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Dia da Mulher: Mais um dia, nada mudou

09.03.2013
 
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Uma mulher na Índia diz à polícia que ela foi molestada sexualmente por um motorista de táxi. O resultado? Ela foi espancada e rotulada de prostituta… mais um caso depois da recente série de estupros e espancamentos, porque alguém de uma casta inferior se atreve a estudar e porque as mulheres estão “merecendo”…

A intenção deste artigo sobre o Dia Internacional da Mulher não é de destacar a Índia como pária na comunidade internacional na questão da violência de gênero e direitos das mulheres. Tal seria um insulto ao bom trabalho que está sendo realizado por milhões de militantes do sexo masculino e feminino neste país.

India, no entanto, não é uma ilha. Ao celebrarmos mais um dia Internacional da Mulher, para ser mais preciso, o 102º Dia Internacional da Mulher e repito, o centésimo segundo Dia Internacional da Mulher, enquanto há melhorias na consciencialização, a dura realidade é que as estatísticas estão a piorar.

Ao celebrarmos o 102º Dia Internacional da Mulher, a violência de gênero está em alta. Até seis em cada dez mulheres em algumas regiões do mundo continuam a ser vítimas de alguma forma de violência durante as suas vidas - que é 60 por cento. Em regiões da Nigéria, relatórios continuam a abundar que cerca de 15% dos pacientes nos hospitais abusadas sexualmente têm menos de cinco anos de idade.

Na África, cerca de 100 milhões de mulheres continuam a ser vítimas de mutilação genital feminina (cortar o clitóris de modo que eles nunca vão experimentar um orgasmo e assim serem menos propensos a "brincar"); crimes de honra continuam a aumentar no mundo muçulmano; continua a existir legislação em alguns países, determinando que as mulheres podem ser apedrejadas até a morte se forem violadas. Quatro milhões de mulheres continuam a ser traficadas a cada ano, um milhão de crianças, femininas, continuam a entrar no comércio sexual.

Na África Austral, bebês femininos com dias ou semanas de idade são estupradas "para fornecer protecção contra a SIDA/AIDS". Nove por cento das mulheres no Japão continuam a ser espancadas pelos seus maridos ou parceiros, mais de metade das mulheres em áreas de Peru rural continuam a levarem estalos. E antes que os ocidentais começam a rir e apontar o dedo aos "países tropicais", as estatísticas da União Europeia e da América do Norte são igualmente chocantes. O número de mulheres e crianças traficadas para o comércio sexual nos EUA é de cerca de 17.500 a cada ano, até 20% das mulheres americanas terão sido vítimas de uma tentativa de estupro ou estupro completo/abuso sexual, a grande maioria dos culpados continuam impunes. Antes de qualquer país ou sociedade se tornar arrogante nesta questão, a violência de gênero, ou Violência contra a Mulher, é um fenômeno universal.

O percentual de mulheres que relataram incidentes de violência na França é maior do que nas Filipinas, na Suíça, é maior do que na Índia, na Alemanha, é maior do que no Egito, na Dinamarca, é maior do que na Nicarágua, na Austrália, é pior do que no Perú e na República Checa, pior do que em Moçambique. Depois da Plataforma de Acção de Pequim, depois de inúmeras reuniões e resoluções da Assembléia Geral da ONU, depois de 102 vezes Dia Internacional da Mulher, será que nós ainda vivemos em um mundo em que o lugar da mulher é na cozinha, num mundo em que as mulheres são consideradas histéricas demais para formarem uma opinião e, portanto, não têm direito ao voto, em que elas são considerados como um objeto sexual e uma almofada para desabafar as frustrações dos machos desadequados?

Timothy Bancroft-Hinchey

jornalpravda@gmail.com

História do Dia Internacional da Mulher

O Dia Internacional da Mulher começou nos Estados Unidos da América, lançado por uma declaração do Partido Socialista da América em 28 de fevereiro de 1909 utilizando como base a necessidade de garantir os direitos das mulheres em uma sociedade cada vez mais industrializada e foi assumida por toda a comunidade internacional. A primeira Conferência das Mulheres internacional foi em Copenhague, na Dinamarca, em 1910. As condições horríveis e desumanas na fábrica nova-iorquina Triangle Shirtwaist, que causou a morte de 140 trabalhadores de vestuário (principalmente mulheres) em 1911, deram um impulso adicional no momento em que as mulheres estavam pressionando para o direito de voto. Manifestações na Rússia antes da Revolução de 1917 foram os primeiros sinais de emancipação das mulheres naquele país, culminando com a declaração por Lênin de um Dia da Mulher em 8 de março; em 1965 o dia foi declarado feriado pelo Presidium do Soviete Supremo.

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