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Federação Russa

O significado da Revolução Russa

04.11.2007
 
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O significado da Revolução Russa

Seria talvez mais correcto, de um ponto de vista histórico, lembrar o centenário da Primeira Revolução de 1905/7 ao mesmo tempo que celebramos o 90º aniversário da Grande Revolução Socialista, cujas implicações eram vastas e cujos objectivos foram vitoriosamente alcançados.

Lenine morreu e foi para o Inferno. Passados três dias, o Diabo, desesperado, telefonou para São Pedro, pedindo uma troca. “Este aqui já sindicalizou os demónios, ninguém trabalha…Não posso mais!!” Fizeram a troca e dois dias depois, o Diabo telefonou outra vez para ver como iam as coisas. “Então? O Deus está a dar-se bem com aquele Lenine?” “Deus??” respondeu São Pedro. “Não existe!”

Na anedota, Lenine moveu o Firmamento, parando o Inferno e revolucionando o Céu. Na Terra, Vladimir Ilyich Ulyanov (n. 22 de Abril de 1870 em Simbirsk/Ulyanovsk), foi o motor, com outros, da Grande Revolução Socialista de Outubro (25 de Outubro no calendário Juliano, então seguido na Rússia/7 de Novembro no calendário Gregoriano) que revolucionou a Rússia e lançou a internacionalização dos ideais Socialistas.

O contexto da Revolução

Para analisar o significado da Revolução, há que examinar o contexto histórico e social. A Rússia e os russos estavam estagnados, constrangidos por vectores feudais-esclavagistas que travavam o desenvolvimento técnico, económico e social. O país inteiro estava agarrado entre as garras de um torno dos capitalistas e latifundiários e do despotismo do Tsarismo.

Em 1917, 28.000 senhores feudais possuíam tantos hectares de terra quanto 10 milhões de camponeses (cerca de 70 m. ha.). A produção concentrava-se nas mãos das companhias monopolistas, por sua vez ligados ao grupo no poder.

Já em 1905/7, a Primeira Revolução, brutalmente reprimida, tinha dado sinais que iria rebentar a panela de pressão (que vinha fervendo há meio século – o irmão mais velho de Lenine foi enforcado em 1887 por conspirar contra o Tsar Aleksandr III). A autocracia do regime nos anos contra-revolucionários que seguiram (1907-1914), cujos sintomas visíveis foram a estupidez e ineficácia da Tsarina, Aleksandra, o monstruoso Rasputin e a Primeira Guerra, em que o exército russo foi dizimado, uma guerra cuja perpetuação interessava à burguesia.

O braço de ferro entre esta burguesia (cujo poder aumentava ao custo do sistema monarquista exausto e emaciado) e por outro lado, o proletariado/campesinato/forças armadas, resultou primeiro na sublevação da Ásia Central (1916) e durante o ano seguinte, tensão nas cidades (que tinham a mais alta concentração de operários no mundo) através de greves, e no campo, onde as propriedades dos latifundiários eram incendiadas. Esta tensão resultou na Revolução de Fevereiro/Março de 1917, culminando na abdicação do Tsar Nicolau II (em 2 de Março).

Entre Duas Revoluções

Entre Março e Novembro, o Governo Provisional, liderado primeiro pelo reformista Príncipe Lvov e depois por Aleksandr Kerensky, do Partido Revolucionário Social, tentava impor-se no meio de poderosos movimentos sociais. No entanto, os conselhos de operários estabelecidos em 1905/7 em muitas cidades russas permaneciam activos e estes elegeram o Soviete dos Deputados dos Trabalhadores de Petrogrado, em Fevereiro de 1917, liderado pelos Mencheviques e Socialistas Revolucionários.

O Soviete reuniu no Palácio Tauride, onde o Governo Provisional também tentava forjar as suas políticas de reforma, esforçando-se a agradar a todos e evitar uma situação de dualidade de poder, dvoevlastie, em russo. Porém, foi isso que aconteceu e durante o braço de ferro que seguiu, as políticas do Soviete (reformas democráticas, implantação da República, direitos civis, abolição de discriminação religiosa e étnica, eleições para escolher uma Assembleia Constituinte) ganharam mais apoio entre o povo, com quem o Soviete se identificou melhor do que Kerensky, o jovem advogado, e os burgueses no seu governo.

Nas corações do povo, o Governo Provisional foi considerado responsável pela situação catastrófica vivida por grande parte da população, principalmente devido à continuação da guerra e às suas consequências desastrosas. A “nova ofensiva” de Kerensky (Ministro de Guerra e depois Primeiro Ministro) fracassou e de modo geral, as suas reformas vieram tarde demais e foram insuficientes. A liberdade dos presos políticos em nada contribuiu para aliviar o sofrimento do povo, cuja energia foi canalizada em várias facções políticas, que tinham como causa comum minar a autoridade do Governo.

Regresso de Lenine

Foi então que Lenine, exilado na Suiça, decidiu voltar para Rússia, chegando em Petrogrado em Abril de 1917. A sua presença deu mais força e popularidade aos Bolsheviques (sua facção) e a sua influência foi incrementada por vitórias eleitorais nos Sovietes de Petrogrado e Moscovo. O seu manifesto foi simples: “Paz, terra e pão”.

Apesar da popularidade desta mensagem, em Julho, falhou uma tentativa de golpe contra Kerensky e Lenine foi exilado para Finlândia; contudo, o mecanismo da Revolução estava já implantado e a funcionar.

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