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Federação Russa

Um momento crítico na história

04.06.2007
 
Um momento crítico na história

A reacção ocidental às palavras de Vladimir Putin é, como se previa, imatura, ignorante, chauvinista e nada objectiva, porque não consegue analisar as causas da reacção da Rússia a aquilo que só pode ser considerada uma provocação. Este é um momento crítico na história da Europa e do mundo, um momento que requer mais diplomacia, diálogo e debate do que bater tambores e retórica da Guerra Fria.

A cada acção, há uma reacção. Esta é uma lei básica da física e uma que é tão evidente que nem deveria ser necessário referir. Não é assim, contudo, para um vasto número de fontes na média ocidental, que agarraram as palavras do Presidente Putin relativamente a apontar mísseis à Europa em resposta à atitude beligerante, agressiva e antagonista dos EUA nas relações internacionais, pintando a Rússia como ameaça e omitindo qualquer referência às causas e origens da posição de Moscovo.

Nada disseram sobre a história recente dos EUA nas relações internacionais, nomeadamente o acto ilegal de chacina no Iraque, baseado em mentiras descaradas. Foram cometidos crimes de guerra, foram assassinadas centenas de milhares de pessoas, foram implementadas câmaras de tortura e campos de concentração do estilo Nazista, mas quantas fontes na média ocidental levantam a sobrancelha? Poucas, porque muitos países na Europa ocidental também têm as mãos cheias de sangue por dar o aval às acções do seu mestre transatlântico.

Nada disseram sobre a decisão unilateral de Washington de sair do Tratado ABM em 2002 e instalar sistemas de defesa anti-míssil nas fronteiras da Rússia, nada disseram sobre a OTAN avançar as suas fronteiras para a porta da Rússia, implementando os seus sistemas de ataque militares antagonistas no software dos seus novos estados membros e fazer uma actualização massiva dos sistemas bélicos a poucos quilómetros do coração da Rússia.

Por isso, o quê é que a Rússia deve fazer? Ficar a olhar com os braços cruzados? Ou reagir e re-estabelecer um equilíbrio de poder?

Nem vale a pena referir a capacidade da Rússia de se defender, como sempre soube. Hitler e Napoleão aprenderam a lição da maneira mais dura. Hoje, a Rússia tem toda a capacidade de neutralizar e liquidar qualquer formação da OTAN em qualquer lugar no planeta e todos sabem que o equipamento militar russo dos tempos soviéticos foi actualizado. Não desapareceu, simplesmente, nem apodreceu.

Mas o cerne da questão não é esse. A questão é que os Estados Unidos da América, a única potência que chegou a utilizar armas nucleares (e contra civis), está empenhado no processo de fazer uma escalada militar nas fronteiras da Rússia e dado a história recente do imperialismo norte-americano, dado o facto que a Washington é hoje a Rainha dos Mentirosos, quem pode dizer à Rússia que toda esta situação não coloque uma ameaça, pelo menos teórica?

Por isso aqueles que criticam a Rússia por reagir deveriam começar por criticar aqueles que causaram a reacção – os Estados Unidos da América. O que fazem as suas forças militares na Europa, de qualquer forma, senão defender o lobby do armamento que dita e domina a política externa de Washington? Quando é que os europeus vão deixar de se arrastar aos pés de Washington?

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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