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Federação Russa

Mídia de massa no Brasil e a importância da narrativa

15.08.2016
 
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Mídia de massa no Brasil e a importância da narrativa - o caso da 'revista veja' e "sua visão" sobre a rússia

Fred Leite Siqueira Campos; Beatriz de Azevedo Siqueira Campos; Sérgio Roberto Gouvêa Lopes; Gustavo Henrique Barreto de Sousa

1- INTRODUÇÃO

A história da mídia no Brasil tem início com a vinda da Família Real Portuguesa, em 1808, quando das invasões napoleônicas na Península Ibérica (MIRANDA, 2007). No entanto, é possível dizer que a mídia atingiu (pela primeira vez) um expressivo número de espectadores com as transmissões de rádio, no final dos anos de 1920 e por toda a década de 1930 e 1940 (MIRANDA, 2007).

Apesar da importância relativa à evolução da mídia brasileira, será estudado, neste artigo, apenas,o período que vai da Segunda Guerra Mundial, passando pela Guerra Fria,até se chegar à atualidade (ano de 2015), dispensando especial atenção à forma e o conteúdo da narrativa da imprensa brasileira relativa à União Soviética, em um primeiro momento, e à Federação Russa, nos anos posteriores a 1991. Para tal, esse artigo se propõe a analisar a gênese e a forma de narrar(e as implicações políticas na articulação do discurso internacional) de um dos mais populares veículos de mídia escrita no Brasil, a 'Revista Veja'.

Metodologicamente, serão discutidas (na sequência deste artigo) as edições da 'Revista Veja' cuja a capa tenha a Rússia como manchete principal (ou motivo de capa). Ainda, durante toda a construção argumentativa, a noção da importância da narrativa será "peça-central" dos argumentos apresentados.

2- A IMPORTÂNCIA DA NARRATIVA NAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Uma das mais proeminentes escolas teóricas no estudo das Relações Internacionais hodiernamente é a escola do Construtivismo. Apesar de possuir subdivisões internas quanto ao foco ou objetivo de seus estudos, pode-se dizer que, de modo geral, os teóricos do construtivismo acreditam que:

 "Fundamental to constructivism is the proposition that human beings are social beings, and we would not be human but for our social relations. In other words, social relations make or construct people--ourselves--into the kind of beings that we are. [...]Constructivism holds that people make society, and society makes people. This is a continuous, two-way process" (ONUF, 1998, p.1.).

Ainda, dentro dessa perspectiva, o processo de construção da realidade depende das chamadas "regras sociais", sendo que tais regras dizem aquilo que sedeve fazer quando confrontados por situações já conhecidas previamente. A não observância da atitude proposta pela regra trará consequências provenientes de outra regra social, validada no entendimento de que outras pessoas possuem que a mesma deve ser seguida (ONUF, 1998).  Sendo assim, são agentes sociais aqueles indivíduos que participam na observância ou não observância das regras e, deste modo, agem para que se molde a visão da realidade. Então, o "construtivismo é uma teoria social sobre o papel do conhecimento e dos agentes de conhecimento na constituição da realidade social" (ADLER, 2013).

Após as breves aclarações acerca das bases teóricas do Construtivismo, parece não restar dúvidas sobre o proeminente papel dos meios massivos de mídia na construção daquilo que é percebido pelas massas da população como a "dada realidade social". O estudo das Relações Internacionais e Econômicas, concomitante com o estudo da Comunicação não é novo, mas tem crescido em importância nos últimos anos, principalmente devido ao panorama mundial no pós Guerra Fria e ao advento da "nova"globalização.

 

            Como meio de facilitação à obtenção de seus objetivos e metas, os diversos estados do sistema internacional, mas principalmente os mais poderosos, usam da narrativa como instrumento. Ela é conhecida, nesses casos, como Narrativa Estratégica e pode ser definida como "a means for political actors to construct a shared meaning of international politics to shape the behavior of domestic and international actors" (MISKIMMON; O'LOUGHLIN; ROSELLE, 2012, p.1). É importante salientar que os difusores da narrativa não são apenas órgãos governamentais ou agentes ligados, diretamente, ao Estado, mas também membros de diversas elites da sociedade, como intelectuais, especialistas, analistas políticos e os mais importantes dentro da análise, jornalistas e interlocutores midiáticos em geral (MISKIMMON; O'LOUGHLIN; ROSELLE, 2012).

 

            Finalmente, é necessário salientar a importância da construção narrativa nas relações internacionais para a organização do sistema internacional e seu funcionamento. Dado o fato de que as grandes potências são aquelas que mais trabalham, estrategicamente, na formulação de uma narrativa global, é correto concluir que a percepção massiva da realidade da política internacional é fator de importância no balanço de poderes, sendo que a narrativa da potência hegemônica é aquela que prevalece. Nos tempos atuais, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, mas, sobretudo desde o fim da Guerra Fria, é a narrativa dos Estados Unidos da América aquela que possui maior vigência e aceitação (ONUF, 1998) - destacadamente no caso da realidade brasileira.

