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Federação Russa

Na véspera da visita de Lavrov à Portugal

17.09.2006
 
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Na véspera da visita de Lavrov à Portugal

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, visita esta segunda –feira Portugal para discutir as relações bilaterais e o reforço da parceria da Rússia com a União Europeia , tendo em conta a presidência de Lisboa na UE no segundo simestre do próximo ano. As Partes vão analizar também as questões internacionais, tais como: a luta contra o terrorismo , não proliferação de armas nucleares , a situação no Médio Oriente, Iraque, Afeganistão e Balcãs.

Alêm do encontro com seu homólogo portugês, Luis Amado, Lavrov terá uma palestra com o primeiro ministro de Portugal, Jose Socrates.

 Na  véspera da visita de Lavrov a Portugal o Diário de Notícias publicou uma opnião do ministro russo sobre o papel da Rússia no mundo conteporâneo .

“ Nos últimos 15 anos têm acontecido no mundo mudanças importantes e às vezes fundamentais. Uma parte inalienável destas transformações tornou-se a nova Rússia. Daqui vêm as novas tarefas da diplomacia russa.


A principal destas pode ser formulada assim: a Rússia deve ter a responsabilidade, na situação mundial, proporcional à sua posição e possibilidades, deve participar não só na realização da agenda global mas também na formação dela. Recusando a ideologia do passado a favor do bom senso, a Rússia é agora capaz de ter uma vasta visão sobre as coisas sem preconceitos. Podemos e devemos propor soluções não ordinárias para as questões internacionais mais difíceis.


O período "pós-guerra fria" está a terminar. Na situação internacional começa a amadurecer um momento extremamente importante e inevitavelmente contraditório. Não esperamos que todos os elementos ambíguos e incertos, típicos do passado recente, desapareçam.
As tendências positivas, bem como as negativas, fazem-se notar na situação internacional. No lado positivo - o reforço da diplomacia multilateral, destruição dos mitos do passado recente, acrescido entendimento da legitimidade única da ONU. No negativo - o alargamento do espaço de conflitos, saída da problemática do desarmamento e controlo de armas da agenda global, imposição ao mundo do sentido hipertrofiado do factor força.


Os acontecimentos demonstram que os problemas contemporâneos não podem ser resolvidos pela força, e qualquer aplicação da força prova o carácter inadequado deste instrumento às realidades do mundo de hoje. Assim era no Kosovo, assim é no Iraque, a mesma conclusão se tira dos recentes acontecimentos trágicos no Líbano. As acções militares neste país muito sofredor provaram só uma coisa: qualquer guerra se torna numa catástrofe humanitária. Devem tirar-se lições destes acontecimentos e a principal delas é a necessidade de aumentar a influência da ONU nos processos internacionais, na solução dos problemas internacionais concretos.


A Rússia obteve de novo a capacidade e a vontade política para realizar uma política verdadeiramente nacional, ou seja, uma política baseada nos interesses russos. Mas a Rússia não quer nada que contradiga os interesses da comunidade internacional. Nunca voltaremos a apoiar os projectos ideológicos de reconstrução do mundo. Manifestar-nos-emos sempre contra a transferência para a nova ordem mundial dos elementos imprestáveis do sistema anterior das relações internacionais, como as atitudes de blocos.


Concordamos inteiramente com quem considera que não é possível resolver os problemas da actualidade, inclusive gerados pela globalização, sem uma visão geral da época histórica contemporânea. A globalização não deixa lugar para o egoísmo nacional e a exclusividade civilizacional. A Rússia está decidida a contribuir para a formação do sistema do universo novo, mais seguro e mais democrático, que se baseie nos princípios autenticamente multilaterais e de direito.


A independência na política externa que a Rússia ganhou é a realização principal dos últimos anos e o imperativo incondicional, correspondente às tradições políticas e diplomáticas do nosso país. Vamos colaborar com todos os parceiros sem discriminação e só a partir de posições de igualdade completa, consideração recíproca de interesses e vantagem mútua. Não é culpa nossa que as dificuldades inevitáveis que a Rússia enfrentava nos anos 90 do século XX tenham dado a alguns motivos para excluir o nosso país dos protagonistas internacionais e avançar a hipótese de que é possível cooptar a Rússia numa configuração de Estados com direitos de "parceiro menor".


Realizamos uma política aberta, não escondemos os nossos pontos de vista e não disfarçamos as divergências com os nossos parceiros. À medida do crescimento da confiança da Rússia nas suas capacidades, aumentaram as suas qualidades não só como parceiro. O nosso país tornou-se um factor mais previsível da política internacional. A Rússia vai continuar com as suas atitudes de princípio na política internacional, tomar posições equilibradas, actuar como um factor importante da diplomacia multilateral e da política unificadora para conseguir acordos e compromissos, sem os quais é impensável a reacção efectiva e solidária aos desafios comuns. Ao mesmo tempo, não vamos permitir que se faça da Rússia uma parte da nova política de confrontação para que tentam empurrar-nos aquelas forças que contam com a nova divisão do mundo, desta vez por princípio civilizacional.


”A Rússia não vê alternativa razoável à formação no mundo da nova liderança colectiva dos países-chave, que seja representativa no plano geográfico e civilizacional. O G-8 poderia tornar-se um elemento importante desse mecanismo informal.

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