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Federação Russa

Medvedev: Direitos Humanos – um dos valores mais básicos e fundamentais

08.06.2008
 
Medvedev: Direitos Humanos – um dos valores mais básicos e fundamentais

No seu discurso na Reunião com os Líderes Políticos, Parlamentares e Cívicos da Alemanha em Berlim na quinta-feira passada, Presidente Dmitry Medvedev da Federação Russa falou da arena internacional e dos planos para a Rússia nos próximos anos. Nesta Primeira Parte, apresentamos os trechos mais importantes do seu discurso relativamente à política externa. Na Segunda Parte, amanhã, vamos apresentar a visão e políticas do novo Presidente para a Federação Russa.

Relativamente à política externa, Dmitry Medvedev falou de 4 áreas: relações atlânticas, relações com a União Europeia, a ONU e OTAN.

Atlanticismo

“É a minha convicção que o Atlanticismo, como princípio histórico único, já teve o seu dia. Precisamos hoje em dia de falar acerca de unidade entre toda a área Euro-Atlântica entre Vancouver e Vladivostok”.

União Europeia

“Vemos uma tendência preocupante de seguir uma abordagem selectiva e politizada relativamente à nossa história comum,” declarou o Presidente. No entanto, realçou a importância dos “ideais e valores humanísticos partilhados por toda a Europa e que são parte integral da cultura da Rússia e da Alemanha unificada”.

“A ordem mundial no futuro está directamente ligada ao futuro da Europa, toda a região Euro-Atlântica e por isso ao futuro da civilização europeia, ” considerou Dmitry Medvedev, acrescentado que “por aberta e honestamente partilhar todas as nossas preocupações podemos fazer progresso em construir uma Europa maior e genuína.” Falou do Acto Final da Helsínquia, constituindo a base legal para o sistema europeu e sugeriu que “poderíamos considerar um pacto regional, baseado, naturalmente, nos princípios da Carta da ONU e definindo claramente a importância da força nas relações dentro da comunidade Euro-Atlântica. Este pacto poderia atingir uma resolução compreensiva das questões sobre o controlo das armas e segurança, que constituem uma preocupação comum”.

Os principais desafios, para Presidente Medvedev, são “imigração ilegal, alteração climatérica e pobreza global…a crise global alimentar…segurança energética” por isso “se não cortarmos nas despesas militares, não conseguiremos encontrar o financiamento necessário para responder aos verdadeiros desafios”.

ONU e Comunidade Internacional

Para o Presidente russo, os fundadores da ONU “mostraram grande visão” quando “estabeleceram uma organização em que os países iriam cooperar numa base de igualdade”. Evidentemente, “precisa de se modernizar para melhor responder às realidades do mundo multi-polar de hoje”.

Relativamente à comunidade internacional, “Precisamos de estar cientes das consequências de marginalizar e isolar países, criando zonas com níveis diferenciados de segurança e abandonando a criação de sistemas colectivas de segurança regionais”.

OTAN

“Até agora, a OTAN falhou em encontrar um novo objectivo para a sua existência. Hoje tenta encontrar este objectivo pela globalização das suas missões, mesmo que seja ao detrimento das prerrogativas da ONU…e pela inclusão de novos membros”.

“Falam de trocar outra fase de expansão a leste com “outra coisa” mas penso que é uma ilusão também. Penso que em tal caso as nossas relações com a OTAN seriam completamente minadas e estragadas durante muito tempo. Claro que não haveria confronto, mas o preço seria mesmo assim muito alto e causaria danos graves”.

Quanto à Rússia, Presidente Medvedev declarou que “Quero dizer desde o início que quer nos assuntos internacionais, quer nos assuntos internos, estamos empenhados acima de tudo a seguir a letra da lei e que todos os países, especialmente as grandes potências respeitem a lei internacional”. Para Dmitry Medvedev, “Não pode haver dúvidas que esta é uma condição essencial para gerir e manter o desenvolvimento do mundo. Isso é mais importante agora que o sistema artificial bipolar dá lugar a um sistema internacional mais natural e poli-centrado com a ONU no seu coração.”

“Para empregar as palavras de John Le Carre, a Rússia ‘voltou do frio’ depois de quase um século de isolamento e auto-isolamento. A Rússia agora volta ativamente à política global e à economia global, trazendo consigo todas as suas possibilidades e recursos naturais, financeiras e intelectuais”.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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