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Lênin: um ensaio a sua contribuição à Economia

17.04.2009
 
Pages: 12
Lênin: um ensaio a sua contribuição à Economia

Ele foi, sem dúvida, um dos mais influentes líderes políticos e um dos maiores teóricos comunistas de todos os tempos. Contribuiu com a teoria da revolução marxista, desenvolveu uma teoria do imperialismo e dirigiu o Partido Bolchevique na Revolução Russa de 1917.

Neste mês de abril 2009 transpassam-se 139 anos do nascimento de Vladimir Ilitch Ulianov (Lênin) [ Владимир Ильич Ульянов – Ленин ]) . Ele foi, sem dúvida, um dos mais influentes líderes políticos e um dos maiores teóricos comunistas de todos os tempos. Contribuiu com a teoria da revolução marxista, desenvolveu uma teoria do imperialismo e dirigiu o Partido Bolchevique na Revolução Russa de 1917. Suas concepções se espalharam por todo o mundo, definindo o leninismo como importante corrente político-econômico-revolucionária.

Conforme colocado por Florestan Fernandes:

“Lênin não só se tornou o mentor de uma corrente do marxismo, mas, além disso, ele foi, também, o principal dirigente da Revolução Socialista na Rússia e, em particular, o seu autêntico homem político na fase decisiva – como intérprete da história; como encarnação sublimada da vontade revolucionária do proletariado e de outros setores do povo russo; e como o verdadeiro artífice da vitória, nos momentos difíceis da tomada do poder e da construção das estratégias vinculas à destruição da ordem burguesa, à consolidação do Estado proletário e à transição gradual para o socialismo sob a hegemonia do poder soviético – bem como o inspirador da rearticulação do internacionalismo socialista como movimento mundial”.

Ainda, é importante destacar que não pode ser feito um balanço razoável da obra política, econômica e social de Lênin sem se considerar, simultaneamente, os três marcos de sua atividade. Mais uma vez, citando Florestan Fernandes, devemos lembrar sobre Lênin: a) sua contribuição teórica como criador altamente original no seio do pensamento marxista; b) sua contribuição prática, como inventor de novas combinações institucionais de organização do movimento marxista-leninista e dos partidos que podiam se transformar em força política especificamente revolucionária; e, c) seu papel histórico, nos diversos momentos da evolução do marxismo e do marxismo-leninismo, na Rússia ou no plano internacional, e do desenvolvimento do que se convencionou chamar de “Revolução Russa”.

Assim, nos limites de uma introdução, é impossível levar a cabo um balanço que faça justiça a Lênin nos três níveis mencionados acima. Tendo presente essa limitação, mas, tentando todo o tempo deixar para o leitor ao menos uma idéia das principais contribuições de Lênin (destacadamente no campo das Ciências Econômicas) o presente texto segue com um resumo das obras sobre Economia escritas por ele.

Exilado para a Sibéria, lá concluiu sua genial obra O desenvolvimento do capitalismo na Rússia (1896), que pode ser considerada, dentro do marxismo, como a mais completa análise histórica concreta das primeiras fases da evolução do capitalismo. Nessa obra evidencia-se, dentre outros, completo domínio crítico das teorias econômicas de Karl Marx e do materialismo histórico.

Em 1905, Lênin acreditava que as medidas econômicas contra a propriedade fundiária feudal eram mais importantes do que os projetos constitucionais. Por isso, ressaltou a importância da nacionalização das terras (na Rússia) como medida para separar a burguesia dos grandes proprietários de terras, promover o rápido desenvolvimento do capitalismo no campo e atrair os camponeses pobres para o lado do proletariado.

Para explicar a deflagração da guerra em 1914 e a posição “patriótica” de muitos líderes socialistas, Lênin voltou–se para a teoria do capitalismo monopolista, ou financeiro, desenvolvida por Hilferding (1877 a 1941) e Bukharrin (1888 a 1938). Em 1916, produziu o livro Imperialismo, fase superior do capitalismo. Nessa obra, Lênin afirmou que uma nova época do capitalismo havia surgido e nela o monopólio substituía a concorrência e que a concentração do capital e as divisões de classes da sociedade haviam chegado ao seu extremo. A exportação de capital havia substituído a exportação de mercadorias e o território econômico de todo o mundo havia se submetido à exploração parasitária dos Estados capitalistas mais poderosos. O monopólio econômico encontrava seu complemento e sua uniformidade política na erosão das liberdades civis e na vigilância. A sociedade e o estado estavam subordinados aos interesses do capital financeiro. O capitalismo na era do imperialismo havia se tornado militarista, parasitário e opressor.

Em 1917, todos os elementos da teoria da revolução de Lênin haviam sido reunidos. A guerra internacional e o colapso econômico tornavam imperativa uma revolução socialista, pois, não havia outro modo de sair da barbárie. O truste capitalista-estatal e burocrático-militarista seria substituído pelos órgãos da democracia popular – cujas formas ganharam o nome de sovietes. As estruturas administrativas simplificadas dos bancos e dos trustes permitiriam a todos participar na administração econômica da sociedade. Essas concepções libertárias sobre a natureza, própria do Estado, foram desenvolvidas por Lênin em O Estado e a Revolução (1917). Em outubro de 1917, tendo conseguido a maioria nos principais sovietes urbanos e militares, Lênin levou o partido Bolchevique a assumir o poder de estado, no que entrou nos livros de história de todo o mundo como a Revolução Russa.

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