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Federação Russa

EUA: Diplomacia da sarjeta

05.12.2006
 
EUA: Diplomacia da sarjeta

Oficial do Departamento de Estado dos EUA acusa a Rússia de intrusão nos assuntos da Geórgia e Moldávia. Porém, quem é esse oficial e qual é a sua autoridade para levantar acusações contra a Rússia, colocando em questão, numa Cimeira internacional, questões que cabem expressa e exclusivamente às autoridades russas abordar e resolver?

Nicholas Burns é o último numa longa lista de exponentes da escola de diplomacia de sarjeta, provando que os diplomas diplomáticos nos Estados Unidos da América ou vêm de borla num pacote de sabão, ou então são carregados da Internet. Este alto funcionário do Departamento do Estado dos EUA fez declarações derrogatórias e insolentes na Cimeira da OSCE ontem em Bruxelas.

Durante a cimeira, afirmou que “alguns países” estavam a usar pressões financeiras e económicas contra Geórgia e Moldávia. Se por “alguns países” ele quer dizer a Rússia, e é evidente que sim, eis uma resposta adequada:

Para começar, se as autoridades da Rússia entendem vender os recursos naturais da Rússia a preços de mercado ou preços subsidiados, é a prerrogativa das autoridades russas, nem do senhor Burns, nem do seu Departamento do Estado, nem de Washington. E de qualquer forma se os EUA gostam tanto da económica de mercado, qual é o problema com a Rússia vender recursos a preços de mercado? Ou será que Washington distribui os seus produtos de borla? Como sempre, padrões duplas e hipocrisia quanto baste. Diplomacia de sarjeta.

Em segundo lugar, se senhor Burns quer beber vinho da Moldávia ou água mineral da Geórgia, então ele que beba. Aconselhamo-lo no entanto a ficar bem perto de um quarto de banho quando o fizer. A Federação Russa tem algo que se chama padrões de saúde e segurança pública e se tais produtos são classificados como perigo à saúde pública, cabe às autoridades russas a retirá-los de circulação, não é assunto de interesse ao senhor Burns e sua diplomacia de sarjeta.

Senhor Burns, o famoso diplomata de sarjeta, esqueceu-se de referir o tratamento das comunidades russas na Moldávia e Geórgia, cujo governo ameaça repetitivamente resolver as questões da Ossétia Sul e Abkházia pela força, esse governo que é tão, tão popular, que a grande maioria dos cidadãos da Ossétia Sul acabam de pedir a sua independência num referendo.

E já que falamos da lei e intromissão e por aí fora, “alguns” países quebraram a Carta da ONU, as Convenções de Genebra, as regras da diplomacia e de facto, cada fibra das normas diplomáticas por invadir uma nação soberana sem casus belli, invasão baseada em mentiras e fabricações de uma natureza infantil – a “inteligência magnífica” de Colin Powell, outro exemplo de diplomacia de sarjeta.

“Alguns” países cometeram crimes de guerra através do seu acto propositado de chacina no Iraque, escolhendo como alvos militares infra-estruturas civis, deitando Armas de Destruição Massiva em áreas residenciais, e armamentos que permaneceram activos depois do conflito.

“Alguns” países ultrapassaram e ignoraram por completo a ONU, desclassificando-a como “uma Liga de Nações” recusando-se a levar o dossier para o Conselho de Segurança como a lei internacional e a Carta da ONU obrigam.

“Alguns” países disseram que Saddam Hussein mentia quando ele afirmou que o Iraque não tinha armas de destruição massiva e “alguns” países disseram na altura que sabiam onde estavam escondidas. Onde estão, então?

Parece que o Washington deveria ter mais cuidado quando lança a pedra, porque por insultuoso e insolente as suas queixas forem, a comunidade internacional entende muito bem que o grande estado paria residindo no seu meio é os Estados Unidos da América, sua diplomacia de sarjeta e o clique de assassinos criminosos no seu leme.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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