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9 de maio: Dia da vitória na guerra antifascista

09.05.2007
 
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Uma das acusações favoritas no momento, mas que também não inédita, é a de que Stalin não preparou a URSS para a guerra contra o nazismo. Teria sido pego de surpresa, teria desdenhado dos que o advertiram sobre a iminência da invasão alemã. Teria sido um aliado de Hitler, do fascismo, com a realização do pacto de não agressão germânico-soviético. É uma acusação feita agora, repetidas vezes, que – mantida no senso comum – tem o propósito de tornar-se verdade. Se não é possível ignorar o papel que Stalin teve à frente da resistência do povo soviético, nos aspectos políticos, ideológicos e militares, tenta-se de algum modo depreciá-lo.

Ludo Martens ( iii ) relembra esse questionamento, “Stalin preparou mal a guerra antifascista?”, em seu livro “Stalin, um outro olhar” ou “Stalin, um novo olhar”, na edição brasileira (Editora Revan) ( iv ). E, baseado em intensa e zelosa pesquisa em documentos, depoimentos, arquivos, vai responder a esse e outros ataques desferidos contra Stalin.

Como afirma Renato Guimarães, da Revan, em Nota do editor no Brasil: “É um livro muito documentado, que resulta de anos de trabalho paciente e minucioso de pesquisa. Quem o ler, mesmo quando muito informado sobre o tema, certamente se verá enriquecido com preciosa informação que desconhecia e poderá situar-se melhor para formar um juízo próprio em assunto tão polêmico e tão complexo.”

Sobre o papel de Stalin na preparação da URSS para guerra, pela particular relevância em relação à vitória contra o nazi-fascismo, reproduzimos do livro de Ludo Martens:

“Stalin preparou mal a guerra antifascista?”

Quando Kruschov tomou o poder, ele se tinha desviado completamente da linha do partido. Para fazer isso, ele teve de atacar Stalin e sua política marxista-leninista. Em uma série de calúnias inverossímeis, ele chegou até a negar os imensos méritos de Stalin na preparação e na conduta da guerra antifascista.

Assim, Kruschov pretendeu que, no curso dos anos 1936-1941, Stalin tinha preparado mal o país para a guerra.

Eis suas palavras.

“Stalin levantou a tese segundo a qual a tragédia era o resultado do ataque surpresa dos alemães contra a União Soviética. Mas, camaradas, isso é de ato totalmente inexato. Desde que Hitler apoderou-se do poder na Alemanha, ele se atribuía a tarefa de liquidar o comunismo. (...) Vários fatos do período anterior à guerra mostram que Hitler preparava uma guerra contra o Estado soviético” (1). “Se nossa indústria tivesse sido mobilizada de forma adequada e no tempo requerido para fornecer ao Exército o material necessário, nossas perdas de guerra teriam sido nitidamente reduzidas. (...) Nosso exército estava mal equipado. (...) A tecnologia soviética tinha produzido antes da guerra excelentes modelos de tanques e de peças de artilharia. Mas a produção em série desses modelos não foi organizada.” (2)

Que os participantes do XX Congresso tivessem podido escutar essas calúnias sem protestos indignados tivessem ocorrido de todas as partes dizia muito sobre a degenerescência política já em curso. Contudo, na sala, encontravam-se dezenas de marechais e generais que sabiam até que ponto aquelas palavras eram ridículas. Na hora, ninguém abriu a boca. Seu profissionalismo estreito, o exclusivismo militar, a negação da luta política no seio do Exército, a rejeição da direção ideológica e política do partido sobre o Exército: tudo isso aproximava-os do revisionismo de Krushov. Jukov, Vassilevski, Rokossovski, praticamente todos os grandes chefes militares, não tinham jamais aceitado a necessidade de depuração do Exército em 1937-1938.

Eles não tinham sequer compreendido o contexto polítco do processo de Bukharin. Por estas razões, eles apoiaram Kruschov, quando este substituiu o marxismo-leninismo pelas teses rebuscadas dos mencheviques, trotskistas e bukharinistas. Isto explica por que os marechais engoliram as mentiram de Kruschov em relação à II Guerra Mundial. Posteriormente, eles refutaram essas mentiras, em suas memórias, quando já não havia jogo político e essas questões tornaram-se puramente acadêmicas.

Em suas Memórias, publicadas em 1970, Jukov sublinha com razão, em face das alegações de Kruschov, que a verdadeira política de defesa tinha começado com a decisão de Stalin de lançar a industrialização em 1928.

“Era possível conciliar em cinco ou sete anos o desenvolvimento acelerado da indústria pesada, a fim de dar ao povo objetos de consumo corrente antes e em maior quantidade. Isso não era tentador?” (3).

Stalin preparou a defesa da União Soviética construindo mais de 9.000 empresas industriais entre 1928 e 1941 e tomando a decisão estratégica de implantar ao leste do país uma possante base industrial nova (4). A propósito da política de industrialização, Jukov rendeu homenagem “à sagacidade e clarividência” de Stalin, que foram “sancionadas de maneira definitiva pelo julgamento supremo a história” no curso da guerra (5).

Em 1921, em quase todos os domínios da produção militar, foi preciso começar do zero. Durante os anos do primeiro e segundo plano qüinqüenal, o partido tinha previsto para a indústria de guerra uma taxa de crescimento superior àquela dos demais ramos da indústria (6).

Vejamos dois números significativos dos dois primeiros planos.

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