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Federação Russa

Putin e Medvedev dizem que acusações dos Estados Unidos são arrogantes, grosseiras, cínicas e sem ética

05.12.2010
 

Por ANTONIO CARLOS LACERDA

Correspondente Internacional

MOSCOU/RUSSIA (PRAVDA.RU) - O primeiro-ministro e o presidente da Rússia, Vladimir Putin e Dmitri Medvedv, rebateram as acusações dos Estados Unidos que, segundo documentos secretos publicados pelo  WikiLeaks, fez uso de termos pejorativos contra eles, chamando-os de "Batman e Robin" e dizendo que a Rússia é um "estado mafioso".

Para observadores de política internacional, Putin, Medvedev e a própria nação russa foram transformados em vítimas pelas acusações da diplomacia americana, o que, de certa forma, colaborou para que a Fédération Internationale de Football Association (Fifa) escolhesse a Rússia como sede da Copa de Futebol Mundial de 2018.

Aliás, o PRAVDA.RU, em sua edição do último dia 27, em matéria jornalista com o título "Misteriosa, temida e hermética, a Rússia se prepara para ser sede da Copa de 2018, encantar e conquistar o mundo", já previa que a Fifa iria decidir favorável à Rússia como sede da Copa do Mundo de 2018.

Quanto às declarações da diplomacia americana sobre ele, o presidente russo e a própria nação russa, Vladimir Putin disse que não esperava "tanta arrogância, grosseria e falta de ética", por parte dos Estados Unidos e que declarações da diplomacia americana têm objetivo de desonrar, diante da opinião pública mundial, tanto ele como o presidente Medvedev.

Enquanto isso, o presidente russo, Dmitri Medvedv, disse que as filtragens divulgadas pelo site WikiLeaks mostram o "cinismo" da diplomacia americana.

O WikiLeaks divulgou domingo (29/11/2010) cerca de 250 mil documentos secretos da diplomacia dos Estados Unidos que revelaram segredos da política externa americana, desde os anos 60 até o início deste ano.

Só neste ano, o site divulgou cerca de 400 mil documentos secretos sobre a guerra do Iraque, além de 90 mil relatórios confidenciais sobre abusos cometidos no Afeganistão.

Segundo o WikiLeaks, diplomatas americanos disseram que Putin e Medvedev são  "Batman e Robin" e a Rússia é um "estado mafioso". Enquanto os Estados Unidos condenaram o vazamento como um "ataque à comunidade mundial", Putin reagiu afirmando que os vazamentos do Wikileaks têm "objetivos políticos" e que "não eram uma catástrofe".

O primeiro-ministro russo também se referiu a um dos telegramas, no qual o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, disse a seu colega francês que "a democracia russa desapareceu e o governo é uma oligarquia dirigida pelos serviços de segurança".

Putin rejeitou taxativamente esta afirmação e assegurou que Gates estava "muito errado", manifestando que as autoridades americanas não devem interferir nos assuntos internos da Rússia.

Neste contexto, Putin disse que no momento adequado decidirá "de comum acordo" com Medvedev quem será o candidato nas eleições presidenciais e se apresentará novamente em 2012.

Putin advertiu os Estados Unidos que a Rússia desenvolverá novas armas nucleares caso eles não ratifiquem o tratado de desarmamento nuclear Start, assinado em abril por Dmitri Medvedev e Barack Obama. O novo tratado Start reduziria em cerca de 30% o número de ogivas nucleares, para 1.550 para cada um dos países.

O primeiro-ministro russo disse também que "seria muito tolo" se os Estados Unidos ignorassem seus próprios interesses, mas se os americanos fizerem isso, "então a Rússia teria que reagir de alguma maneira".

Acompanhado do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, da Itália, em um balneário russo no Mar Negro, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev disse que as filtragens divulgadas pelo WikiLeaks mostram o "cinismo" da diplomacia americana.

"Estes vazamentos são reveladores, mostram todo o cinismo das avaliações e juízos que prevalecem na política externa de alguns estados. Neste caso, me refiro aos Estados Unidos da América", disse Medvedev, segundo as agências russas de notícias.

Ao mesmo tempo, o líder russo sustentou que a Rússia não dramatiza a situação criada pelos vazamentos e acrescentou que "não somos paranóicos e não vinculamos as relações russo-americanas com as filtragens".