3- A MÍDIA DE MASSAS NO BRASIL - O CASO DA 'REVISTA VEJA'

A Revista Veja tem sua primeira tiragem lançada em 11 de setembro de 1968, apesar de ser precedida por vários outros títulos da Editora Abril, desde 1950. Seu projeto foi encabeçado por Raymond Cohen e trouxe para o Brasil, pela primeira vez, o modelo americano de revista baseado na "Life".  A recepção da revista foi negativa junto aos críticos jornalísticos e aos consumidores em geral, sendo criticada como uma Time provinciana e desprovida de todas as suas qualidades (VILALLTA, 2002).

Antes de prosseguir no histórico da Revista Veja, é interessante salientar um episódio particular que envolve a Editora Abril e seus idealizadores. Durante a década de 1940, o governo dos Estados Unidos lançou um novo projeto alcunhado de "Política da Boa Vizinhança" para agir de modo a influenciar os países da América Latina a se afastarem das nações e ideias nazifascistas da Europa (MARTINS JUNIOR, 2015). Dentre as diversas estratégias desta política, está à chamada "diplomacia cultural", na qual o governo dos Estados Unidos tentava demonstrar aos seus cidadãos o desenvolvimento brasileiro e a semelhança entre as duas nações, enquanto que, por outro lado, buscava criar laços com o povo brasileiro. É nesse panorama que o governo americano financia Walt Disney para que ele criasse personagens que representassem as culturas dos países ao sul da América. No caso brasileiro, o personagem criado foi o famoso periquito "Zé Carioca" (MARTINS JUNIOR, 2015). A família Civita, proprietária da Editora Abril e dona da Revista Veja, inicia seus trabalhos no Brasil em 1950, ao adquirir os direitos de publicação das histórias do Pato Donald, um dos principais personagens da Disney. Também, é interessante salientar que a família Civita já trabalhava com a publicação de histórias em quadrinho da Disney na Itália, antes de se mudar para a América Latina, fugindo das leis antissemitas promulgadas pelo fascismo. O Zé Carioca, apesar de presente no Brasil desde meados dos anos 1940, apareceu, pela primeira vez, em uma história criada no próprio país em uma das edições do Pato Donald, em 1955 (SABADIN, 2013).

 

            Retorna-se agora ao histórico da revista, deste modo, acrescenta-se que O cenário de lançamento da Veja, em 1968, não é menos conturbado do que a fundação da Editora Abril, poucos anos após a Segunda Guerra Mundial. Haviam se passado apenas quatro anos do Golpe Militar perpetrado contra o governo do presidente João Goulart com a justificativa de evitar uma "iminente revolução comunista no Brasil". No contexto internacional da Guerra Fria e no contexto brasileiro de anos pós-golpe militar, a primeira capa da Revista Veja surge com o título "O Grande Duelo no Mundo Comunista" - conforme ilustrada na figura 1:

FIGURA 1

CAPA DA PRIMEIRA EDIÇÃO DA REVISTA VEJA

 

 

Fonte: Editara Abril, 2015.

 

            Destaca-se que a reportagem de capa foi intitulada "Rebelião na galáxia vermelha", versando sobrea invasão da Tchecoslováquia pelo Pacto de Varsóvia. Anos após a primeira publicação da revista, o fundador da Editora Abril, Victor Civita, concedeu entrevista na qual dizia que "não gostou [da capa da primeira edição da Revista Veja], porque poderia parecer que estávamos fazendo propaganda dos comunistas" (VILALLTA, 2002, p.5.).

 

            As palavras do Sr. Civita não são por acaso. A Revista Veja, enquanto projeto cultural, surgiu com o intuito de caminhar, paralelamente, com a modernização do Brasil e a instauração definitiva do capitalismo (VILALLTA, 2002). Além disso, a Revista Veja inaugurou no Brasil o jornalismo investigativo, no qual além do relato da notícia, busca-se, também, a ligação entre os fatos e suas causas. Devido a esses pontos, a revista logrou expressiva aceitação dentro da população brasileira, principalmente entre a classe média, que a considera desde então o "arauto da intelectualidade brasileira" (VILALLTA, 2002).

 

            A linha jornalística da Revista Veja esteve, durante toda a Guerra Fria,coerentemente alinhada com a narrativa oficial vinda dos Estados Unidos, não apenas sobre os acontecimentos que envolviam o Bloco Socialista, mas como também em questões internacionais e regionais, como é o caso da edição de 31 de março de 1976, no qual a Revista Veja apresentouo golpe militar na Argentina de maneira no mínimo "receptiva". Outros exemplos claros da adoção da "narrativa oficial dos Estados Unidos" por parte da Revista Veja, são as edições de 1979 que tratam da Revolução Iraniana e acontecimentos subsequentes. Mais marcantes são os eventos de 1989, sendo as eleições na União Soviética anunciadas pela capa da publicação de 5 de abril como: "O terremoto da reforma sacode o comunismo - o vento da liberdade que varre a Europa do Leste". E a matéria da publicação de 22 e novembro que leva como subtítulo "Liquidado o muro, os alemães-orientais agora constroem, com reformas na cúpula e protesto nas ruas, um futuro de liberdade". Atenta-se para o fato de que o próprio vocabulário usado no jornalismo da Revista Veja é aquele usado no mainstreameconômico ocidental e a palavra "liberdade", empregada nos títulos mencionados, serve como exemplo.

