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Federação Russa

Distúrbios na cidade de Kondopoga provocados pelo ódio étnico

04.09.2006
 
Distúrbios na cidade de Kondopoga provocados pelo ódio étnico

Um grupo racista e da extrema direita chamado skinheads (cabeças rapadas) provocou no fim desta semana graves distúrbios públicos na cidade russa de Kondopoga da República Karélia , localizada na fronteira entre Rússia e Finlândia . Depois de dois dias de desordens e enfrentamentos com polícia, o governador da província, Serguei Katanandov, ordenou dissolver os manifestantes , deter os fogos postos e roubos. As desordens começaram após uma briga na sexta-feira num restaurante que pertence aos chechenos.

Na batalha participaram cerca de trinta jovens russos e chechenos, dois russos ficaram mortos. No dia seguinte, no sábado, na praça central da cidade se reuniu uma multidão de três ou quatro mil pessoas, que exigiu a deportação de todos os chegados do Cáucaso Norte, que não tenham os documentos válidos de residência permanente e anulação das licenças da venda dos produtos nos mercados de Kandopoga, entregues aos caucasianos. 

Os manifestantes se enfrentaram com a polícia que se mostrou impotente para conter os distúrbios e tiveram que ser enviadas, mais tarde, as forças policiais especiais melhor equipadas, para dissolver a multidão. Os suspeitos dos assassinios de nacionalidade chechena foram detidos. Os provocadores russos eram jovens suspeitos de pertencer a grupos de skinheads que terão mais de cinquenta mil membros na Rússia, segundo especialistas.

Mas os distúrbios envolveram os moradores da cidade russos que nada têm a ver com estes grupos. Recentes pesquisas mostram uma verdadeira xenofobia em boa parte da população russa. Pelo menos 32% das pessoas entrevistadas confessam a sua hostilidade em relação a grupos étnicos não-russos e especialmente a naturais do Cáucaso Norte.


Os especialistas afirmam que os movimentos racistas recrutam os seus membros sobretudo em bairros com condições socioeconômicas desfavoráveis  , "pescando" os marginalizados da Rússia moderna, jovens sem referências morais depois da derrocada da ideologia comunista, em 1991.

"Esta agressividade é a reacção de jovens de meios pouco favorecidos e sem educação, afectados por problemas sociais", disse Alexandre Badjen, director do Instituto de Psicoterapia de São Petersburgo.

No entanto, segundo Roman Moguilevski, director da agência de investigação social de São Petersburgo, "os jovens sofrem influência da atmosfera de agressividade que reina na Rússia há poucos anos, com o leitmotiv da luta contra o terrorismo, que desemboca na busca permanente do inimigo".

"Os jovens marginais skinheads encontram, então, bodes expiatórios, que são os estrangeiros e naturais do Cáucaso Norte", mesmo quando o presidente Vladimir Putin repete regularmente que os terroristas "não têm nacionalidade nem religião".


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