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Federação Russa

Campanha russa para acabar com a al-Qaeda da CIA

06.10.2015
 
Campanha russa para acabar com a al-Qaeda da CIA. 23038.jpeg

Com cerca de 125 ataques em três dias, a campanha de bombardeio russo continua a ganhar corpo. A mídia-empresa nos EUA agora enlouqueceu completamente, obcecados, todos os veículos e jornalistas, com a ideia de que a Rússia pode estar usando bombas 'bobas' [dumb bombs], não guiadas, em vez das "bombas barris" sírias, também não guiadas. Já está virando novo meme de propaganda. 

2/10/2015, Moon of Alabama
Mas vídeos da base aérea russa mostram que pelo menos alguns dos aviões são armados com bombas KAB-500S-E guiadas por satélite (GLONAST) que são bombas 'inteligentes' muito precisas. (Outrasimagens e vídeo da base aérea russa mostram vida bastante confortável, com quartos com ar condicionado, tenda para missa,Gulaschkanonen, padaria, lavanderia, etc. Essa base não é instalação improvisada para ser usada por pouco tempo.)

E, isso, sem considerar que matar com bombas de precisão é mais humano que matar com "bombas bobas" ou "bombas-barril". Gaza foi bombardeada pelos israelenses com bombas inteligentes (fabricadas nos EUA). Nem por isso causaram menos destruição ou morticínio. A bomba (fabricada nos EUA) que os sauditas lançaram recentemente sobre o casamento no Iêmen, e que matou 130 pessoas, também era "inteligente" e acertou o centro do alvo, na festa de casamento contra a qual foi disparada.

Os russos bombardearam, como já informei, principalmente o corredor até a fronteira turca, que está em mãos da al-Qaeda, Ahrar al Shams e mercenários da CIA. Também bombardearam Raqqa, capital síria do Estado Islâmico e mataram uma dúzia de combatentes. Resposta a isso, o Estado Islâmico cancelou as orações da 6ª-feira em Raqqa aparentemente por temer que qualquer reunião de combatentes do Estado Islâmico doravante levará bomba.

Muito engraçado. Os EUA repetiram durante um ano, que estavam bombardeando seriamente o Estado Islâmico. Mas ninguém nunca cancelou orações da 6ª-feira. Será porque o Estado Islâmico nunca acreditou no que os EUA diziam, mas agora têm medo de que os russos estejam, eles sim, falando sério?

A Força Aérea síria vinha evitando bombardear junto à fronteira turca, porque temia, com razão, que a Turquia derrubasse o jato sírio. Mas os russos agora podem operar ali. O bombardeio de solo é feito por aviões construídos para isso, Su-24, Su-25 e Su-34, e sobretudo os jatos de combate Su-30M armados com mísseis R-27 ar-ar super rápidos, de médio e longo alcance, para dar cobertura. Essas aeronaves podem derrubar qualquer jato turco que tente atacar os bombardeiros russos. Isso, só para garantir que Erdogan não apareça com alguma ideia estúpida.

A campanha aérea está também bem coordenada com as forças do governo sírio em terra. De artigo do Wall Street Journal só para assinantes, citado aqui:

Milhares de rebeldes reagruparam-se em vários enclaves ao norte de Homs, em cidades como al-Rastan e Talbiseh. Os russos atacaram alvos civis e militares nessas duas cidades e em cinco vilas ao redor, disse Rashid al-Hourani, oficial do exército sírio daquela área, que desertou para o lado dos terroristas em 2012. 

Disse que os ataques aéreos foram seguidos por fogo pesado de artilharia de várias posições próximas, onde milícias alawitas e xiitas pró-regime, inclusive um grupo apoiado pelo Irã e conhecido como Brigada Ridha, se concentraram durantes os últimos dias.

O exército sírio atacará em breve, em ação coordenada com a força aérea russa e tentará recuperar territórios no norte, ao longo das rodovias M4 e M5. Mais uma vez essa formação permitirá ataque mais amplo até a fronteira turca. Reforços por terra, do Irã, Iraque e do Hizbullah estão a caminho ou já chegaram. Estamos vendo se configurar ali uma batalha mais ampla.

Guardian entra na guerra na função de espalhar boatos de que os Estados do Golfo responderão ao movimento russo, fornecendo mais armas:

Evidentemente o movimento russo expõe-se ao risco de contra-ataque que virá de países que apoiam os rebeldes. Segundo analista independente, o contra-ataque pode já ter começado, com os qataris - agindo com permissão da Arábia Saudita - enviando aviões carregados de armas para bases turcas. "Eu esperaria influxo gigante de armas para o norte, para impedir qualquer ataque por terra por forças do regime" - disse o analista. As apostas são muito altas."

E os aviões russos também voam altíssimos. A maior parte deles voa acima de 5km de altitude e não há míssil portátil de defesa aérea [ing.Man-Portable-Air-Defense (MANPAD)] que os alcance. Quem é bombardeado sequer vê ou ouve os aviões chegando. Isso mudará quando o exército sírio atacar e for preciso mais apoio direto em solo; então, os aviões a ser usados são Su-25 e Su-34, para essa finalidade e com cabines blindadas.