 

            Mesmo com o fim da Guerra Fria, a forma da narrativa não mudou seu aspecto central (com o viés já destacado de "alinhamento" ao discurso dos Estados Unidos). No ano de 1991 ainda, a situação na União Soviética é capa de três edições da Revista Veja: a primeira em 17 de julho, sob o título de "A segunda revolução russa" (ver capa na Figura 2); a segunda no dia 28 de agosto, nomeada "Revolução - o povo caça os comunistas"; e a terceira no dia 18 de dezembro, intitulada "O fim do império - a URSS se desmancha e Gorbachev cai no vazio da história".

 

          A primeira edição daquele ano, a de julho, tratou, sobretudo, do conflito econômico e político dentro da União Soviética. A redação faz questão de ressaltar o embate entre Mikhail Gorbachev, presidente da URSS, e Boris Yeltsin, presidente da Rússia. Para tal, a revista faz uma descrição parcial das duas figuras. Yeltsin é descrito como "grande demagogo", e ainda, "um boêmio, vagou pela Rússia no teto de um trem, perdeu a roupa jogando cartas com soldados" (p.34) e "Boris é uma daquelas pessoas que vagam entre a condição de ignorante e a de autodidata intuitivo. Sabe algumas coisas, mas, comporta-se como se não soubesse nada" (p.35). Gorbachev não recebe tratamento mais suave, em sua ascensão política é taxado de "protegido do cacique local" e como falando um "russo de caipira" (p.34). Como secretário-geral é descrito como um bom-vivant que "foi para um palacete nas Colinas de Lênin, o Morumbi moscovita [...]" com "dois salões, sete quartos, biblioteca, jardim-de-inverno, bilhar, cinema, cozinha e frigorífico." (p.34). Há, ainda, nota de um entrevistado que o cunha de "o pior desde Stálin". A Revista Vejasegue com outras duas reportagens intituladas "Agonia do império - derrotado pelos povos que subjugou, o gigante soviético perde a cada dia um pouco do que os czares e Stálin conquistaram" e "Um partido destroçado - o PC se desmoralizou, ninguém quer mais saber de socialismo e teme-se que as reformas afundem num retrocesso político".

 

            A segunda capa da Revista Veja relacionada à União Soviética daquele ano, a de 28 de agosto, tem como foco a tentativa de um golpe militar contra Gorbachev, por parte de setores do Partido Comunista, que não logrou êxito e teve o contragolpe encabeçado por Boris Yeltsin. A redação da Revista Veja comparou os acontecimentos daquele momento com a Revolução Bolchevique de 1917. O apoio popular a Yeltsin foi descrito como "o sopro libertário, o ideal de se forjar uma vida melhor, fraterna, sem opressão"(p.19).

 

FIGURA 2

CAPA DA EDIÇÃO "A SEGUNDA REVOLUÇÃO RUSSA"

 

 Fonte: Editara Abril, 2015.

 

            A matéria a que a figura 3 se refere destaca que, "conseguir realizar esse sonho, que só é possível dentro de um quadro de democracia e tolerância, é o desafio maior da revolução que explodiu o comunismo na União Soviética" (p.19). Uma confluência de palavras recorrentes no ideário de "obscurantismo" da União Soviética e "liberdade" no Ocidente. O homem que substituiria Gorbachev no poder, o então vice-presidente da URSS, Guenadi Ianaiev é descrito pelos redatores como tendo sido "eleito em votação fraudada [...] e fazia parte daquele tipo de burocrata desocupado que recebe os convidados com os jornais abertos sobre a mesa de trabalho" (p.27).Coincidentemente, faz-se a mesma referência à Boris Yeltsin, quando na edição de julho da Revista Veja era descrito como "demagogo" e "ébrio habitual", é agora homenageado numa reportagem intitulada "O salvador da pátria - ao liderar a resistência, o presidente russo realiza sua fantasia, mostra fibra de estadista e entra para a galeria de heróis do século" (p.38). Não apenas isso, como ainda é aclamado "gigante" junto a Charles de Gaulle e Winston Churchill. Por ter liderado a resistência contra os golpistas, alcunhados de "viúvas do stalinismo", Boris Yeltsin demonstrara "prova de coragem, carisma e coerência", além de ter "a bravura de um leão [que] comandou a resistência até a humilhante derrota das forças das trevas" (p.39). Esta reportagem ainda segue com um longo mea culpa sobre a imprensa ocidental ter sempre considerado Yeltsin como um "populista, pau-d'água e falastrão", quando na verdade ele era um "paladino da democracia" (p.41). A súbita mudança no discurso certamente não foi por acaso,conforme pode-se observar na chamada da edição sobre Yeltsin, ilustrada na figura 3.