O chefe do Kremlin acrescentou que os diplomatas americanos "têm direito de fazerem seus próprios juízos, mas quando estas valorações caem no domínio público podem realmente prejudicar os vínculos diplomáticos e afetar o espírito das relações".

Os Estados Unidos nomearam um especialista em operações anti-terrorismo para lidar com os estragos causados pelos vazamentos do Wikileaks.

Russel Travers tentará descobrir como milhares de documentos secretos foram retirados de arquivos eletrônicos do governo. A Casa Branca disse ainda que está tomando medidas para aumentar a segurança da rede de computadores dos Estados Unidos.

O WikiLeaks divulgou, também, a opinião dos Estados Unidos sobre alguns líderes mundiais:

Hugo Chavez:- Segundo os documentos divulgados, o conselheiro presidencial francês, Jean-David Lévitte, disse ao vice-secretário americano, Philip Gordon, que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, está "louco" e que até mesmo o Brasil não podia apoiá-lo.

Nicolas Sarkozy:- A embaixada dos Estados Unidos em Paris acredita, segundo os documentos, que o presidente francês, Nicolas Sarkozy, é "suscetível e autoritário", destacando suas críticas a colaboradores.

Silvio Berlusconi:- O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, foi descrito por um diplomata como "irresponsável, vão e pouco eficaz como líder europeu moderno". Outro documento o descreve como "frágil física e politicamente", que não descansa apropriadamente por causa das festas que dá até altas horas da madrugada.

Angela Merkel:- Um documento divulgado, considera a chanceler alemã, Angela Merkel, "contrária à tomada de riscos e raramente criativa". Seu ministro das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, teria uma "personalidade exuberante", mas pouco conhecimento de política externa.

Hamid Karzai:- Um outro documento divulgado descreve o presidente afegão, Hamid Karzai, como "extremamente frágil" e passível de acreditar em teorias conspiratórias; Karzai mantém uma relação difícil com o presidente americano, Barack Obama.

Ahmed Wali Karzai:- Segundo outro documento, diplomatas americanos acusam Ahmed Wali Karzai, irmão do presidente afegão, Hamid Karzai, de "corrupto e envolvido no tráfico de drogas".

Ban Ki-Moon:- Em outro documento, um cabo endereçado a diplomatas dos EUA emitido sob o nome da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pede que se coletem informações "biográficas e biométricas" de funcionários-chave da ONU - como o secretário-geral, Ban Ki-Moon.

Cristina Kirchner:- Outro documento diz que o Departamento de Estado americano pediu à embaixada em Buenos Aires informações sobre "o estado de saúde mental" da presidente argentina, Cristina Kirchner.

Benjamin Netanyahu:- Um dos documentos diz que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, é "elegante e charmoso", mas nunca cumpre as suas promessas, de acordo com um cabo de Cairo relatando um encontro com o presidente Hosni Mubarak, que acrescentou: "Eu disse isso a ele pessoalmente".

Muammar Kadafi:- Um texto divulgado diz que o líder líbio, Muammar Kadafi, é "quase obsessivamente dependente de um pequeno núcleo de funcionários de confiança" e aparentemente não pode viajar se não o fizer acompanhado de uma "voluptuosa" enfermeira ucraniana.

Mahmoud Ahmadinejad:- Já o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, é tratado como "Hitler" em documentos divulgados.

Ali Abdullah Saleh:- O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, foi chamado de "entediado e impaciente" durante um encontro com John Brennan, assessor de segurança nacional de Barack Obama, segundo relatórios divulgados.

Robert Mugabe:- Em outro documento, o presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, é chamado de "velho louco" por Maite Nkoana-Mashabane, ministra das Relações Internacionais e Cooperação sul-africana.

Rei Abdullah:- De acordo com relatórios, o rei Abdullah, da Arábia Saudita, tentou repetidamente convencer os EUA a atacarem o Irã para pôr fim ao programa de armas nucleares iraniano, enquanto a China, por sua vez, direcionou ataques cibernéticos contra os EUA.

ANTONIO CARLOS LACERDA é Correspondente Internacional do PRAVDA.RU no Brasil.

 


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