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Federação Russa

Decisão de Putin sobre referendo é difícil para prever

12.05.2014
 
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Último domingo na região ucraniana de Donbass que inclui províncias de Donetsk e Lugansk foi realizado o referendo pela independência que delineou um plano de atividades das repúblicas autoproclamadas. É a reeleição do parlamento, a nomeação do novo governo e o divórcio civilizado com Kiev. O Kremlin disse que "respeita" os resultados do plebiscito. Desde respeito até o reconhecimento há apenas um passo que vai depender das ações de Kiev.

O comparecimento às urnas na República Popular de Donetsk (RPD) foi de 75 por cento, na República Popular de Lugansk (RPL)- 81 por cento. O boletim tinha apenas uma pergunta: " Apoia o ato de independência da RepúblicaDonetsk / Lugansk ? " A favor da soberania na DNR votaram 90 por cento, contra — 10 por cento. Na RPL 98 e 5 por cento, respetivamente.

Qual é o futuro próximo dessas repúblicas ? " Literalmente daqui a 2-3 dias, legalizaremos a nossa República, como sujeito de direito, e iremos comunicar com a junta com uma proposta de divórcio civilizado. Depois partimos a uma viagem para a independencia " — disse ao Pravda. Ru Tatiana Dvoryadkina, a líder do movimento público " A República de Donetsk ". A Ativista assegura que a justificação económica sobre a separação com a Ucrânia já fica pronta e até o final da semana será anunciada. Também é previsto realizar as eleições para o Parlamento, que vai indicar o novo governo e legalizar a milícia, disse ao Pravda. Ru Miroslav Rudenko, um dos comandantes da Milícia Popular de Donbass, membro do governo da RPD e do Conselho de Administração da Câmara Municipal de Donetsk. "Declaramos a coleção da Novoróssia (região histórico que juntava esses e outros territórios russos no Império Russo), reunimos a nossa Pátria, mas em termos diferentes. Não é a Ucrânia que perdeu Donbass, o que perdeu é o projeto de nazismo na Ucrânia "- disse Rudenko .

Em grande parte o destino dos russos em Donbass dependerá do presidente russo, Vladimir Putin, que formulará em breve a sua atitude em relação ao referendo sobre o estatuto das regiões Donetsk e Lugansk, "de acordo com os seus resultados ", disse o porta-voz presidencial Dmitry Peskov. " Qual será a decisão do presidente da Rússia ,é difícil de prever ", — disse Peskov. Também chamou a atenção para o fato de Putin não ter pedido para adiar a data do referendo, mas apenas ter dado uma recomendação. " Entretanto, mesmo tendo em conta a autoridade do presidente da Federação Russa, era difícil de aceitar a sua proposta sendo os moradores a efetuarem combate, forçados a agir segundo o seu plano, com base na situação real ", — disse Peskov. Na segunda-feira, o Kremlin disse que "respeita" os resultados. O mesmo afirmou o ministro do Exterior russo Serguei Lavrov numa conferência de imprensa após a reunião com o ministro do Exterior da Uganda Sam Kutesa .

"Respeitamos os resultados do referendo e esperamos que o reconhecimento por Kiev realize de forma civilizada de diálogo, saudamos a mediação em qualquer formato, incluindo através das Nações Unidas " — disse Serguei Lavrov. Concluiu que a Rússia não planeja de se reunir em formato de 4 partes (Rússia, UE, EUA, Kiev)."Não é promissor negociar sem os opositores do regime de Kiev", ' disse. Essa tese, segundo Lavrov, ficou reconhecida pelo secretário de Estado dos EUA John Kerry, ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank — Valliere Steinmeier e Presidente actual da OSCE, vinistro das Relações Exteriores suíço Didier Burkhalter, frisou, adicionando que o roteiro elaborado pela OSCE não foi anunciado na Ucrânia, confirmando Kiev não estar pronto para falar com seu povo .

Em boa-fé de Kiev não acredita Donbass. " Como é que podemos ser irmãos e irmãs, se nos matem, dispiram contra nós e por quê!? Por desejarmos realizar um referendo ? Assim, fica claro que os laços com Kiev são perdidos para sempre. Vamos combater até o fim, vamos contra os tanques, as armas, vamos ficar até o fim "- disse Tatiana Dvoryadkina .

Surge a pergunta: qual é a diferença entre respeitar e reconhecer os resultados do referendo ? "Neste caso, de fato, a distância é muito curta " — disse ao Pravda. Ru, cientista político Vladimir Shapovalov, o diretor do Instituto de Política, Direito e Desenvolvimento Social da Universidade Humanitário Estatal Sholokhov. " Portanto, do ponto de vista de procedimentos formais, linguagem diplomática, é claro, o respeito não significa o reconhecimento dos resultados do referendo. A Rússia ainda não reconheceu a legitimidade dos resultados do referendo. Acho que depois dessa declaração de respeito a Federação Russa deve andar seguindo por qualquer outra medida, e está diretamente relacionada com a forma como a situação irá desenvolver na Ucrânia, Donetsk e Lugansk. Se as autoridades de Kiev continuarem a ignorar as propostas da Rússia e os resultados dos acordos de Genebra, em particular a escalada do conflito, é óbvio que a Rússia vai endurecer a sua posição e passar a partir do "respeito" para " o reconhecimento", mesmo sob a ameaça de ficar imposta de grandes sanções por parte do Ocidente ", — disse o especialista. Esta opção pressupõe se não for um único Estado, mas a integração muito próxima, até a emissão do rublo nesses territórios.

Esperemos a prometida declaração de Putin. No entanto, existem mais duas versões do desenvolvimento da situação. "A Rússia não vai reconhecer os resultados, uma vez que não reconheceu a independência da Transnístria (região pro-russa da Moldova) " — disse ao Pravda. Ru, o coordenador do referendo em Moscou, jornalista Alexey Khudyakov. " Será o apoio moral das pessoas físicas, do público, como estamos vendo no caso da coleção da assistência humanitária ". Decisão parcialmente correta, segundo Hudyakov, será a associação das regiões de Donetsk e Lugansk em qualquer união, por exemplo, Novoróssia Pequena, com a construção de mais um Estado próprio, seguindo o exemplo da Abkházia .

A terceira opção é apresentada por Vladislav Inozemtsev, doutor em Economia, diretor do Centro de Estudos da Sociedade Pós-industrial. Ele acredita que para Kiev "seria vantajoso reconhecer os resultados do referendo e declarar a soberania da Ucrânia sobre Criméia e regiões orientais do país perdida com todos os detalhes inerentes. Implicações deste ato, olhando à primeira vista insano, serão muito significativas ", — escreve o autor em seu artigo. É a remoção da população russofalante insatisfeita, deixando mais monolítica a sociedade ucraniana, o fim de subsídios a essas regiões e a redução 20 por cento de consumo de gás. Subsequentemente, significa a formação do Estado ucraniano novo tipo europeu.

Estes são os cenários do futuro mais próximo, que podem ser significativamente alterados chegando a época de outono.

Lyuba Lulko

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