 

FIGURA 3

CAPA DA EDIÇÃO SOBRE YELTSIN

 

Fonte: Editara Abril, 2015.

 

            A última edição da Revista Veja, em 1991, que falava sobre a então extinta União Soviética, datada de 18 de dezembro, foi de todas até agora analisadas, a com o discurso mais imparcial e descritivo. No entanto, é interessante notar certos detalhes importantes para o desfecho deste artigo. Na matéria intitulada "O fim do império - a União Soviética é declarada cancelada da História pelas repúblicas que a constituíam e Gorbachev fica 'sem chão' aos seus pés" (ver capa na figura 4), a redação tratou de salientar o processo político pelo qual se desintegrou oficialmente a URSS, uma ação conjunta dos presidentes da Rússia, Ucrânia e Bielorrússia e, também, das entidades políticas que seguiriam no espaço pós-soviético. Chama atenção uma afirmação que nos dias atuais é veementemente negada por praticamente a totalidade da mídia Ocidental: "[...] Ucrânia e Bielo-Rússia [...] com a Rússia formam o trio de ferro eslavo" e, ainda, "[...] a Rússia nasceu na ucraniana Kiev, primeira capital de uma nação que, reunindo sem distinção os futuros russos, ucranianos e bielo-russos, ali despontou para a História por volta do ano 900. A etnia é a mesma e as diferenças entre os idiomas russo, ucraniano e bielo-russo talvez não sejam maiores do que as existentes entre o português do Brasil e o de Portugal. A Ucrânia era chamada, até o século passado de "Pequena Rússia" e a Bielo-Rússia de "Rússia Branca". Ou seja, era tudo a Rússia e não é à toa que o czar era chamado de czar "de todas as Rússias". As razões históricas que separam as repúblicas eslavas talvez sejam menores do que as que, na Grã-Bretanha, separam ingleses de escoceses e galeses" (p.35). A reportagem que segue é chamada "Lá é muito pior - com o país em frangalhos, os órfãos da extinta União Soviética enfrentam um inverno em que falta tudo, de comida a esperança". Nela, são descritas as tragédias econômicas nos territórios que compunham a URSS, também alguns relatos individuais ou de famílias entrevistadas. Aquela situação é constantemente comparada com a do Brasil na mesma época, salientando que no espaço pós-soviético as condições eram mais severas e que alguns dos entrevistados consideravam emigrar para o Brasil.

 

FIGURA 4

CAPA DA EDIÇÃO SOBRE O FIM DA UNIÃO SOVIÉTICA

 Fonte: Editara Abril, 2015.

 

            A próxima capa da Revista Veja que tratou, mesmo que indiretamente, da Rússia, surgiu, apenas, em 7 de maio de 1997. A reportagem principal leva como título "O cérebro contra o computador - o duelo do campeão mundial de xadrez, Kasparov, com o Deep Blue". Apesar de aludir apenas indiretamente à Rússia, chama a atenção um breve artigo intitulado "Louco por decreto - dissidentes internados em hospícios na antiga URSS ainda são vistos como doentes mentais", que discorre acerca de alguns casos de perseguidos políticos que foram considerados insanos na União Soviética e que ainda lutavam pela normalização e seu status. Após apresentar alguns casos, a reportagem afirma que "o Instituto Serbsky, o alto comando da psiquiatria soviética na época e até hoje (na Rússia) a última palavra na avaliação da saúde mental de pessoas acusadas de crimes", possuía métodos próprios, alheios àqueles praticados no Ocidente e que, ainda, a diretora do Instituto e Ministra da Saúde da Rússia, Tatiana Dmitrieva "tem a chave do arquivo de todos os hospícios russos - e não cogita de abrir as gavetas." (p.53). O último parágrafo do artigo relata que "não se trata, apenas, de um vergonhoso pedaço de passado. Há denúncias de que a psiquiatria a serviço da repressão continua ativa na Rússia", mas que, no entanto "a prática deixou de ser política e se tornou religiosa. A igreja ortodoxa processa seitas religiosas com o argumento de que causam danos psicológicos à nação russa" (p.53). Como se não fosse suficiente à apresentação de um cenário soviético-repressivo-inquisitivo, afirma-se, ainda, que os psiquiatras entravam no esquema para ganhar dinheiro e que até a máfia se envolvia na declaração de insanidade de pessoas ricas para que, durante o tratamento, embolsassem os bens das mesmas. Quanto à reportagem principal, que tratava do embate enxadrista entre Gary Kasparov e o computador Deep Blue(ver capa na figura 5), a única alusão à Rússia, é uma citação, ainda no primeiro parágrafo, do próprio Kasparov: "Se não sou russo, e sim meio judeu e meio armênio, por que vocês querem plantar uma bandeira da Rússia do meu lado? E por que uma bandeira americana do lado do computador? Está tudo errado. Minha bandeira deve ser da humanidade" (p.114).

