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Federação Russa

Rússia busca cooperar com uma América Latina unida, forte e independente

14.07.2014
 
Rússia busca cooperar com uma América Latina unida, forte e independente. 20573.jpeg

"Estamos interessados numa América Latina unida, forte, economicamente sustentável e politicamente independente, que se está convertendo em parte importante do mundo multipolar e emergente" - disse o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

10/6/2014, RT - http://actualidad.rt.com/actualidad/view/133620-rusia-putin-gira-latinoamerica-entrevista



O líder russo fez várias importantes declarações numa entrevista concedida às agências Prensa Latina e Itar-Tass, na véspera de partir em viagem por vários países latino-americanos. Abordou amplo leque de temas de interesse comum, da cooperação comercial até a importância da Copa do Mundo de Futebol, que está chegando ao final no Brasil e imediatamente será levada à Rússia, onde será realizada em 2018.

O respeito da América Latina à liberdade e a outras culturas

Segundo o presidente russo, na região latino-americana "há fortes tradições de respeito à liberdade, a outros povos e culturas, e praticamente não há disputas entre estados; tampouco se vê, entre os países latino-americanos o jogo de 'dividir para governar'. Em vez disso, os países latino-americanos mostram-se dispostos a trabalhar conjuntamente para defender a sua casa latino-americana comum". 

Putin garantiu que atualmente a cooperação  com os Estados da América Latina é uma das direções chaves e muito promissoras da política exterior da Rússia. "o multilateralismo nos assuntos mundiais, o respeito às leis internacionais, o fortalecimento do papel central da ONU e do desenvolvimento sustentável são os princípios que nos unem" - enfatizou. O presidente russo agradeceu aos latino-americanos o apoio às iniciativas internacionais promovidas pela Rússia, "incluídas a desmilitarização do espaço, o fortalecimento da segurança internacional em matéria de informação, a inadmissibilidade de glorificar-se o nazismo".

"É crucialmente importante para nós que, nas relações entre Rússia e América do Sul mantenha-se uma  continuidade que reflete os interesses fundamentais e nacionais, independentemente da formação política que lidere num ou noutro país, nesse momento" - afirmou.

É inconsistente a ideia de impor a outras nações modelos alheios de desenvolvimento

Em relação al atual ordem mundial, o presidente russo considera que "ele mundo do século 21 é  global e interdependente, pelo qual nenhum Estado o grupo de Estados pode resolver os principais problemas internacionais por sua conta. Mesmo assim, cada intento de estabelecer algum 'oásis de estabilidade e segurança' está condenado ao fracasso".  

Segundo Putin, os diversos desafios e ameaças dos tempos modernos exigem que todos nos oponhamos às tentativas para impor a outras nações os modelos de desenvolvimento alheios. Advertiu que "essa atitude já havia demostrado sua inconsistência. Não apenas não ajuda a resolver conflitos como, também, desestabiliza e gera o caos em assuntos internacionais".   

Referindo-se ao escândalo da espionagem massivo pelos EUA, opinou que "trata-se não só de pura hipocrisia nas relações entre aliados e parceiros, mas, também, é ataque direto à soberania dos estados, além de violação de direitos humanos e da privacidade." Assegurou que a Rússia está disposta a cooperar para elaborar um sistema de medidas para garantir a segurança da  informação internacional. 

  

La Celac e a União Aduaneira, dispostas a cooperar 

Em referência à integração russo-latino-americana, o presidente russo qualificou como promissor o início dos contatos entre a Celac e os países membros da União Aduaneira, o Espaço Econômico Comum.

"Estamos abertos a interatuar de maneira substancial também com outras associações de integração na região latino-americana, inclusive no marco da comunidade que está emergindo. Refiro-me à União de Nações Sul-americanas (Unasur), ao Mercado Común del Sur (Mercosur), à Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América (Alba), à Alianza del Pacífico (AP), ao Sistema de la Integración Centroamericana (SICA) e à Comunidade do Caribe (Caricom)" - disse.    

Especificou que Rússia está interessada em criar alianças plenas, tecnológicas, de projetos e produção com os países da região, aproveitar ao máximo as possibilidades das economias complementares, cooperação  em questões tão importantes como o petróleo e o gás, a hidroenergia e a energia atômica, a construção de aviões e de helicópteros, as infraestruturas e, nos últimos tempos, também os biofármacos e a tecnologia da informação.

"Aprecio muito o diálogo com a presidenta argentina"

A Argentina é  hoje o principal parceiro estratético da Rússia na América Latina, na ONU e no G-20. "Nossa visão das principais questões de política internacional é  parecida ou coincidente. Entendemos ambos que é preciso formar uma nova estrutura mundial, mais justa e multicêntrica, que se baseie no Direito Internacional e no papel central, de coordenação, da ONU" - disse Putin, que disse também que "aprecio muito o diálogo construtivo e confidencial com a presidenta Cristina Fernández de Kirchner".

