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Federação Russa

100º Dia Internacional da Mulher: Muito mais que fazer

08.03.2011
 

"Provas mostram que onde as mulheres têm acesso a boa educação, bons empregos, terras e outros ativos, o crescimento nacional e a estabilidade são melhorados, e vemos menor mortalidade materna, melhoria da nutrição infantil, maior segurança alimentar e menor risco de HIV e AIDS," Michelle Bachelet Directora Executiva da ONU Mulheres.

08 de Março de 2011. Hoje nós celebramos o centenário do Dia Internacional da Mulher, um feriado na Rússia desde 1965, celebramos um século de vitórias tremendas para os direitos das mulheres. No entanto, em vez de tomar tudo o que foi alcançado como um dado adquirido, devemos recordar o muito que tem de ser feito.

Em seu discurso no Dia Internacional da Mulher 2011, Michelle Bachelet, Directora Executiva da ONU Mulheres, celebra um século de progresso, "um século de mulheres que usam sua voz coletiva para se organizarem para a mudança". Olhando para trás ao longo dos últimos cem anos, ela destaca o fato de que "Quando o primeiro Dia Internacional da Mulher teve lugar, as mulheres puderam votar apenas em dois países. Hoje, esse direito é praticamente universal e mulheres já foram eleitas para conduzir os governos em todos os continentes.

"As mulheres participam na força de trabalho em número cada vez maior e 67 países têm leis que exigem igualdade de remuneração entre homens e mulheres; 126 países têm garantida a licença de maternidade. Como vemos em nossas telas de televisão todos os dias, mulheres e meninas estão se mobilizando, juntamente com homens e meninos, para o avanço das liberdades políticas no mundo inteiro."
 
No entanto, ela ressalta que ainda há muito a ser feito. Setenta por cento dos

pobres do mundo são mulheres, 66% dos analfabetos são mulheres, as mulheres podem ser decapitadas, espancadas, apedrejadas até a morte ou enterradas vivas, as mulheres podem ser punidas com a morte por terem sido estupradas, ou por reclamar que foram estupradas; as mulheres podem ser forçadas a ter seus clitóris removido cirurgicamente quando são crianças, para que elas não possam ter um orgasmo e "portar-se mal" (Mutilação Genital Feminina). 100 a140 milhões de meninas foram vítimas de Mutilação Genital Feminina, 3 milhões de meninas por ano são submetidas a este ato horrível de intrusão.

E não estamos falando de países menos desenvolvidos, apenas. No mundo industrializado, as oportunidades de emprego para as mulheres já estão encolhendo, a igualdade de remuneração não existe, as oportunidades de promoção não são as mesmas para homens e mulheres, a pergunta não formulada na entrevista, "Você não está pensando em começar uma família, pois não?" pode ser facilmente evitada, perguntando a mesma coisa por outras palavras.

Na verdade, as disparidades salariais entre os géneros nos países da OCDE é de cerca de 17,6%, enquanto nos Estados Unidos da América, para o grupo etário dos 35 aos 54 anos, a média dos salários semanais são mais de 23% a menos para as mulheres. No Oriente Médio (Estados Árabes) 28% das mulheres participam na força de trabalho e em termos globais, a propriedade e os níveis de renda para as mulheres são muito inferiores aos dos homens: 1% dos bens do mundo, comparado a 99% para homens e 10 % da renda, comparado a 90% para os homens.

O único país com uma percentagem de mulheres no Parlamento a mais de 50% é Ruanda (nos EUA e na Grã-Bretanha é inferior a 20%). Em todo o mundo, dependendo da região, entre um mínimo de 15% e um máximo de 71% das mulheres sofreram violência perpetrado por um parceiro (na maioria das áreas, o valor médio é de 29% para 62%) e 10-27 % sofreram abuso sexual. Para o grupo etário 15-44, a violência faz mais vítimas entre as mulheres do que o câncer, malária, acidentes de trânsito e guerra; até 40% das mulheres em alguns países, afirmaram que sua primeira relação sexual não foi consensual, há 5.000 assassinatos de honra por todo o mundo cada ano, 20% das mulheres sofrem abuso sexual em todo o mundo enquanto são crianças; na África do Sul, uma mulher é morta a cada 6 horas pelo parceiro íntimo; na Índia, 22 mulheres são assassinadas a cada dia em incidentes relacionados com a dote, muitas vezes queimadas vivas.

As mulheres se concentram em empregos precários no setor informal e são muito mais vulneráveis ao desemprego, 80% das vítimas do tráfico humano são mulheres; há 60 milhões de meninas por ano, forçadas a se casarem enquanto são menores; em todo o mundo, 25% das mulheres grávidas são submetidas a abuso físico ou sexual (inclusive levando murros e pontapés no abdómen), 40 a 50% das mulheres na UE são vítimas de assédio sexual no trabalho ...

"Um dia ele voltou para casa muito tarde. Eu lhe perguntei: "Você está tão tarde ... onde
você esteve? Ele respondeu: Eu fui para a zona da luz vermelha. Você tem algum
problema com isso? Eu comecei a gritar com ele e imediatamente desferiu um golpe no
meu olho direito. Eu gritei e ele agarrou meus cabelos e me arrastou de um quarto
para outro, sempre dando-me pontapés e socos. Ele não se acalmou...Ele soltou seu cinto e então me bateu tanto e quanto ele queria. Só aqueles que foram atingidos com um cinto sabem como é".

(Mulher com formação universitária casada com um médico em Bangladesh - Estudo da OMS sobre a Saúde da Mulher e Violência Doméstica contra Mulheres)

História do Dia Internacional da Mulher

O Dia Internacional da Mulher teve início nos Estados Unidos da América, lançado por uma declaração do Partido Socialista da América em 28 de fevereiro de 1909, utilizando como base a necessidade de garantir os direitos das mulheres em uma sociedade cada vez mais industrializada e foi retomada pela comunidade internacional na primeira Conferência Internacional da Mulher em Copenhague, na Dinamarca, em 1910. As condições horríveis e desumanas na fábrica em Nova York, Shirtwaist, que causou a morte de 140 trabalhadores de vestuário (principalmente mulheres) em 1911, forneceu um novo ímpeto no momento em que as mulheres estavam pressionando para o direito de voto; manifestações na Rússia antes da  Revolução de 1917foram os primeiros sinais de emancipação das mulheres naquele país, culminando com a declaração por Lênin de um Dia da Mulher, em 8 de Março; em 1965 foi declarado feriado pelo Presidium do Soviete Supremo.

Conclusão

Ter um dia Internacional só é importante e só vale a pena se planos concretos são elaborados e implementados, como hoje está fazendo a UN Women das Nações Unidas, juntamente com várias ONGs e grupos da sociedade civil em todo o mundo. Estatísticas como essas demonstram quão longe ainda temos de ir.


Timothy Bancroft-Hinchey
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1 Comissão Europeia
2 EUA: Bureau of Labor Statistics
3 OMS

 


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