 

            Em 2 de setembro de 1998, a Rússia volta a ser capa da Revista Veja com a manchete "O Mundo em Pânico" (ver capa na figura 6).Dessa vez, o país governado por Yeltsin é relatado como a causa de uma possível crise do capitalismo e recessão global. A reportagem intitulada "O terror que vem da Rússia - Moscou detona uma nova crise mundial com calote de 32 bilhões de dólares", trata da moratória declarada pelo governo russo que impedia as empresas privadas de pagarem seus compromissos por 90 dias e suas consequências ao redor do mundo.

 

            A primeira frase do artigo tem, claramente, viés: "O que Stalin, Kruschev e Leonid Brejnev não conseguiram em setenta anos de comunismo, o presidente russo Boris Ieltsin conseguiu em apenas seis: fez tremer o capitalismo" (p.120). O artigo segue, descrevendo o novo premiê russo, Viktor Chernomirdin como "ardente defensor do centralismo econômico, um ex-burocrata", além de ressaltar que "Ele já ganhou até apelido. É o Chernobyl financeiro" (p.121).

 

FIGURA 5

CAPA DA EDIÇÃO SOBRE GARY KASPAROV

Fonte: Editara Abril, 2015.

 

            Um cenário alarmante para a situação russa é desenhada posteriormente. Um entrevistado afirma ser a Rússia "um país em desconstrução", que "muito em breve [...] vai precisar de ajuda não do FMI, mas das agências humanitárias que hoje atendem a África" (p.122). A aparente catástrofe russa é alardeada, sublinhando-se que "A História tem ensinado que, no caso da Rússia, as piores previsões não só se concretizam, mas, superam-se e ultrapassam os limites do que a mente mais sombria poderia antecipar" (p.122). As previsões apocalípticas da redação de que haveria uma hipótese de "recessão mundial" acabaram por não se realizar.

 

 

 

FIGURA 6

CAPA DA EDIÇÃO SOBRE A RÚSSIA E A CRISE FINANCEIRA GLOBAL

 

 Fonte: Editara Abril, 2015.

 

            Em 1999, a Rússia não fez capa da Revista Veja, mas, uma "interessante" reportagem está presente na edição de 18 de agosto, chamada "Espião no Kremlin - com outra guerra explodindo nos grotões, Ieltsin troca o primeiro-ministro por um ex-chefe da KGB", que relata a nomeação do "obscuro espião" Vladimir Putin. Segundo a revista, "a situação política da Rússia desta vez se reveste de tons bem mais sinistros" (p.50), já que Putin "parece saído de filmes de espionagem dos tempos da Guerra Fria, reticente e inexpressivo como um robô" (p.50). Segundo a revista, "A Rússia custa a perder velhos hábitos dos tempos do comunismo. Uma dessas tradições são os sofisticados serviços de espionagem [...]" e, por isso, "Putin é o homem ideal para monitorar o comportamento desses políticos [que Yeltsin buscava punir], até mesmo fazendo uso das informações secretas e potencialmente comprometedoras, que acumulou em sua carreira de espião." (p.52).

 

            Logo no início do ano 2000, na edição de 12 de janeiro, a Revista Veja faz mais uma reportagem sobre Putin, apesar de, novamente, não ser a reportagem de capa. Dessa vez o artigo se intitula "Na mão do desconhecido - com uma guerra no quintal e a economia aos pedaços, a Rússia arrisca a sorte com um presidente sem passado", que trata, brevemente, sobre a renúncia de Boris Yeltsin e a subida ao poder de Putin. Na reportagem, o novo presidente é mais uma vez descrito como espião, mas como alguém que faz "juras de amor à democracia e às reformas econômicas" (p.51), além de ser um "implacável exterminador de terroristas chechenos" (p.51). Também, é ressaltado seu "vigor físico" e "fama de durão". No entanto, um entrevistado afirma ser o novo presidente "um produto da mídia" e alguém que "num dia não era ninguém, no outro era o salvador da pátria" (p.51). Essa breve reportagem se encaminha ao fim com a afirmação de que "a Rússia está cada dia mais parecida com um país do Terceiro Mundo" (p.52) e fazendo-se a pergunta se Putin seria o homem certo para consertar a situação.

 

