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Plano Rússia-China para RPDC: estabilidade, conectividade

15.09.2017
 
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Moscou trabalhou incansavelmente construindo acordos que expandam a para o oriente a conectividade eurasiana. A questão é como convencer a RPDC a jogar o jogo.

O resultado de 15x0 no Conselho de Segurança da ONU para impor novo conjunto de sanções à Coreia do Norte de algum modo obscurece o papel crítico desempenhado pela parceria estratégica Rússia-China, a "RC", no núcleo duro do grupo BRICS.

As novas sanções são duríssimas. Incluem redução de 30% nas exportações de petróleo cru e refinado para a RPDC; ficam proibidas as exportações de gás natural; exportações de tecidos produzidos na Coreia do Norte (que valeram ao país US$760 milhões, em média, ao longo dos últimos três anos); e todo o planeta fica proibido de conceder vistos para trabalhar a cidadãos da RPDC (atualmente, há mais de 90 mil deles trabalhando no exterior).

Mas está longe do que desejava o presidente Trump dos EUA, segundo um rascunho de resolução do Conselho de Segurança vazado semana passada. Lá se incluía congelamento de todos os bens e proibição de deixar o país para Kim Jong-un e outros oficiais da RPDC listados, e "itens relacionados a Armas de Destruição em Massa", à moda das sanções aplicadas ao Iraque. A resolução autorizaria estados membros da ONU a interditar, abordar e inspecionar navios norte-coreanos em águas internacionais (o que equivale a uma declaração de guerra); e por fim, mas não menos importante, total embargo ao petróleo.

"RC" deixaram claro que vetariam qualquer resolução vazada nesses termos. O ministro Sergey Lavrov, de Relações Exteriores da Rússia, disse ao evanescente secretário de Estado dos EUA Rex Tillerson que Moscou não aceitaria na Resolução nada menos que linguagem relacionada a "ferramentas políticas e diplomáticas para buscar vias pacíficas para resolver conflitos." Quanto ao embargo do petróleo, o presidente Vladimir Putin disse que "cortar o suprimento de petróleo para a Coreia do Norte pode causar danos a pessoas hospitalizadas e outros cidadãos comuns."

As prioridades da parceria estratégica "RC" são claras: "estabilidade" em Pyongyang; nada de 'mudança de regime'; nada de alteração drástica no tabuleiro de xadrez geopolítico; nada de crise monstro de refugiados.

Nada disso impede que Pequim pressione Pyongyang. Sucursais do Banco da China, China Construction Bank e do Agricultural Bank of China na cidade de Yanji na fronteira nordeste proibiu cidadãos da RPDC de abrirem novas contas. As contas existentes ainda não foram congeladas, mas depósitos e remessas de dinheiro foram suspensos.

Para ir logo ao coração da matéria, porém, é preciso examinar o que aconteceu semana passada no Fórum Econômico Oriental em Vladivostok - cidade localizada a meros pouco mais de 300 km da área de testes de mísseis da RPDC, em Punggye-ri.

Tudo tem a ver com a Ferrovia Trans-Coreana 

Em marcado contraste com a retórica belicosa do governo Trump e do Departamento de Estado, o que "RC" propõe são essencialmente conversações de 5+1 (Coreia do Norte, China, Rússia, Japão e Coreia do Sul, plus EUA) em território neutro, como diplomatas russos já confirmaram. Em Vladivostok, Putin fez esforço gigante para dispersar a histeria militar e alertar para a evidência de que qualquer passo além de sanções seria "convite para o túmulo". Em vez disso, propôs acordos/negociações comerciais.

Praticamente sem qualquer notícia na mídia-empresa ocidental, o que aconteceu em Vladivostok é realmente e radicalmente novo. Moscou e Seul concordaram quanto a uma plataforma comercial trilateral, que envolveria crucialmente Pyongyang, para investir em conectividade entre toda a península coreana e o Extremo Oriente da Rússia.

O primeiro-ministro Moon Jae-in da Coreia do Sul propôs a Moscou construir nada menos que "nove pontes" de cooperação: "Nove pontes significam as pontes de gás, ferrovias, a Rota do Mar do Norte, estaleiros (construção de navios).criação de grupos de trabalho, agricultura e outros tipos de cooperação."

Crucialmente decisivo, Moon acrescentou que a cooperação trilateral visará a projetos conjuntos no Extremo Oriente da Rússia. Ele sabe que "o desenvolvimento daquela área promoverá a prosperidade de nossos dois países e também ajudará a mudar a Coreia do Norte, e a criar a base para a implementação dos acordos trilaterais."

Contribuindo também para a entente, os ministros de Relações Exteriores do Japão Taro Kono e da Coreia do Sul Kang Kyung-wha, ambos, destacaram a "cooperação estratégica" com "RC".

A geoeconomia complementa a geopolítica. Moscou também se aproximou de Tóquio com a ideia de construir uma ponte entre as nações. Com isso, o Japão ficaria fisicamente ligado à Eurásia - e ao vasto carrossel de comércio e investimento oferecido pelas Novas Rotas da Seda, também conhecidas como Iniciativa Cinturão e Estrada e pela União Econômica Eurasiana (UEE). E complementaria o acalentado plano de conectar a Ferrovia Trans-Coreana à Trans-Siberiana

Seul quer uma rede ferroviária que a conecte fisicamente à vasta ponte de terra eurasiana, o que faz perfeito sentido comercial para a 5ª maior economia exportadora mundial. Prejudicada pelo isolamento da Coreia do Norte, a Coreia do Sul está efetivamente sem contato, por terra, com a Eurásia. A resposta aí é a Ferrovia Trans-Coreana.

Moscou é fortemente favorável a esse plano, e Putin já observou que "podemos entregar gás pelo gasoduto russo à Coreia e integrar as linhas de transmissão de energia e ferrovias da Rússia, da Coreia do Sul e da Coreia do Norte. A implementação dessas iniciativas não será apenas economicamente benéfica, mas também ajudará a construir confiança e estabilidade na Península Coreana."

A estratégia de Moscou, como a de Pequim, é conectividade:

 


* Desde o golpe, o Brasil deixou de poder ser legitimamente descrito como parceiro comercial confiável de quem quer que seja e voltou à condição degradada de estado-vassalo dos EUA. Por isso, doravante, esse Coletivo de Tradutores não mais escreverá "BRICS", que já não existem; escreveremos "RICS", que é a forma correta, até que o Brasil volte à ordem nas nações democráticas civilizadas. [NTs]

13/9/2017, Pepe Escobar, Asia Times

 


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