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Israel acusa Irã de manipulação e Medvedev quer esclarecimentos

18.05.2010
 
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Israel acusa Irã de manipulação e Medvedev quer esclarecimentos

Sob os olhares do mundo, o Irã fechou um acordo com o Brasil e a Turquia para enviar parte de seu urânio para o exterior, mudando sua postura de recusar um acordo, enquanto potências ocidentais negociam novas sanções do Conselho de Segurança da ONU contra a República Islâmica.

Para o mundo entender, os principais jornais dos Estados Unidos, Brasil e da Europa repercutiram o acordo fechado entre Brasil, Irã e Turquia para a troca de material do controverso programa nuclear iraniano.

Apesar de desconfiar da eficácia do acordo para diminuir as tensões no Oriente Médio, a imprensa mundial destacou a ascensão dos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, na diplomacia mundial por conta do fechamento do acordo com o governo de Teerã.

Até o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, chegou a dizer que o Brasil adotou posturas independentes ao negociar com as políticas arrogantes dos Estados Unidos nos últimos anos.

Segundo o jornal americano Los Angeles Times, caso o acordo seja bem-sucedido, será mais um marco na emergência política do Brasil e da Turquia. Os dois países são "duas potências regionais e globais em rápido crescimento que buscam solidificar suas posições com triunfos diplomáticos", disse o jornal.

A mesma opinião tem o New York Times. De acordo com o jornal americano, o acordo pode confirmar o status de potências mundiais de Brasil e Turquia. O país muçulmano, segundo a publicação, tenta se transformar no principal ator político do Oriente Médio.

O New York Times traz ainda a desconfiança de analistas ocidentais a respeito das reais intenções do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. Segundo um diplomata ouvido pelo jornal, os 1,2 mil kg de urânio de baixo enriquecimento que o Irã se comprometeu a enviar à Turquia representam pouco mais da metade do estoque do mineral no país.

O britânico The Guardian vai além e cita diplomatas que afirmam que, mesmo com o envio do material à Turquia, o Irã ainda teria em breve estoque suficiente de urânio para construir uma bomba atômica. As autoridades iranianas negam as acusações e alegam que o seu programa nuclear tem apenas fins pacíficos.

O jornal espanhol El País afirma que o Irã encontrou em Lula e Erdogan dois aliados de peso para vencer a disputa diplomática com os Estados Unidos e evitar novas sanções.

Já o The Times afirma que Ahmadinejad teve facilidades para negociar com a Turquia e do Brasil do que com outras potências, devido à confiança entre os três países. De acordo com o jornal britânico, a iniciativa dos dois membros não-permanentes do Conselho de Segurança da ONU deve, no mínimo, complicar as tentativas dos Estados Unidos de impor novas sanções econômicas ao Irã.

O acordo celebrado em Teerã prevê que o Irã envie à Turquia 1,2 mil kg de urânio de baixo enriquecimento por urânio enriquecido a 20% para ser usado em pesquisas médicas. Pelo acordo, o urânio enriquecido será remetido no prazo de um ano. Nesse período, haverá supervisão de inspetores turcos e iranianos.

Entretanto, para a União Européia, os detalhes do acordo ainda têm de ser analisados. “Um acordo entre Irã, Turquia e Brasil para uma possível troca de combustível nuclear pode ser um passo na direção certa, disse a Comissão Européia, mas os detalhes ainda precisam ser analisados”, garantiu um porta-voz da EU.

"Temos de esperar pelos detalhes completos do acordo que, embora seja um passo positivo, na direção correta, não lida completamente com todas as questões envolvendo o programa nuclear do Irã”, enfatizou o porta-voz.

O porta-voz disse que a alta representante da UE para assuntos internacionais, Catherine Ashton, está pronta para se reunir com autoridades iranianas para encontrar uma solução "completa" para o impasse envolvendo as atividades de enriquecimento de urânio do Irã.

"Muitas das questões levantadas pelo UE3+3 (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia e China) e por membros do Conselho de Segurança ainda precisam ser respondidas", disse o porta-voz.

França e a Alemanha expressaram ceticismo sobre o acordo assinado em Teerã. Berlim disse que, mesmo com a conversa mantida por Lula e Ahmadinejad, é importante o estabelecimento de um acordo entre Irã e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

"Continua sendo importante que Irã e AIEA cheguem a um acordo", declarou o porta-voz adjunto do governo da Alemanha, Christoph Steegmans, que completou: "Isto não pode ser substituído por um acordo com outros países".

Já o ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, preferiu destacar que "progressos bastante importantes" estão sendo obtidos no Conselho de Segurança da ONU a respeito das sanções contra o Irã pelo programa nuclear do país.

Para o chanceler francês a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) é quem deve posicionar-se sobre o acordo por Irã, Brasil e Turquia. "Não somos nós que devemos responder. É a AIEA", declarou Kouchner. "Saudamos o acordo e a tenacidade com a qual nossos amigos turcos e brasileiros realizaram as conversações. Sempre é bom falar e sempre é melhor escutar", completou.

Para a Organização do Tratado do Atlético Norte (Otan) o acordo Irã-Brasil-Turquia é “um passo potencialmente positivo para resolver a crise do programa de enriquecimento de urânio iraniano”, segundo o seu comandante-em-chefe na Europa, almirante James Stavridis.

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