            No dia 23 de agosto de 2000, a capa da Revista Vejaé a tragédia do submarino Kursk: "Drama no fundo do mar" é o título (ver capa na figura 7). A matéria especial, por sua vez, sai com um nome bem menos "amigável": "Horror no fundo do mar e estupidez fora dele". Inicia-se com a narrativa do naufrágio do submarino, a localização, o número de vítimas, mas, a sombra a União Soviética logo retorna à narrativa da revista: "os velhos hábitos demoram a morrer e Moscou agiu de acordo com códigos do tempo do comunismo, cuja regra de ouro era manter absoluto segredo sobre fiascos militares e tecnológicos, não importando o número de mortos" (p.111). Após breves comentários sobre a negativa do governo russo em receber ajuda estrangeira num primeiro momento, a revista comenta a história do Kursk, encomendado numa época em que "os moscovitas precisavam esperar na fila pelo privilégio de comprar pão" (p.112). Em seguida, a reportagem frisa uma suposta indiferença do presidente Vladimir Putin em face dos acontecimentos. Segundo ela, "Putin continuava em férias num balneário no Mar Negro", além de que "dedicava-se a amenidades e até escreveu uma carta a um astro famoso" (p.113). Além disso, o presidente que havia prometido restaurar o orgulho militar russo "revelou-se um fiasco" (p.113). Após relatar as possíveis causas do acidente, tomando como a mais provável a explosão de torpedos, a reportagem é finalizada dizendo: "terão esses torpedos sido a primeira da série de decisões erradas que, no mar e na terra, transformaram a tragédia dos homens do Kursk num símbolo da estupidez militar e política da Rússia de hoje?" (p.114). A última reportagem sobre o assunto é intitulada "Os reis da sucata - empobrecida, a Rússia assiste à degradação da frota que já foi motivo de orgulho para o país". Ela fornece uma breve descrição dos cortes orçamentários para a marinha russa desde a época da União Soviética, a situação geral de desmandos e termina com uma colocação ácida típica da revista: "Mikhail Gorbachev, o reformador e posterior coveiro do comunismo, retomou o tema quando disse que a URSS era capaz de " "mandar naves ao espaço sideral e fabricar mísseis intercontinentais, mas não conseguia produzir televisores que funcionassem". Agora as TVs funcionam e todo o resto está apodrecendo" (p.120).

 

            Apesar de não ter feito capa, a Guerra entre Rússia e Geórgia, em 2008, apareceu na reportagem da Revista Vejade título "Uma guerra no fim da história", da edição de 20 de agosto daquele ano.

 

FIGURA 7

CAPA DA EDIÇÃO SOBRE O SUBMARINO RUSSO KURSK

 

Fonte: Editara Abril, 2015.

 

            Após uma breve narrativa sobre a história da Geórgia, a revista descreve o presidente da pequena nação ao sul da Rússia como um político que "quer transformar o país num exemplo de democracia e capitalismo moderno, numa região que nunca viu nada parecido" (p.68). E diz, ainda, que a guerra foi ocasionada pelo fato do presidente ter "perdido a paciência" e mandado seu "minúsculo exército" para atacar a capital da região separatista da Ossétia do Sul. Segundo a reportagem, ainda, "a reação da Rússia foi brutal" (p.68). Citando o presidente russo, Dimitri Medvedev e o primeiro-ministro, Vladimir Putin, a Revista Vejacoloca como justificativa russa "a obrigação moral de ajudar um povo amigo" (p.68), mas, não sem antes dizer que "quem realmente governava [a Rússia]" era o primeiro-ministro, Putin. A Revista Veja prossegue afirmando que dentre as mensagens que a Rússia quer enviar com esta guerra é que haverá "punição dos países [próximos à sua fronteira] que se aliarem ao Ocidente" (p.68). A Revista Vejaassegura que o presidente da Geórgia "telefonou para Putin para lembrá-lo de que o Ocidente garantia a integridade territorial da Geórgia" (p.68). Segunda a Revista Veja, Putin teria respondido ao georgiano "onde enfiar as garantias ocidentais" (p.68). As fontes de tal afirmação não são citadas e as probabilidades do primeiro-ministro russo ter feito isso são, no mínimo, dúbias. O artigo se encaminha para o fim com a asseveração de que a Rússia é indiferente "ao que pensa a comunidade internacional" (p.68) e que o chanceler russo, Sergei Lavrov teria dito que "os georgianos podem esquecer quaisquer negociações sobre a integridade territorial do país" (p.68). Finalmente, a reportagem taxa a ação russa como "oportunidade para expurgar o sentimento de humilhação existente em Moscou" e "revanche à atitude ocidental nos Balcãs" (p.68).

 

