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Hitler foi um Judeu?

29.04.2005 | Fonte de informações:

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Ao discursar na reunião da Câmara Municipal de Moscovo, de 6 de Novembro de 1941, Estaline disse: "Os hitlerianos praticam massacres medievais de judeus como o regime czarista. O partido hitleriano é um partido de reacção medieval e de pogroms".

Antes da guerra, no território da União Soviética residiam cerca de três milhões de judeus; o ataque impetuoso do exército nazi dividiu a população soviética de origem judaica ao meio. Cerca de 1,3 milhões de judeus ficaram no território ocupado pelos nazi e o seu destino foi terrível: não puderam fisicamente resistir. Mas os outros 1,7 milhões, que se refugiaram ou ficaram no território não ocupado pelos nazi, combateram o nazismo juntamente com os russos, ucranianos, tártaros e outras etnias que compunham a URSS.

Entre os judeus havia não só soldados e oficiais como também toda uma série de destacados comandantes militares como o marechal de cavalaria blindada M.Katukov, o comandante-chefe da Força Aérea, Y.Smuchkevitch, o chefe do Estado Maior da Aviação de Longo Alcance, M.Chmeliov, 92 generais, nove comandantes de exército e frotas, ao todo, 270 generais e marechais de origem judaica. Nos círculos próximos de Estaline havia quatro ministros de origem judaica: Lazar Kaganovitch, Boris Vannikov, Semen Guinzburg e Isaak Zaltsman. Mantinham sob o seu controlo os transportes ferroviários, indústria de munições e de material blindado. Foi grande o papel dos judeus na formação da ideologia da guerra. O povo soviético ficou perplexo com a notícia da agressão nazi, pois a Alemanha se considerava ora inimigo ora aliado da URSS na confrontação com a Grã-Bretanha e os EUA. Além disso, como os soviéticos haviam sido educados no espírito internacionalista, esperavam, no início da guerra, que os soldados nazi, os operários e camponeses alemães desistissem de lutar contra o Estado socialista e se levantassem contra os opressores: os capitalistas alemães. Era preciso destruir este mito ideológico.

Neste contexto, um mérito especial foi de Ilia Erenburg. Ele viajou pelo mundo e foi, talvez, o único judeu da URSS a saber do carácter racista da guerra, graças à experiência que havia adquirido como correspondente de campanha na Espanha durante a guerra civil naquele país em que, ao lado dos republicanos, combateram seis brigadas internacionais, entre as quais cerca de seis mil voluntários de origem judaica.

A Espanha foi um trampolim para Erenburg que acolheu a notícia da agressão da Alemanha como ideólogo convicto do antifascismo. Tinha à sua disposição o espaço de todos os jornais de maior tiragem da URSS, o "Pravda", o "Izvestia", o "Krasnaia Zvezda", além da Rádio Nacional. Erenburg desligou-se decididamente dos dogmas do internacionalismo e pôs em circulação o slogan: "Mata um alemão!", tendo contraposto à guerra racista um princípio racista.

Os seus panfletos e artigos dos tempos da guerra vieram constituir mais tarde um volume inteiro.

Erenburg tornou-se muito conhecido num país em guerra, o seu slogan claro acabou com a confusão internacionalista nas cabeças dos soviéticos. Foi sob a sua influência que Estaline decidiu alterar o hino nacional (a "Internacional") e abriu, em 1942, em plena guerra, um concurso para um novo hino. No pós-guerra, na história soviética formaram-se duas opiniões opostas sobre o papel dos judeus na Segunda Guerra Mundial, diminuindo alguns e outros aumentando o seu mérito.

O prémio Nobel Aleksandr Soljenitsin procurou assumir o papel de observador à parte no seu livro "Juntos durante 200 anos". Embora o seu livro fosse acolhido negativamente pelos liberais, as páginas dedicadas à guerra agradaram a todos.

"Vi como os judeus combatiam, havia entre eles pessoas muito corajosas. Não posso deixar de mencionar a este respeito dois de um grupo de luta anti-carros: o meu amigo tenente Emmanuil Mazin e o soldado, muito jovem, Boria Gammerov. Ambos sofreram ferimentos" - escreve o autor. Soljenitsin cita igualmente o poeta Boris Slutski, que foi para a guerra voluntariamente, o crítico de literatura Lazar Lazarev, que combateu dois anos na linha da frente até ser ferido nas mãos. Dedica dezenas de páginas à participação dos judeus na luta geral contra o nazi-fascismo.

Os corpos carbonizados de Hitler e de Eva Brown foram retirados, a 4 de Maio de 1945, da cratera produzida por uma bomba perto da Chancelaria de Estado nazi pelos soldados soviéticos Tchurakov, Oleinik e Seroukh. O cadáver de Hitler foi levado a Buh, no nordeste de Berlim, para ser identificado e submetido a um exame médico-legal. A autópsia foi realizada pelo anatomopatologista do Exército Vermelho Kraevski, e os médicos Anna Marants, Boguslavski e Gulkevitch, sob a direcção do Médico Legista Geral da Primeira Frente Bielorruski Faust Iosifovitch Chkaravski, todos de origem judaica. Poderia Hitler tê-lo visto num sonho horrível?

Anatoli Koroliov observador político RIA "Novosti"

 
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