Pravda.ru

Federação Russa

Os BRICs de mãos dadas em prol de uma nova ordem mundial

22.06.2009
 
Pages: 123
Os BRICs de mãos dadas em prol de uma nova ordem mundial

Paulo Galvão Júnior* - João Pessoa – Brasil

O presidente da Federação Russa, Dmitry Medvedev, foi o grande anfitrião da primeira reunião de cúpula dos quatro países emergentes do BRIC (sigla em inglês das iniciais de Brazil, Russia, India and China). Em Yekaterinburg, a maior cidade a leste dos Montes Urais, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente russo Dmitry Medvedev, o primeiro-ministro indiano Manmohan Singh e o presidente chinês Hu Jintao debateram por quatro horas a crise econômica internacional, a formação oficial do grupo BRIC, a redução da grande dependência do dólar americano e, sobretudo, a nova ordem mundial.

Durante a 34ª cúpula do Grupo dos Oito (G-8), no Japão, em julho do ano passado e, principalmente, na histórica cúpula realizada em 16 de junho na Rússia, observamos os líderes dos BRICs de mãos dadas em prol de uma nova ordem mundial. Todos os problemas econômicos na Terra, sejam eles quais forem, estão relacionados com o problema da escassez. Os principais problemas internacionais como pobreza, fome, desemprego, violência, guerras, doenças, drogas, aquecimento global, escassez de energia e de água potável são de responsabilidade de cada um de nós.

A principal moeda do mundo é o dólar norte-americano. Não há até agora uma moeda oficial que possa substituí-lo. O Brasil defendeu que o real e o yuan tenham um papel cada vez maior no comércio internacional, mas reconheceu que o dólar vai continuar sendo a principal moeda nos próximos anos mesmo com a recessão da economia americana. O uso das moedas nacionais (real, rublo, rúpia e yuan) nas trocas bilaterais entre os países do BRIC foi pauta da cúpula dos principais países emergentes do mundo. O Brasil defendeu a redução do peso dos Estados Unidos da América (EUA) e do dólar americano nos negócios internacionais e no sistema financeiro mundial. Essa é uma questão a ser muito debatida nos próximos anos.

O BRIC é um acrônimo criado em novembro de 2001 pelo economista britânico Jim O'Neill no relatório Building Better Global Economic Brics do banco de investimento americano Goldman Sachs. Segundo Jim O'Neill , a China será a maior economia do mundo em 2050, a frente dos EUA que ocupará o 2º lugar no ranking mundial. A Índia será a 3ª economia do planeta, a frente do Japão que estará em 4º lugar. O Brasil ficará em 5º lugar no ranking das dez maiores economias do mundo em 2050. Já a Rússia projeta-se na 6ª posição no ranking do PIB global, na frente do Reino Unido, da Alemanha, da França e da Itália.

De acordo com as novas projeções do economista Jim O'Neill, em 2027, a economia da China, alcançaria o Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22,2 trilhões, assumindo o primeiro lugar no ranking mundial das economias. A economia dos EUA estaria em segundo lugar, com PIB de US$ 21,6 trilhões. Em terceiro, a Índia (US$ 5,5 trilhões), em quarto, o Japão (US$ 5,3 trilhões), em quinto, a Alemanha (US$ 4,1 trilhões), em sexto, a Rússia (US$ 4,0 trilhões), e em sétimo lugar, o Brasil (US$ 3,8 trilhões), na frente do Reino Unido, da França, da Itália e do Canadá.

Os trilhões de dólares a mais na economia dos quatro países emergentes não vão significar que esses países alcancem padrões de vida considerados de Primeiro Mundo. Segundo Jim O’Neill, apesar de juntos, em volume de PIB, terem o potencial de superar o Grupo dos Sete (G-7), o único país que poderia chegar perto dos níveis de riqueza e padrão da qualidade de vida dos países desenvolvidos é a Rússia.

O cenário econômico para o BRIC traçado por Jim O'Neill continua recebendo críticas de vários economistas. Muitos questionam um grupo que reúne países tão distintos no âmbito social, político, ambiental e de modelo econômico - sem falar das enormes diferenças étnico-religiosas. Outros questionam ainda o fato de o grupo excluir outros países emergentes como a África do Sul, México, Coreia do Sul, Indonésia e Turquia. Já outros economistas, na qual me incluo, estão enfatizando que o PIB desses quatro países emergentes irá crescer muito, todavia é importante estar atento para outros indicadores como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), porque os BRICs serão economias ricas e juntos com o país mais rico da África serão integrantes do seleto grupo dos países com desenvolvimento humano elevado (IDH de 0,800 ou superior) antes de 2050. Por isso escrevi o RBCAI (sigla em português das iniciais de Rússia, Brasil, China, África do Sul e Índia).

O presente artigo tem por objetivo comparar o Brasil com outros três integrantes do BRIC, Rússia, Índia e China. E do BRIC com o Mundo. Ressalto que no Mundo foram 179 países analisados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Faremos análises comparativas de oito indicadores: População Total, Área Territorial, PIB, IDH, Esperança de Vida ao Nascer, Taxa de Alfabetização de Adultos, Taxa de Escolarização Bruta Combinada e PIB per capita. Vamos aos números e as análises comparativas dos BRICs na atualidade.

Pages: 123

Loading. Please wait...

Fotos popular