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Federação Russa

Putin sobre os ataques dos EUA contra a Síria e armas químicas

14.04.2017
 
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Putin sobre os ataques dos EUA contra a Síria e armas químicas: 
"Melhorar, nunca melhora, minhas senhoras..." 
11/4/2017, Kremlin, Moscou (ao final da conferência de imprensa, depois de Putin reunir-se com o presidente da Itália, Sergio Mattarella. Trecho transcrito e vídeo em russo, legendado em fr. por Sayed Hassan, aqui traduzido)

 

(...)
Pergunta: 
[Putin e Mattarella já se retirando da bancada] Sr. Putin, por favor, se for possível... Tenho uma pergunta sobre a Síria [Putin e Mattarella voltam à bancada]. Qual sua avaliação do que está acontecendo na Síria? Há perigo de outro ataque militar dos EUA contra alvos sírios?

Presidente Vladimir Putin: Discutimos isso com o presidente Mattarella. Eu disse a ele que o que está acontecendo me faz lembrar os eventos de 2003, quando representantes dos EUA no Conselho de Segurança exibiram o que diziam que fossem armas químicas descobertas no Iraque. Depois daquilo, começou uma campanha militar no Iraque, que terminou com o país destruído e ameaça terrorista ainda muito maior do que antes, com a emergência do ISIS no cenário internacional - exatamente isso, nem mais, nem menos.

Exatamente a mesma coisa está acontecendo agora, e os parceiros deles só fazem acenar, aprovando. Penso nisso e me vêm à cabeça aquela fala famosa de dois grandes escritores russos, Ilf e Petrov,[1] "Melhorar, nunca melhora, minhas senhoras..." [risos] Já vimos acontecer antes, o que agora se repete.

O que está acontecendo? Todos querem restaurar relações na comunidade ocidental depois que - graças ao governo anterior, nos EUA - muitos países europeus adotaram posição anti-Trump durante a campanha eleitoral. Síria e Rússia, tomados como se fossem inimigos comuns de todos eles, foram usados como excelente plataforma para consolidar 'o bloco'. Estamos prontos a deixar de lado tudo isso pelo menos por algum tempo, na esperança de que uma atitude nova possa levar todos a movimento mais positivo, baseados na interação.

Para consumo do público interno nos EUA, há razões para tudo o que se viu. Dito em termos simples, a oposição ao presidente eleito ainda está ativa, e se nada acontecer, os erros de agora serão apresentados como culpa do presidente. Disso, não tenho dúvidas.

Se são possíveis novos ataques? Temos informação de várias fontes de que esse tipo de provocação (não encontro outra palavra para isso) estão sendo preparadas em outros pontos da Síria, inclusive em subúrbios ao sul de Damasco, onde planejam plantar certas substâncias, e acusar autoridades sírias de as estarem usando em guerra.

Seja como for, acreditamos que coisas desse tipo têm de ser detalhadamente investigadas. Planejamos nos dirigir à instituição da ONU encarregada disso, em Haia, e requerer que a comunidade internacional investigue até o fundo essas informações. Depois será possível tomar medidas equilibradas, a depender do que a investigação revele.*****

 

 


[1] Em 1935, já bem entrados na era do Comunismo Soviético, dois escritores satíricos russos, Ilya Ilf e Evgeny Petrov viajaram aos EUA como correspondentes especiais do jornal Pravda. Durante dois meses, os dois viajaram por todo o país, gravando suas impressões da vida dos norte-americanos, em texto e fotografias. Fotos e textos foram traduzidos ao inglês pela primeira vez em 2007 (WOLFF, Erika, Ed. Ilf and Petrov's American Road Trip, 158 pp. B&P, Princeton: Cabinet Books & Princeton Architectural Press, 2007) [NTs].

 


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