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Federação Russa

Sergei Lavrov: Conter a Rússia: De volta ao futuro?

20.07.2007
 
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Sergei Lavrov: Conter a Rússia: De volta ao futuro?

As limitações da Força

Segunda parte do artigo do Ministro das Relações Exteriores da Federação Russa - Uma lição clara é que respostas unilaterais, consistindo principalmente no uso da força, resultam em impasses e louça quebrada em toda a parte. O catálogo atual de crises não-resolvidas – Iraque, Irã, Líbano, Darfur, Coreia do Norte – é um testamento a isso.

No século XXI, qualquer demora em resolver problemas acumulados traz conseqüências devastadoras para todas as nações. Uma lição clara é que respostas unilaterais, consistindo principalmente no uso de força, resultam em impasses e louça quebrada em toda a parte. O catálogo atual de crises não resolvidos – Iraque, Irã, Líbano, Darfur, Coreia do Norte – é um testamento a isso. A segurança genuína só será alcançada por estabelecer relações normais e empenhar em diálogo. O MRE da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier tinha razão quando ele aconselhou que o mundo de hoje deveria ser baseado em cooperação antes que ameaças militares.

Problemas complexos exigem abordagens completas. No caso do Irã, a resolução de diferenças deve passar pela normalização por todos países das suas relações com Teerão. A normalização também ajudaria a conservar o regime de não proliferação nuclear. Relativamente a Kosovo, a independência (desta província) da Sérvia criaria um precedente que vai além das normas existentes da lei internacional. A inclinação dos nossos parceiros de vergar à chantagem de violência e anarquia em Kosovo contrasta com a indiferença demonstrada aos casos de violência e anarquia semelhante nos territórios palestinos, onde foi tolerado durante décadas enquanto ainda está por estabelecer um estado palestino.

Eliminar o legado da Guerra Fria na Europa, onde a política de contenção era dominante durante demasiado tempo, é especialmente urgente. Criar divisões na Europa encoraja sentimentos nacionalistas que ameaçam a unidade do continente. Os problemas atuais encarados pela União Europeia, em particular, e a política europeia, em geral, não podem ser resolvidos sem que a Europa mantenha relações construtivas e orientadas para o futuro com a Rússia – relações baseadas em confiança mútua. Isto deve ser visto também de interesse aos EUA.

Em vez disso, várias tentativas estão sendo feitas para conter a Rússia, incluindo pela expansão a Leste da Organização do Tratado do Atlântico Norte, em violação de garantias prévias dadas a Moscou. Hoje, os defensores do alargamento da OTAN falam do suposto papel da Organização no nome da democracia. Como é que se promove a democracia pela mão de uma aliança político-militar que produz cenários para o uso da força?

Entretanto, alguns promovem a extensão da OTAN aos países que compõem a Comunidade de Estados Independentes (CEI) como algum tipo de passagem ao clube de estados democráticos, quer que estes países passem a prova democrática, ou não. Não se pode deixar de questionar se esta iniciativa está sendo prosseguida por satisfação moral ou outra vez para conter a Rússia.

Quanto à CEI, a Rússia tem a capacidade de manter a estabilidade social, econômica, e de outras formas na região. A rejeição da Moscou do comércio e relações econômicas politizados e sua adoção de princípios baseado no mercado, testemunham a sua determinação em ter normalidade nas suas relações interestaduais. A Rússia e o Ocidente podem cooperar nesta área mas só por abandonar jogos de poder sem resultado.

A proposta para colocar sistemas de defesa anti-mísseis na Europa oriental é prova do esforço dos EUA para conter a Rússia. Não é coincidência que esta instalação caberia no sistema global de defesa anti-míssil dos EUA que está instalado ao longo do perímetro da Rússia. Muitos europeus exprimem sua legítima preocupação, que estacionar elementos do sistema de defesa anti-míssil dos EUA na Europa, minaria os processos de desarmamento. Por sua parte, a Rússia considera que esta iniciativa seja um desafio estratégico que exige uma resposta estratégica.

A oferta do Presidente Putin de permitir o uso em conjunto da base de radar de Gabala em Azerbaijão, em vez dessas instalações na Europa Oriental – assim como sua proposta, feito quando foi encontrar-se com Presidente George W Bush em Kennebunkport, Maine, em Julho, de criar um controlo regional e sistema de alerta antecipado – fornece uma oportunidade brilhante de achar uma saída da actual situação presente com a dignidade de todas as partes mantida. Como um ponto de partida para um esforço verdadeiramente coletivo nesta área, Rússia está disposta a tomar parte, junto com os Estados Unidos e outros, numa análise em conjunto das ameaças potenciais colocadas de mísseis até ao ano 2020.

O desejo de conter a Rússia claramente manifesta-se também na situação a volta do Tratado de 1990 sobre as Forças Armadas Convencionais na Europa (ou Tratado FCE). A Rússia cumpre o tratado em boa fé e insiste só na única coisa que o tratado promete: segurança em condições iguais. No entanto, o princípio de segurança em condições iguais foi comprometido com a dissolução do Pacto de Varsóvia; entretanto, OTAN permaneceu intacta e depois alargou.

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