soviéticos, sem contar os especialistas civis que também trabalharam para as Forças Armadas Populares de Angola (Fapla) e que além disso morriam ou eram aprisionados pela oposição armada".

Segundo dados oficiais, durante o conflito armado em Angola caíram em combate ou morreram mais de 50 militares soviéticos, entre eles 45 oficiais.

No entanto, "existem fundamentos para considerar que o número de cidadãos soviéticos caidos nessa guerra foi consideravelmente maior", disse Sagachko а agéncia "Interfax".

Ele explicou que os dados oficiais "não levam em conta a intensidade das ações militares, o grau de participação nelas dos conselheiros soviéticos, nem as vítimas entre os especialistas civis, pois a guerra não perdoava ninguém".

"Não é segredo que a morte de muitos feridos e caídos em combate era atribuída a causas naturais e doenças tropicais" pelas autoridades militares soviéticas, que tentavam assim ocultar o número real de vítimas, disse o veterano.
 

Segundo Sagachko, por causa do sigilo oficial em torno da participação da URSS no conflito, "depois de 30 anos, muitos veteranos soviéticos não podem provar que estiveram em Angola, pois o fato não foi registrado em seus expedientes".

Portanto, "muitos não podem pedir os benefícios sociais outorgados aos participantes de conflitos armados", denunciou o presidente da União.

Ele acrescentou que a lei russa sobre os veteranos reconhece a presença de militares e civis em Angola apenas de 1975 a 1979. No entanto, as tropas continuaram sendo enviadas.


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