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Federação Russa

Língua russa como oficial de todos os países da ex-URSS

16.06.2008
 
Língua russa como oficial de todos os países da ex-URSS

A administração russa resolveu fazer todo o possível para tornar o russo a língua oficial de todos os países da antiga URSS (atualmente conhecida como a Comunidade de Estados Independentes - Commonwealth of Independent States, CIS). Entretanto, os líderes de alguns desses países não estão dispostos a seguir a Rússia nesse particular.

A idéia de tornar a língua russa a língua oficial do espaço pós-soviético não é nova. O Ministério de Assuntos Exteriores da Rússia começou a trabalhar no assunto em 2003.

"Se um país resolver reconhecer o russo como sua língua oficial, caberá a esse país elaborar os mecanismos necessários para tanto," disse ao Pravda.ru um porta-voz do Instituto da CIS, Vladimir Zharikhin.

O especialista insistiu em não politizar a questão da língua russa nos estados pós-soviéticos. "Esta é uma missão humanitária, antes de tudo. Estudar a língua e a cultura russas é uma das maneiras de tornar-se parte da cultura mundial," disse ele.

Um porta-voz do Centro de Pesquisa Estratégica, Sergei Mikheyev, mostrou-se mais cético em seus comentários a respeito do problema. "Permanecemos no nível declarativo do estatuto da língua russa, como há cinco anos. A situação só piorou durante esses anos. Forças nacionalistas em alguns países porfiam no sentido de distanciá-los da Rússia, da língua e cultura desta última, tanto quanto possível. Como disse Viktor Yushchenko – a Rússia acaba onde a língua russa acaba," disse Mikheyev ao Pravda.ru.

Por enquanto, nenhum dos países da antiga União Soviética concordou em reconhecer o russo como língua oficial. Além disso, movimentos nacionalistas em muitos desses países tentam livrar-se da língua russa. As pessoas já começam a esquecê-la.

"Muitos jovens não falam e não entendem russo. O russo poderá tornar-se uma língua da elite na Geórgia, o que é uma grande lástima," disse o Embaixador russo na Geórgia, Vyacheslav Kovalenko.

Por falar na Geórgia, aquele país não vê nenhum motivo para que seus cidadãos estudem russo. Conhecimentos acerca da Rússia não são exigidos de pessoas à procura de emprego, mesmo nas empresas de propriedade de empresários russos. Entretanto, será difícil para jovens georgianos virem à Rússia ou tentarem entrar numa universidade russa.

Se a situação continuar a desenvolver-se desse modo no futuro, organizações da CIS, como a GUAM, por exemplo, terão que reconhecer o inglês como sua língua internacional de comunicação.

A Armênia também está gradualmente esquecendo o russo. A despeito dos laços amigáveis da Armênia com a Rússia, aquele país resolveu não transmitir programas em língua russa em canais de televisão armênios.

Quanto à Ucrânia, cerca de 50 por cento de sua população falam russo. As autoridades ucranianas já discutiram a questão da língua russa em numerosas ocasiões. Entretanto, o Presidente Yushchenko não despenderá quaisquer fundos para apoiar a língua e a cultura russas na Ucrânia.

Muitos trabalhadores provenientes da Ásia Central, que vêm para Moscou ou para outras cidades da Rússia para ganhar a vida, mal falam russo. Os governos do Turcomenistão, Uzbequistão e Tadjiquistão estão demasiado ocupados com seus problemas econômicos para abordarem o problema da língua.

Assim, pois, estudar russo tornou-se um problema pessoal, no espaço pós-soviético. O número de escolas russas continua a declinar, na medida em que a população falante de russo sai. A antiga URSS parece esquecer que a língua é parte importante do código cultural de uma nação.

Ivan Shmelev
Pravda.ru 

 Tradução:  Murilo Otávio Rodrigues Paes Leme
morpleme@gmail.com


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