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Federação Russa

Politkovskaya e a Guerra Fria

02.04.2007
 
Politkovskaya e a Guerra Fria

Prémio Mundial de Liberdade da Imprensa da UNESCO/Guillermo Cano atribuído postumamente pela primeira vez, à jornalista russa Anna Politkovskaya, por “incrível coragem”, “dedicação e destemido seguimento da verdade”. Porém, qual foi esta verdade? E desde quando foi o “seguimento da verdade” uma distorção da mesma, desde quando foi “coragem” nada mais do que uma campanha caluniosa contra o Kremlin, contra qual Anna Politkovskaya nunca conseguiu encontrar quaisquer provas?

Anna Politkovskaya, a jornalista da Novaya Gazeta, deixou sua marca na sua profissão de escolha. A vencedora da Caneta Dourada da Rússia e o Diploma Especial do Júri do Prémio Andrei Sakharov, estava envolvida numa investigação de eventos na Chechénia na altura do seu assassinato, no elevador do prédio onde residia, dia 7 de Outubro de 2006.

Contudo, a “verdade” e a interpretação dada a esta, levantam a questão não só de quem foi responsável pela morte de Politkovskaya mas também se esta morte foi orquestrada, ou até perpetrada, por aqueles que continuam a sentir hostilidade contra a Rússia. Será que a causa de Anna Politkovskaya foi usada e abusada por aqueles que querem perpetuar a Guerra Fria, no seu desespero de encontrar algo para atirar contra o Kremlin?

Antes que estas mesmas entidades comecem a celebrar a atribuição do Prémio UNESCO/Guillermo Cano, e utilizarem esta como uma bandeira para embaraçar o Kremlin, vamos examinar o caso e encontrar esta “verdade”, o Santo Gral da Politkovskaya.

Primeiro, a morte de qualquer ser humano é uma tragédia e só é de lamentar, e ficar horrorizado, o assassínio de uma mulher que deu a sua vida por algo em que ela acreditava. Em segundo lugar, apesar de anos de jornalismo investigativo exaustivo, Anna Politkovskaya nenhuma vez conseguiu achar quaisquer provas que implicassem o Kremlin em qualquer actividade ilícita.

A única “verdade” que ela encontrou foram os excessos cometidos pelas autoridades da Chechénia, incluindo a família de Kadyrov, e provou que havia forças chechenas a lutarem no lado das forças federais russas, como ela referiu na sua última publicação, Karatelniy Sgovor. Então, nem todos os chechenos estavam do lado dos queridos “lutadores pela liberdade”? Ou por outras palavras, muitos chechenos estavam tão revoltados contra a brutalidade dos terroristas que decidiram pegar em armas contra eles para que o povo da Chechénia pudesse continuar com a sua vida. Em paz.

A verdade, infeliz, é que em zonas de guerra é tão fácil encontrar excessos como qualquer polícia de trânsito acha algo de errado com qualquer automóvel. Muitas foram as atrocidades contra direitos humanos cometidas pelas forças armadas dos Estados Unidos da América no Iraque – câmaras de tortura, ataques contra prisioneiros com cães, abuso sexual, estupro, chacina de crianças, massacres – todos bem documentados. Quanto ao Reino Unido, este país fala muito do terrorismo internacional, depois dá asilo a Akhmed Zakaev, cujos “lutadores pela liberdade” cometeram a atrocidade de Beslan, por exemplo, entre muitas outras.

A verdade nua e crua é que através das suas investigações, Anna Politkovskaya tinha aberto uma lata de minhocas – operações ilícitas envolvendo autoridades chechenas e não questões de liberdade ou supressão de liberdade, como foi cristalino na votação do povo checheno num referendo livre, escolhendo quase por unanimidade permanecerem dentro da Federação Russa. Quem se mete com mafiosos, acontece-lhes o mesmo como a aqueles que brincam com o fogo.

De facto, Politkovskaya só conseguiu, na sua busca da “verdade”, achar provas daquilo que todos já sabiam – nomeadamente que a Chechénia estava cheia de bandidos perigosos, que estes tinham sido infiltrados por terroristas internacionais e que as autoridades locais estavam determinadas a exterminar esses elementos para que os cidadãos da Chechénia pudessem voltar a lidar uma vida normal e próspera, como começa a ser o caso hoje.

Anna Politkovskaya nunca achou nada que implicasse o Kremlin em qualquer actividade ilícita, na Chechénia ou fora, por isso aqueles elementos ocidentais que usam o seu nome numa tentativa de incriminar o Presidente Putin pessoalmente, ou as autoridades russas em geral, só providenciam provas que são nada mais ou menos do que paranóicos histéricos cuja única meta é perpetuar a Guerra Fria, para que o Lobby das Armas que gravita a volta da Casa Branca e NATO possa continuar a distribuir postos de trabalho para os amigos, os ditos Jobs for the boys.

A questão que continua sem resposta é quem financiava a Novaya Gazeta de Politkovskaya? O Congresso dos EUA em Washington? Sendo esse o caso, quão interessante que o seu “jornalismo investigativo” foi puramente uma distorção da verdade e que a sua procura pela “verdade” foi nada mais do que uma campanha caluniosa contra o Kremlin e o bom nome de Vladimir Putin, que não tinha absolutamente nada a ganhar com a sua morte – que por sua vez providenciou uma mártir para os seus inimigos. São estes quem matou a Anna Politkovskaya, e prova disso foi a prisão de dois chechenos acusados de a assassinar, apanhados em fotografias tirados por satélites militares.

Por isso, se as altas autoridades na comunidade internacional distribuem prémios por difamação, calúnia e distorção da verdade, pouco contribui para a melhoria da nobre profissão de jornalismo. Pelo contrário, apenas sublinha a noção de que, se a Guerra Fria acabou para os russos, aparentemente não é o caso para todos no Ocidente.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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