            Após 10 anos desde a última capa da Revista Veja relativa à Rússia, o maior país do mundo volta para o centro das atenções da revista mais lida no Brasil. Novamente, por causa de uma tragédia que ceifou a vida de centenas de pessoas, mas, dessa vez, de forma ainda menos imparcial do que a última capa de 2004. A edição de 23 de julho de 2014 tem como título: "A Culpa de Putin - 283 passageiros de um Boeing foram mortos nos céus da Ucrânia por um míssil russo na mais forte ameaça à paz mundial neste século" (ver capa na figura 8). Uma afirmação por si só absurda, já que até a presente data ainda não houve um veredicto acerca da tragédia do voo MH17 da Malaysia Airlines. No que, seguramente, é o discurso mais agressivo em relação à Rússia desde o fim da Guerra Fria, a matéria principal intitulada "Risco à Paz Mundial - o presidente russo Vladimir Putin empurra o mundo para o limiar de um conflito bélico ao financiar separatistas no leste da Ucrânia. Seus comandados abateram um avião com 298 a bordo" faz uma bizarra descrição do que teria ocorrido com o Boeing. A matéria é breve, mas já se inicia afirmando que "todos os indícios levantados, até agora, apontam para milicianos separatistas treinados e monitorados por tropas russas" (p.68) e que "eles têm domínio territorial sobre a área de onde, como comprovam fotos de satélites, decolou-se o míssil supersônico que atingiu, em cheio, o Boeing 777 [...]" (p.68). Chega a ser irresponsável veicular tais informações com tal veemência! Mais de um ano após a tragédia, o governo da Federação Russa nega, terminantemente, o seu envolvimento com os milicianos separatistas do leste da Ucrânia e as perícias feitas na fuselagem do avião abatido continuam não determinantes acerca do que derrubou o avião, havendo versões consistentes de que seria um avião militar. A reportagem prossegue assegurando que os separatistas conseguiram mísseis antiaéreos de fabricação russa e que "foram treinados para usá-los por monitores enviados por Moscou [...]" (p.68). A linha discursiva não se arrefece e a redação declara que "a derrubada do Boeing 777 na região fronteiriça entre a Ucrânia e a Rússia [...] é a mais grave ameaça à paz mundial nesse século" (p.69). Ainda, segundo a Revista Veja, Putin "usa o expansionismo como forma de propaganda política interna" (p.71), e faz a insinuação de que o povo russo apoia tal "expansionismo" ao afirmar que "enquanto o mundo assistia atônito ao aparecimento de uma prova atrás da outra de que os russos tinham envolvimento direto na operação que matou quase 300 passageiros inocentes, a taxa de aprovação de Putin batia seu recorde histórico, com 83%" (p.71). Esse infindável número de provas que a Revista Veja afirma ter aparecido parecem nunca ter vindo, realmente, à tona! Adiante, a redação tenta fazer uma conexão entre os países dos BRICS, um suposto "fracasso ético e moral" dos governantes desses países por não condenarem Putin pela derrubada do MH17, além de cunhar o presidente russo, Vladimir Putin e a presidente do Brasil, Dilma Rousseff de "camaradas antiamericanos". A conclusão, então, do artigo é salientar que o objetivo das supostas ações russas na Ucrânia e a "anexação" da Criméia seriam para "dificultar ao máximo que o país seguisse o caminho bem-sucedido de outros Estados europeus, que saíram da esfera soviética, abraçaram a democracia e o livre mercado e se distanciaram da autocracia e do estatismo russo" (p.72). Posteriormente, há outra reportagem com o título de "As Marionetes de Putin", em que a diretora de uma ONG americana, radicada em Moscou, concede uma entrevista na qual afirma que "Putin está usando esse americano [Edward Snowden] como uma ferramenta de publicidade" (p.74), além de destacar que "Putin está se aproveitando dos BRICS para se projetar como líder global" e, ainda, que ele "quer exportar a ideia de que a soberania nacional prevalece sobre a universalidade dos direitos humanos" (p.75).

 

            O primeiro artigo da Revista Veja sobre Putin, em 1999, afirmava que ele era um sujeito "sinistro" e que lembrava os vilões dos filmes da época da Guerra Fria, aparentemente esta posição não apenas se manteve, como se fortaleceu.

Os exemplos deste tipo de discurso abundam na mídia brasileira, escrita, televisiva e até digital e não é possível que todos sejam citados em um artigo breve. No entanto, a análise da narrativa da Revista Veja, durante todo seu período de existência, demonstra uma clara convergência com aquela em vigência no governo e na mídia massiva dos EUA e Europa ocidental.
 

FIGURA 8

CAPA DA EDIÇÃO SOBRE O ATAQUE AO AVIÃO DA MALAYSIA AIRLINES

Fonte: Editara Abril, 2015.

Outros estudos parecem chegar a conclusões semelhantes acerca das práticas jornalísticas no Brasil. Krupiniski (2011), diz que:

 "Vimos que a grande imprensa, no caso específico do Brasil, se constituiu enquanto empresaao mesmo tempo em que um órgão de imprensa, como o caso das Revistas Veja [...], busca o lucro para se manter operante no mercado. [Além disso,] também defende, por meio de sua ação partidária, interesses de frações de classes específicas. No caso das duas revistas aqui estudadas, defendem os interesses tanto da elite nacional, quanto do capital internacional [destacadamente americano]" (KRUPINISKI, 2011, p.63.).

Apesar disso, a análise discursiva da mídia de massas no Brasil é um campo ainda pouco explorado. Os trabalhos de grande proeminência nessa área parecem escassos, mesmo que haja um sentimento generalizado de consenso acerca do discurso enviesado empregado pelas agências jornalísticas e de telecomunicações.