"Na última década, o volume do comércio russo-argentino multiplicou-se por seis, e alcançou 1,8 bilhões de dólares, o que nos permite considerar a Argentina um dos principais sócios econômicos e comerciais da Rússia na região da América Latina" - continuou o presidente russo. Acrescentou que merecerá atenção especial a intensificação da cooperação  tecnológica e investimentos, especialmente nos setores de energia, energia atômica e maquinaria. Referiu-se também à cooperação na Antártida, que "nos parece promissora".

Sobre a possibilidade da integração da Argentina ao grupo BRICS, disse que a Rússia vê com interesse o desejo do governo argentino de unir-se ao grupo, mas lembrou que no momento, por questões práticas, não se pensa em aumentar o número dos países BRICS. "Antes de incluir novos membros, temos de otimizar os vários formatos de cooperação já estabelecidos no  grupo" - concluiu.

Em Cuba, Rússia está disposta "a recuperar as oportunidades perdidas"

As relações russo-cubanas baseiam-se numa longa tradição de amizade inquebrantável e na grande experiência de uma cooperação  frutífera que é  única em muitos aspectos. "Nos anos 90 do século 20, os ritmos de nossa cooperação  bilateral reduziram-se um pouco e os sócios estrangeiros de outros países nos superaram em várias áreas" - Putin confessou. Mas, o presidente russo garantiu, os dois países estão dispostos a recuperar as possibilidades perdidas.

"Hoje Cuba é  um dos principais sócios da Rússia na região. Nossa cooperação  é  de carácter estratégico e está orientada para o longo prazo. Temos uma  coordenação estreita no campo da política exterior e no marco das organizações multilaterais. Nossas posturas em relação a muitos temas globais e regionais coincidem", - disse o presidente Putin.

Especificou que atualmente se estudam grandes projetos no campo da indústria, altas tecnologias, energia, la aviação civil, uso pacífico do espaço cósmico, medicina e biofármacos. "Uma das áreas mais importantes de nosso trabalho conjunto é intensificar os intercâmbios culturais".

O presidente disse que, devido ao desenvolvimento em Cuba da Zona Econômica Especial de Mariel, várias empresas russas manifestaram interesse em novas cooperações, em especial empresas que fabricam produtos metálicos e plásticos, peças de reposição para automóveis, montagem de tratores e de maquinaria pesada para a indústria ferroviária. Referiu-se também ao projeto da companhia Zarubezhneft S.A. que, em agosto de 2013 começou a perfurar o primeiro poço de exploração no poço Boca de Jaruco.

O potencial da cooperação  com o Brasil não está completamente desenvolvido

O presidente confirmou que a Rússia apoia o Brasil como candidato digno e forte para um posto permanente  no Conselho de Segurança da ONU. Disse que tem certeza de que o Brasil, país potente e de rápido crescimento tem função importante na formação da nova estrutura mundial multicêntrica.

Segundo o presidente russo, apesar que há muito tempo Rússia e Brasil manterem ativo diálogo político, com cooperação  militar, técnica e cultural, o potencial da cooperação  econômica e comercial com o Brasil não está sendo completamente aproveitado. "Além disso, no atual contexto de insegurança da economia mundial, vê-se alguma redução do intercâmbio comercial bilateral (3,3% em 2013). Para corrigir essa situação necessitamos diversificar os vínculos comerciais: aumentar as trocas no campo dos artigos de alta tecnologia e maquinaria, desenvolver a cooperação  nas áreas de aviação e energia e na agricultura".

Nova sede do Mundial de Futebol: do Brasil à Rússia

O chefe de Estado russo disse que, atendendo a convite da presidenta do Brasil e do presidente da FIFA assistirá à final do campeonato, para participar na cerimônia de transferência do título de país anfitrião. "Em 2018, a Rússia acolherá pela primeira vez em sua história esse evento esportivo tão popular. Em fevereiro e março já realizados os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno em Sochi e sabemos muito bem como é difícil organizar um evento dessas dimensões."

Putin disse também que a Rússia acompanha a experiência brasileira na preparação para os Jogos Olímpicos em 2016. Revelou que a Rússia guarda algumas 'surpresas', para ultrapassar o país anfitrião de 2016: "Incluímos na lei federal um regime especial para vistos de entrada no país para estrangeiros que vão ajudar a preparar o campeonato de 2018. Nas vésperas das competições e durante a celebração, não só os participantes oficiais - atletas, árbitros, treinadores, etc. - mas também os torcedores poderão visitar a Rússia sem precisarem de visto de entrada".

Finalmente, o presidente destacou a participação latino-americana no Mundial. Disse que está acompanhando de perto sempre que o horário permitiu, e apreciou o "futebol brilhante, espetacular" que mostraram as seleções. *****  

 


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