A base aérea russa é protegida por moderna defesa aérea em solo e pelos navios russos no mar próximo. Em solo estão cerca de 1.250 marinheiros russos. Sabe-se que há ali munição e suprimentos para no mínimo três meses. Ninguém se meterá contra essa base e a campanha russa. Nenhuma ação é ali possível sem mobilização de grandes forças, e usar grandes forças é certeza de guerra contra a Rússia nuclear. A Síria é irmã da Rússia (vídeo) e será defendida.

O governo Obama então decidiu que não interferirá nos ataques dos russos contra mercenários da CIA e seus irmãos de armas, terroristas da al-Qaeda. Serão emitidas declarações cheias de mentiras e só para constar.

Mas as ladies candidatas à presidência não são lá que se diga, muito brilhantes. Ambas, Hillary Clinton e Carly Fiorina, já se puseram a 'exigir' que os EUA implantem à força uma zona aérea de exclusão sobre o norte da Síria - o que, para começar, iniciaria guerra contra a Rússia e aliados.

Os mercenários da CIA na Síria - 10 mil homens treinados, armados e assalariados com dinheiro de um programa secreto - estão cooperando diretamente com a al-Qaeda e com o grupo igualmente terrorista Ahrar al Shams. Até o NYT afinal, hoje, reconheceu que sim, estão; em dois artigos. O primeiro diz:


Combatentes avançando naquele front não eram do Estado Islâmico, mas do Exército da Conquista, grupo que inclui um afiliado da Al-Qaeda conhecido como Frente al-Nusra, e outros grupos, inclusive vários grupos mais seculares que foram clandestinamente armados e treinados pelos EUA.


Um segundo artigo sobre o Exército da Conquista:


A aliança consiste de várias facções a maioria das quais são islamistas, inclusive a Frente al-Nusra, afiliada síria da Al-Qaeda, Ahrar al-Sham, outro grande grupo; e mais facções rebeldes moderadas que receberam armas clandestinamente, dos serviços de inteligência dos EUA e aliados.


Os grupos que lutam reunidos no Exército da Conquista partilham, é claro, armas, munição e outros suprimentos. Provavelmente, têm ideologias semelhantes. 

CIA, sob comando de Obama, Petraeus e Brennan, armou a al-Qaeda na Síria sabendo o que fazia, e o fez por longo tempo. O NYT há um ano, noticiou que havia mercenários da CIA trabalhando com islamistas, mas o artigo foi desqualificado como 'coisa menor', sobre problema pequeno. É muito surpreendente que o artigo intermediário, de 2014, e os dois artigos de hoje no NYT sobre a Síria tenham mencionado aquela relação, mas concentrando-se no show patético dos "cinco rebeldes moderados", que não passou de detalhe para desviar a atenção.

O Pentágono está fazendo-se de desentendido quanto às pessoas atingidas, quando os russos bombardeiam posições da al-Qaeda:

Q: McCain disse que foram atingidos rebeldes apoiados pela CIA. Acho que, quero dizer, presumivelmente, vocês também estão procurando a mesma informação. É verdade? Vocês não têm confirmação? Em que pé estamos nisso? 

COL. WARREN: Certo, bem... repito que, mais uma vez, Tom, estou dizendo que não achamos que tenha sido gente do ISIL. Você sabe, quem apoia quem, você entende, é que - não, não vou entrar nesse assunto. Principalmente, porque você está citando - você sabe, você não se refere sequer a alguma agência do Departamento de Defesa.


Para mim, isso é confirmação.

Os israelenses agora também estão admitindo que trabalham, sim com a al-Qaeda:

Junto com algumas milícias locais, Nusra é encarregada de mais de 100km de fronteira com Israel no lado sírio das Colinas de Golan. Em anos recentes, Nusra suavizou ligeiramente sua ideologia militante, por influência do Qatar e da Arábia Saudita, que dão à Frente apoio financeiro. 

...

Nusra está em controle da maior parte da fronteira, mas até aqui já alcançou acordo tácito de que não usará suas armas contra o estado judeu.


Nusra controla a fronteira, porque Israel ajudou-a, atacando o exército sírio em todos os pontos e circunstâncias em que a al-Nusra da al-Qaeda precisou de ajuda.

A matéria inclui um link para artigo do Jerusalem Post também interessante, sobre o famoso plano Odet Yinon - porque esse plano confirma que o projeto de destruir as nações do Oriente Médio e reduzi-las a semiestados governados por senhores da guerra é supervisionado pela inteligência militar de Israel:


Há alguns anos, a comunidade de inteligência começou a reavaliar a realidade caótica que emergia no Oriente Médio. Mapas desenhados pelo Departamento de Pesquisa do ministério do Interior mostra os estados substituídos por empresas e organizações. ...


E esse é o plano também para a Síria. Mas agora, com apoio mais decisivo que se organiza para recuperar os territórios sírios invadidos... o plano pode bem vir a fracassar. 

 


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