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COMENTÁRIO - MIKHAIL SAAKASHVILI PROPÕE-SE BATALHAR COM A RÚSSIA

26.08.2004 | Fonte de informações:

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Destacou, em especial, que "caso a hostilidade deflagrar, será uma guerra entre a Geórgia e a Rússia e não entre os georgianos e os ossetas". O líder georgiano acusou também a Rússia dos ataques e assaltos às forças georgianas presentes na Ossétia do Sul. "Eram sem dúvida nenhuma as forças militares russas", afirmou categoricamente.

Ora, a reacção do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia ao discurso de Saakashvili foi lógica e previsível. Moscovo declarou que "a retórica militarista está ultimamente presente nas declarações da Tbilissi oficial". Já ouvimos mais de uma vez as alegações e acusações endereçadas ao "vizinho do Norte" de ser fonte de todos os litígios, conflitos e desgraças que sobrevieram à Geórgia. Porém, os últimos enunciados são percebidos em Moscovo como algo exorbitante e próximo da irresponsabilidade absoluta. Razões sérias para tal conclusão não faltam. Por exemplo, há pouco ressoou por todo o mundo a promessa de mostrar os cadáveres dos cossacos e até agora tudo isso fica no ar.

Diga-se de passagem, não só o facto dos cossacos misteriosos, mas também muitas outras coisas ratificadas pelos dirigentes georgianos com respeito ao comportamento da parte russa na zona do conflito georgiano-osseta não têm sido confirmadas e comprovadas com factos. Tudo isso fica imediatamente esquecido porque chovem novas e novas acusações semelhantes. "O malogro da aventura militar na Ossétia do Sul deu ainda mais relevo aos problemas económicos e sociais acérrimos que existem na Geórgia e precisam concentrar toda a energia na sua solução rápida em vez de gastar inutilmente os esforços para procurar o presumível "inimigo externo" ou dificultar o funcionamento da Embaixada russa em Tbilissi", diz expressamente o comentário oficial do MNE da Rússia.

Na entrevista à RIA "Novosti" o director do Instituto Russo de Pesquisas Estratégicas (IRPE), Evgueni Kojokin, ratificou: "O posicionamento do Presidente da Geórgia é profundamente contraditório. Por um lado, promete que dentro de uns três anos a Geórgia será muito mais forte economicamente do que agora. E estas palavras do líder georgiano têm o acolhimento positivo e provocam simpatias na Rússia que só vai ganhar da prosperidade económica do seu vizinho meridional. Por outro lado, é impráticável equilibrar entre a guerra e a economia por serem factores mutuamente excludentes".

O politólogo opina que "todas as incriminações da liderança georgiana à Rússia e à Ossétia do Sul por causa do agravamento da situação nesta república auto-proclamada não têm nem pés nem cabeça e são muito distantes da realidade". Uma prova irrefutável disso é o facto de a Ossétia do Sul ter tido durante uma década uma vida normal: os seus habitantes iam à Geórgia, os georgianos vinham à Ossétia, havia comunicação em lato senso entre estes povos. É verdade era um "ponto quente", mas em extinção. De repente, depois de Mikhail Saakashvili ter assumido as rédeas do poder, a situação virou diferente. De todos as figuras que participam neste jogo, só mudou um jogador - Eduard Chevardnadze foi substituído por Mikhail Saakashvili. Os demais jogares ficaram os mesmos, tanto em Tskhinvali como em Moscovo. E não havia motivos visíveis para deteriorar a situação. A sua motivação para agudizar a situação Mikhail Saakashvili expôs de uma maneira magnilóqua e em reiteradas ocasiões.

No desenvolvimento dos seus raciocínios, Evgueni Kojokin prosseguiu: "Seria, é óbvio, nos interesses da Geórgia, da Ossétia do Sul e, evidentemente, da Rússia que o Presidente da Geórgia desse prioridade ao problema do desenvolvimento económico do país que dirige. E assim, será uma boa premissa para resolver todos os demais problemas".

Outros peritos indagados mostraram-se conformes e unânimes na opinião de que os postulados marcadamente anti-russos de Mikhail Saakashvili são, na sua essência, um blefe, uma tentativa pobre de justificar-se perante os seus eleitores, perante o Ocidente que faz gestos de benevolência para o novo líder georgiano pelo malogro do blitz-krieg na Ossétia do Sul.

Na opinião do dirigente do Centro de Prognóstico Militar, Anatoli Tsyganok, "o Presidente da Geórgia é ciente de que o problema crucial da república é a reconstrução económica do país, mas esta tarefa implica um trabalho perseverante, duro e ingrato, ao mesmo tempo que com a retórica militarista e belicosa e depois de atribuir à Rússia uma imagem de "inimigo externo" se torna mais fácil unir e consolidar a Nação. Contudo, a confrontação armada com a Rússia não trará nada de bom ao Presidente ambicioso. E ele compreende que seria uma loucura lançar uns quantos batalhões contra a poderosa estrutura armada da Rússia", explicou o perito.

O chefe da Secção da Geopolítica do Instituto de Relações Económicas e Internacionais da Academia das Ciências da Rússia, Serguei Kazennov, explicitou na entrevista à RIA "Novosti" que as tentativas de Mikhail Saakashvili de reformar a economia nacional e combater a corrupção não têm tido efeitos palpáveis. "Nesta situação - continua - o Presidente da Geórgia teve que mudar o jogo e procurar o inimigo externo imaginário. O líder dos ossetas independistas, Kokoyta, não dá para tal papel, mas a Rússia calhou perfeitamente".

As declarações belicosas do Presidente georgiano e a sua tentativas de criar para a Nação a imagem do "inimigo externo", personificada pela Rússia, podem efectivamente trazer-lhe os dividendos políticos efémeros e passageiros. Todavia, tomando o problema pelo prisma das perspectivas a médio e longo prazo, a rixa com um vizinho como é a Rússia, nunca pode ser para o bem do país do qual Saakashvili se digna ser patriota.

Até agora o Chefe de Estado georgiano só fala do novo caminho para o desenvolvimento da Geórgia acusando de todos os males da Nação os seus antecessores - quer dizer, os presidentes Gamsakhurdia e Chevardnadze. Mas para ser objectivo, a sua retórica nacionalista e a política em relação à Ossétia do Sul e à Abkházia pouco se distingue da dos seus precursores. Voltando outra vez ao posicionamento de Moscovo, pode-se constatar que a Rússia gostaria de travar o novo tipo das relações com a nova Geórgia e não repetir os mesmos erros do passado.

Arseniy Palievski observador da RIA "Novosti"

 
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