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NUVENS DE GUERRA

28.02.2005 | Fonte de informações:

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A viagem do presidente dos EUA, George W. Bush, à Europa na última semana parece ser uma espécie de pré-Operação Barbarossa, eis que Bush, como Hitler, esta tentando angariar apoio para sua investida contra o Irã. Esta operação poderia ter o codinome Operação Musadeq que foi o nome do líder iraniano com tendências comunistas e que foi deposto pelas forças de inteligências norte-americanas, em 1954. O exército norte-americano também deve estar treinando secretamente para esta operação.

Ao contrário de Hitler em 1941, Bush tem posições muito melhores para o ataque pois somente será necessário mobilizar as tropas já estacionadas no Iraque e no Afeganistão. Diferentemente dos russos contudo, os iranianos não dispõem de um poderoso exército capaz de enfrentar o inimigo. Não obstante, os iranianos, como os russos, não confiam na declaração de Bush que não os atacará.

Bush necessita do apoio, apenas para que ele não seja crucificado sozinho pela opinião pública internacional, pois o exército norte-americano é perfeitamente capaz de obter sozinho, vitória sobre o exército iraniano. Seu principal aliado, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, declarou que não apoiará uma investida contra o Irã, afinal Blair ainda deseja um novo mandato que é algo que Bush já conseguiu. Ao menos, Bush sempre poderá contar com o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi que não necessita agradar ao povo, pelo menos por enquanto.

Os discursos de Bush mostram claramente suas intenções. Ele não fala mais sobre as bem sucedidas eleições no Iraque ou sobre a declaração do governo norte coreano que dispõe de armas nucleares ou mesmo fala sobre o restabelecimento da democracia e da liberdade, embora tenha dsedicado uma parte dos seus discursos para criticar o sistema político russo. Apenas está insistindo no fato de que o programa nuclear iraniano é uma ameaça ao mundo livre assim como eram as armas de destruição em massa de Saddam Hussein, embora todos saibam e o governo iraniano não se cansa de relatar que o programa é apenas para fins de suprimento de energia.

Bush aparentemente já se esqueceu da crise no Líbano, desencadeada pelo assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri e de sua declaração que apoiaria o povo libanês numa eventual insurgência contra os ocupantes sírios.

Bush não está falando mais sobre o Líbano porque lá não há nada a ser explorado economicamente, apenas há uma população pobre que deve ser alimentada e conflitos religiosos a serem pacificados. Na verdade, é até melhor para Bush que os sírios ali permaneçam para manter a ordem que é algo que ele não está conseguindo fazer no Iraque. Também não se refere ao programa nuclear norte coreano porque simplesmente não é o alvo. Ele espera também, que não haja mais nenhum contratempo que distraia a atenção do povo como o assassinato do ex-líder libanês ou o terremoto no Irã. A propósito, Bush espera que os efeitos do terremoto cessem logo, pois como ele poderia invadir um país que está sendo foco da caridade internacional?

Bush talvez esteja tentando convencer o presidente francês, Jacques Chirac e o chanceler alemão, Gerhardt Schroeder, os opositores mais poderosos da guerra no Iraque, que desta vez será diferente. Ele provavelmente está lembrando a ambos, do número reduzido de baixas entre os soldados da aliança no Iraque o que não está refletindo em perda de popularidade e que logo as enormes reservas de petróleo poderão ser exploradas economicamente, sendo os despojos somente distribuídos entre os parceiros fiéis. Também deve estar tentando esclarecer que o governo iraniano, assim como e hoje o governo iraquiano, será sempre um fantoche e as decisões administrativas nunca virão de encontro aos seus interesses, se concordarem, obviamente.

No entanto, é bastante improvável que Bush obtenha apoio de novos líderes europeus para uma nova investida pois todos já estão familiarizados com o desgaste que foi para os envolvidos no Iraque. Em 1941 era mais fácil, ou o apoio era concedido ou tinha-se o país invadido como foi o caso da Sérvia. Hoje, o apoio pode ser comprado como ocorreu com Honduras, cujo líder foi magnetizado pela possibilidade de exploração econômica do Iraque ou ainda poderia se usar como moeda de troca a promessa de um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU como Bush conseguiu convencer o presidente brasileiro Lula, conseguindo que o Brasil assumisse a responsabilidade pela segurança do Haiti. No entanto, após a cáustica experiência no Iraque, ninguém se aventurará dessa forma novamente..Bush está sozinho.

Hitler invadiu a Rússia pois julgava ser tão bem sucedido quanto o tinha, no oeste da Europa. Bush também julga ser tão bem sucedido no Irã, quanto o foi no Iraque e no Afeganistão e provavelmente, o será pois Bush, diferentemente de Hitler, não tem inimigos poderosos. Talvez consiga estabelecer a democracia no país e desmantele o programa nuclear iraniano que após investigações oficiais, será constatado que realmente era para fins pacíficos, então Bush declarará que a invasão era para libertar o povo.

Bush, talvez inspirado por Hitler, pretenda criar um império de mil anos mas seu comando neste império terminará em 2008, a menos que ele esteja pensando em um golpe de estado.Tudo é possível em se tratando de George W. Bush.

Jose Schettini Petrópolis BRASIL

 
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