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Federação Russa

O significado da Revolução Russa

04.11.2007
 
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Outra tentativa de golpe em Agosto, desta vez por General Lavr Kornilov (que queria restabelecer a monarquia) viu Kerensky esforçado a pedir a ajuda do Soviete de Petrogrado e dos Bolsheviques. No dia 10 de Outubro, a Comissão Central dos Bolsheviques aprovou uma moção para derrubar o Governo Provisional, baseado na incapacidade deste de implementar políticas que satisfizessem a vontade do povo, que por sua vez, frustrado com os Mensheviques e Socialistas Revolucionários no Governo Provisional, virou cada vez mais para Lenine.

No dia 7 de Novembro de 1917 (calendário Gregoriano) Vladimir Lenine liderou os Bolsheviques na Revolução Russa, alcançando uma vitória contra o Governo Provisional, instalando os Sovietes (conselhos eleitos pelo proletariado e campesinato) como instrumento de Governo.

Significado da Revolução Russa

Seguiram vários anos de turbulência política e militar, apesar do tratado de paz com Alemanha (Brest-Litovsk, 3 de Março de 1918). Seguiram a Rebelião de Tambov (1919-1921), a Rebelião de Kronstadt (1921) e a Guerra Civil (1918-1922). No entanto, quando Lenine morreu em 1924, estava implantado o poder dos Bolsheviques e Revolucionários na Rússia e estava preparado a internacionalização (mais tarde) do Socialismo.

Nos anos seguintes, o manifesto de Paz, Terra e Pão foi concretizado. A derrubada da autocracia e a destruição de um dos regimes capitalistas mais feios foi traduzido num estado seguro que garantiu acesso universal a serviços públicos gratuitos e de alta qualidade: um sistema gratuita de educação, igualdade de oportunidade e mobilidade social, o direito a um emprego, a acomodação, cuidados de saúde, energia, transportação e comunicações, actividades para o tempo de lazer e pensão de reforma com todas as necessidades básicas garantidas.

Os que tentam pintar um quadro negro e negativo da Revolução Russa, invocando as purgas de Estaline e o assassinato de Trotsky (Estaline e Trotsky sendo dois pilares sobre cujos ombros jaz também o sucesso da revolução), são culpados de revisionismo histórico tendencioso. Há que separar a história da Revolução dos vectores sociais que sempre existiram em todas as sociedades.

Culpar a Revolução e o Socialismo/Comunismo pelos desenvolvimentos nos anos seguintes (em que os inimigos da Rússia e do movimento do proletariado/campesinato mundial investiram triliões de dólares para sabotar o modelo) faz tanto sentido como culpabilizar o Capitalismo pela exterminação dos povos indígenas nos Estados Unidos da América, pelo terrorismo nuclear em Hirosima ou Nagasaki, ou então dizer que o parlamentarismo britânico é culpado pelos massacres na Irlanda, Escócia e Índia.

A internacionalização do movimento revolucionário culminou na liberdade dos povos oprimidos pelo jugo do Imperialismo/Colonialismo das potências ocidentais e na implementação de políticas de reforma e desenvolvimento que, tal como aconteceu na Rússia, levou sociedades atrasadas e subdesenvolvidas para a linha de frente, estabelecendo sistemas de serviços públicos de alta qualidade.

As ondas de choque provocadas pela Revolução abanaram os detentores do capital mundial ao mesmo tempo que galvanizaram os movimentos sindicais. Hoje, passados 100 anos desde a Primeira Revolução e 90 desde a Grande Revolução Socialista, pode afirmar-se que todos os principais objectivos de Lenine e dos Revolucionários foram inteiramente realizados, quer na Rússia, quer no Mundo.

A transformação pacífica e sem complexos da URSS na Comunidade dos Estados Independentes, prevista na lei Soviética, foi testemunho do sucesso do projecto de Lenine, pois 70 anos depois da sua morte, qualquer cidadão soviético estava numa posição de disputar qualquer posto de trabalho com qualquer pessoa em qualquer parte do mundo, em qualquer ramo, em termos de igualdade e hoje, a Federação Russa é uma super-potência invencível que continua a garantir segurança, direitos e oportunidades para seus cidadãos.

A Revolução Russa demonstrou que é possível uma via Socialista e que a construção de uma sociedade baseada em políticas sociais que visam a construção de um estado comunista pode ser realizada, que serviços públicos podem ser fornecidos por um Estado e não necessariamente pelo sector privado. Serve de exemplo para o futuro, quando o modelo capitalista-monetarista, que só consegue perpetuar-se pelo saque de recursos e por mecanismos hipócritas (subsídios, sanções e tarifas) implodir.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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