 

4- CONCLUSÃO

 

            Ao se observar os fundamentos teóricos do Construtivismo nas Relações Internacionais, pode-se, decididamente, compreender a importância da narrativa na construção do que o ideário geral crê como realidade. O discurso não apenas surge, naturalmente, das interações humanas, como é usado como arma estratégica de Estados em sua busca por poder político e legitimação de suas ações e pontos de vista, mas também é revertido na narrativa de propaganda (enviesada). O analista político Adrian Salbuchi diz, em um artigo de 2012:

 

"Los medios de comunicación occidentales a menudo falsifican las noticias recurriendo a eufemismos, medias verdades y mentiras al mejor (¡o peor!) estilo de 1984, la conocida y profética novela del inglés George Orwell. Todos vivimos inmersos en el mundo irreal inventado por la "neo-lengua" utilizada por la Élite de Poder Global para controlar nuestras mentes. [...] Hoy en día, los medios de comunicación utilizan la distorsión y confusión programadas e incluso la mentira descarada, toda vez que los Poderes del Dinero - que son sus dueños - les requieren que solamente publiquen la "Historia Oficial" sobre grandes procesos políticos, económicos y financieros. Sin embargo, cuando se la observa en mayor detalle, esa "Historia Oficial" sobre las cosas se nos presenta como inexacta, engañosa, a veces difícil de creer, ¡sino francamente estúpida!" (SALBUCHI, 2012).

 

            Destaca-se que não foi o objetivo deste artigo afirmar que a Revista Veja trabalha em conluio com governos estrangeiros ou que falsifica informações, mas, demonstrar,por meio de sua narrativa recorrente que há nela uma evidente linha discursiva que converge com o que tipicamente se conhece como "narrativa ocidental". Pela proeminência da Revista Veja no cenário brasileiro, sendo a revista mais assinada no país, é então, de suma importância sublinhar que a visão da realidade nacional é, no caso brasileiro, de significativa influência internacional. Além disso, as classes médias e altas (no Brasil), que compõe a dita "classe esclarecida" e "influente", têm sua visão de mundo construída a partir da narrativa desta fonte e que o dito estrato da população interpreta a realidade a partir desta lente.

 

            Sendo assim, é possível afirmar que, dada a longa tradição da mídia de massas no Brasil em ecoar o discurso dos centros de poder anglo-ocidentais, não haverá mudanças na construção da realidade percebida pela população do Brasil, a menos que surja, igualmente, vertentes de mídia massiva que possuam um discurso alternativo, que, por hora, existem apenas em ambientes minoritários da Internet. São conhecidos os esforços do governo russo na tentativa de melhorar a imagem de seu país perante a opinião pública internacional. Para tal, usa-se de veículos informativos como o sitede notícias Sputnik, já existente em versão específica para o Brasil, além da rede TASS, na versão em inglês. O caso mais emblemático é da rede televisiva RT, que logrou grande êxito em sua versão de língua inglesa e, também, na versão em espanhol, especialmente após a abertura de um estúdio em Buenos Aires, capital da Argentina.

 

            Com os avanços das relações entre os países dos BRICS, passando pelos diversos acordos comerciais, até a instituição do Banco dos BRICS, parece se fazer necessária, também, uma cooperação no âmbito discursivo, sem o qual não se poderá desfrutar de verdadeira legitimidade para que se concretize,no longo prazo, o fortalecimento desses países.

 

REFERÊNCIAS:

 

ADLER, Emanuel. Constructivism in International Relations: Sources, Contributions, and Debates. In:

 

CARLSNAES, Walter; RISSE, Thomas; A SIMMONS, Beth. Handbook of International Relations. 2. ed. Londres: Sage Publications, 2013. p. 112-145.

 

EDITORA ABRIL. Acervo Digital VEJA. Disponível em:. Acesso em: 23 out. 2015.

 

KRUPINISKI, Ricardo. Época e Veja: Imperialismo em revistas ou revistas imperialistas? (2003 a 2006). 2011. 157 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de História, Centro de Ciências Humanas, Educação e Letras, Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Marechal Cândido Rondon, 2011.

 

MARTINS JUNIOR, Leandro Augusto. Brasil na Segunda Guerra Mundial. 2015. Disponível em:. Acesso em: 30 out. 2015.

 

MIRANDA, Gustavo Lima de. A história da evolução da mídia no Brasil e no mundo. 2007. 43 f. TCC (Graduação) - Curso de Comunicação Social, Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas, Uniceub, Brasília, 2007. Disponível em:. Acesso em: 30 out. 2015.

 

MISKIMMON, Alister; O'LOUGHLIN, Ben; ROSELLE, Laura. Forging the World: Forging the World: Strategic Narratives and International Relations. 2012. Disponível em:. Acesso em: 30 out. 2015.

 

ONUF, Nicholas. Constructivism: A User's Manual. In: KUBÁLKOVÁ, Vendulka; ONUF, Nicholas; KOWERT, Paul.International relations in a constructed world. Londres: Routledge, 1998. p. 10.

 

SABADIN, Celso. O nosso Zé Carioca, agora setentão. Jornal da Abi. Rio de Janeiro, p. 5-7. fev. 2013.

 

SALBUCHI, Adrian. Guía de George Orwell para entender las noticias en Occidente. 2012. Disponível em:. Acesso em: 23 out. 2015.

 

VILLALTA, Daniella. O surgimento da Revista Veja no contexto da modernização brasileira. 2002. Disponível em:. Acesso em: 30 out. 2015.

 


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