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Qatar paga dinheiro à mídia russa para desacreditar Assad

10.07.2012
 
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Por que a Rússia não usou o veto sobre a Líbia? Para onde foi o dinheiro emprestado a Sarkozy por Kaddafi? Quais são as chances de repetir o "cenário da Líbia" na Síria? Quem "contratou" o Ocidente para matar Muammar Kaddafi e Bashar al-Assad? Estas são as perguntas às quais ao "Pravda.Ru" respondeu Said Gafurov, economista, o diretor e responsável científico do Instituto de Estudos do Oriente Médio e África.

— Acredita-se que a Rússia em relação à Líbia, como dizem, "lavou as mãos".

— A Rússia, como é conhecido, se absteve na ONU de aprovar a resolução 1973. O então presidente Medvedev disse mais tarde em uma entrevista ao Financial Times: "A Rússia cometeu um erro trágico. Se tivéssemos sabido que a "resolução 1973" seria tratada deste jeito, teríamos dado as instruções a votar contra". De fato, Medvedev declarou publicamente que o Ocidente simplesmente havia enganado a Rússia.

E estou repetindo, o que está acontecendo na Líbia, não tem nada a ver com democracia. Tudo isso só pode ser chamado de um golpe militar e a intervenção posterior. Eu não tenho outras palavras.

— Como é essa história com o dinheiro que Kaddafi teria emprestado a Sarkozy?

— Eu não acho que Sarkozy tenha depositado o dinheiro emprestado pela Líbia num banco central francês … Algum fundo líbano, que teria sido registrado na Europa, provavelmente, em violação da lei eleitoral da França, transferiu o dinheiro para um fundo que realizava a campanha eleitoral de Sarkozy. O Ministério Público francês tem certos documentos sobre o caso, e logo, acho, veremos o resultado deste processo criminal. Acho que os xeques do Golfo Pérsico prometeram comprar os títulos do governo francês para cobrir os buracos no orçamento da França, pois, a guerra é um negócio caro. E embora ela tenha trazido grandes lucros para as empresas francesas, não é o fato de que foram suficientes para tapar os buracos no orçamento. Agora o Ocidente em muitos aspectos não quer a repetição do cenário líbio na Síria porque os gastos bélicos estão além dos seus posses.

— E o Ocidente pode repetir essa guerra?

— O Ocidente acalmar-se-ia, se não fosse o Oriente Médio — Qatar e Arábia Saudita. Ocidente deve resolver o problema com o seu défice orçamental, o colapso da sua economia, e o possível colapso da zona de euro, portanto, a guerra deve ser financiada, mas nada há para a financiar.

Porém enormes quantidades de dinheiro estão vindo do Golfo Pérsico. Agora cada um dos inimigos da Síria querem destrui-la com mãos dos seus aliados. Mesmo na Rússia, a embaixada do Qatar paga grande dinheiro aos jornalistas russos, líderes de agências de notícias medíocres e os meios de comunicação. Você me pergunta, por quê? O representante dos rebeldes da Síria em Moscou, Mahmoud Hamza recebe regularmente dinheiro na caixa da embaixada do Qatar. Pois, outros sírios, mesmo da oposição, não concordam sujar o seu bom nome no negócio alimentado pelo dinheiro do Qatar para sustentar os terroristas.

-Podia se repetir o "cenário da Líbia" na Síria?

— Deve ser executado o plano de Kofi Annan, segundo o qual os mesmos sírios precisam de resolver seus próprios problemas, sem interferência externa. Esta é a posição da Rússia, e concordo plenamente com ela. A Síria deve seguir o caminho da democracia e da liberdade, e precisa-se agora evitar que o território da Síria seja o alvo da agressão estrangeira. O exército e o governo sírio não querem combater! Por que razão o exército da Síria deve matar o seu próprio povo? E se conseguirmos, repito, impedir a intervenção estrangeira, será uma saída!

— E quais são os caminhos do Ocidente para desencadear uma guerra contra a Síria?

— É influente em sua massa. A partir da formação das legiões estrangeiras, destinados para invadir a Síria desde o território Turquia, até a opção do cenário de Líbia com método de bombardeio. Mas acho que nenhum dos países da Otan se atreverá a esse passo. Afinal de contas, perceba, o caso não é que os sírios sabem combater. O fato é que eles podem, paradoxalmente, e perder. Toda a história da Síria é uma cadeia de derrotas, depois das quais se retiraram e reagruparam e continuaram a lutar, e acabaram vencendo desta forma.

Os sírios realizaram eleições parlamentares livres. Na próxima eleição presidencial, estou convencido, a oposição não será capaz de colocar uma candidatura forte que derrote Bashar Asad, e eu duvido, que a oposição tenha tempo para a criar nas suas fileiras, caso se dedique para explodir bombas nas ruas ao invés de agitar. Enquanto isso, qualquer candidato Bashar bate com a vantagem de, pelo menos, 6-4. A Síria agora tem a situação muito mais segura do que parece lendo a mídia ocidental e "Al-Jazeera". Há uma vida normal, as crianças vão à escola, as pessoas estão trabalhando, ganhando dinheiro, e Bashar é o fiador da estabilidade econômica em seu país.

— Em que lado seria a vantagem?

— A Otan é a mais forte do que a Síria. Mas duvido que possa ser aceita a uma decisão independente entre países do bloco para auto-agressão direta, não posso imaginar. Até as declarações políticas por parte dos chefes da aliança sugerem que os países pertencentes à Otan querem os sírios próprios resolverem os seus problemas e discutirem no âmbito do diálogo nacional. Nos países ocidentais a oposição também é alimentada com dinheiro do Médio Oriente que quer desestabilizar a Síria.

Preste a atenção, também, que a maior parte dos países do mundo são contra a Otan. Um exemplo. Houve uma reunião entre os presidentes da Rússia e dos EUA, Putin e Obama na Cúpula G-20, mas no esmo dia foi uma reunião de líderes dos BRICS, e ninguém sabe de que eles estavam falando, o comunicado não foi publicado. Mas sabe-se que os quatro temas foram discutidos, incluindo da Síria, Irã, FMI e a crise do euro, e um dos mais importantes de quatro temas foi o da Síria.

Os países dos BRICS têm coordenado esforços, contra o neocolonialismo do Ocidente manifesta-se quase toda a América Latina, todos os países árabes moderados. No Egito, por exemplo, o governo fala como se fosse apoiando os rebeldes, mas os jornalistas nos principais jornais ficam em favor do governo sírio.

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