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Combate a uma ameaça difusa

26.07.2005 | Fonte de informações:

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Os recentes atentados terroristas ocorridos em Londres, no dia 7 de julho, surpreendeu e chocou os ingleses, que no dia anterior comemoravam a vitória, junto com Tony Blair, para ser sede dos jogos Olímpicos de 2012. Esse atentado novamente mostrou como os sistemas de segurança das capitas mais visadas pelo terrorismo no mundo podem ser ineficazes contra o combate a uma ameaça difusa.

Isso faz com que questionemos como o ocidente deve lidar com essa questão, é necessário observarmos os elementos que deram condições ideológicas para que o terrorismo islâmico se difundisse, e que elementos ainda prevalecem atualmente, sendo realimentadores dessas ideologias alicerçadas por situações políticas, econômicas e sociais favoráveis.

Remontando o processo histórico das invasões estrangeiras no Oriente Médio, desde as cruzadas à partir do século VIII até o fim do século XIX, toda a região esteve envolta em conflitos que resultaram em diversas derrotas que alimentavam a sensação de declínio dos muçulmanos frente a dominação ocidental. Esses elementos são identificados atualmente nos discursos de Osama Bin Laden, que enfatiza que é necessário restabelecer o califado, e fazer com que os Ocidentais paguem pelas humilhações que os muçulmanos sofreram desde o tempo das cruzadas.

Chegando-se ao século XIX as potências coloniais européias sempre mantinham algum tipo de influência diplomática, militar e econômica, ligando o ocidente aos recursos do oriente, fazendo com que a repulsa contra o ocidente fosse cada vez mais cultivada. Já no século XX no oriente médio continuavam disputas regionais que novamente tiveram influências das potências do ocidente, como: Britânicos e Franceses na crise do canal de Suez em 1956, e o apoio dos EUA a Israel nos conflitos com os árabes de 1948 a 1982. Nesse sentido o sentimento anti-americanista crescia mais, pois a defesa da causa sionista escondia como pano de fundo um projeto de manutenção dos interesses norte-americanos na região, na visão árabe.

A ascensão de regimes repressivos em determinados países fez com que a repulsa ao ocidente crescesse cada vez mais, e até estivesse vinculada a propaganda desses países, isso é observado na revolução Iraniana de 1979, liderada pelo Aiatolá Khomeini, que rotulou os EUA de grande satã. Os seus seguidores sitiaram a embaixada americana e mantiveram os funcionários reféns em 1980-81.

O ideal da revolução Iraniana de islamismo autêntico, fez com que outras gerações fossem motivadas por ela, nesse sentido é que Osama Bin Laden fundamentou ideologicamente suas intenções. A resistência que os guerreiros Mujahedins estavam fazendo, contra a ofensiva soviética nos anos 80, fez com que Bin Laden lutasse junto com os guerreiros “sagrados” contra o “infiel”.

Com a retirada da União Soviética do Afeganistão, Bin Laden é acolhido como o herói que impediu a dominação pelo imperialista, nesse cenário que nasce a organização da Al-Qaeda. No decorrer das décadas recentes, uma imensa quantidade de adeptos aderiram aos motes da Al-Qaeda estando dispostos a morrer como mártires na Jihad “guerra santa” entre Oriente e Ocidente.

Vitorioso da guerra fria, os EUA passaram a ser única grande potência, que teria condições de atuar no sistema internacional podendo influenciar ações no sistema que fossem favoráveis aos seus interesses. As três principais formas de atuação que os analistas das relações internacionais caracterizam os EUA como um poder hegemônico são: militar, política e econômica. Antes dos ataques de 11 de Setembro esses fatores poderiam ser mais facilmente aceitos, porém com a entrada na era do terrorismo houve uma mudança de paradigma.

Um dos principais fatores que contribuíram pata que os EUA tivesse dificuldades na era do terror para manter sua eficácia nas “3 área de atuação”, foi utilizar suas políticas, moldadas no fim da guerra fria. Por ter se tornado a única grande potência, também se tornou arrogante em suas políticas, não convergindo com organismos internacionais em tomadas de decisão importantes e sendo unilateral em suas ações em diversos âmbitos. Esse fator da unilateralidade tem gerado desgastes da diplomacia norte-americana frente às outras potências do G-7, que freqüentemente conflitam posições junto aos EUA. Em certa medida essas ocorrências são naturais, tratando-se de uma potência “hegemônica”, que será colocada sempre em xeque sobre sua hegemonia.

Nesse sentido a política ofensiva norte-americana sobre o terrorismo é equivocada, pois ela somente realimenta o terrorismo, gerando cada vez mais, antagonismos e questionamentos sobre a condução de sua política externa, criando mais hostilidades da comunidade internacional. Isso reflete no procedimento diplomático norte-americano que ignorou o Conselho de Segurança da ONU na invasão do Iraque.

Não só por esses problemas já citados o terrorismo cresce, mas também pelo avanços e facilidades do capitalismo ocidental, que ao longo desses anos deu oportunidades para colônias do Oriente, da América do Sul, e da África de se estabelecer com suas famílias nos EUA e na Europa. Esses avanços nas liberdades capitalistas tornaram-se os pontos nevrálgicos naluta contra o terrorismo, com a liberdade de expressão, transito de informações na mídia, Internet e etc., os impactos de um ataque abalam muito mais o ocidente do que um ataque norte-americano utilizando alta tecnologia no Iraque. Quem esta se importando com a morte de 50 crianças no Iraque? Alguém sabe precisamente a quantidade de civis mortos no Iraque desde a invasão americana? Pelas grandes capitais do mundo, fizeram passeatas, vigílias e manifestações em razão da morte dessas 50 crianças iraquianas? Não.

Porem a morte de cerca de 50 pessoas em Londres causou, queda nas principais bolsas de valores, vigílias pelos mortos na Europa, pronunciamentos de vários chefes de estado, que procuraram exaustivamente explicar que as liberdades democráticas não estão ameaçadas devido a sensação de insegurança, mobilização dos sistemas de segurança e contingentes na Itália, Franca, Espanha e EUA, alem da Inglaterra, em razão do risco de novos ataques. Em resumo com um simples ataque, os terroristas percebem que podem desgastar a democracia ocidental, tornando essa era não só do terror, mas a era da insegurança.

O caminho que os EUA vem trilhando na busca de acabar com o terrorismo, se mostrou ineficaz, caso não haja uma mudança de postura nessa área, só nos restara prever até quando os regimes políticos, a economia, a opinião publica e a democracia ocidentais poderão suportar, no oriente médio o Irã e um grande exemplo que as pressões não fizeram efeito para que fosse eleito um candidato que viesse a cooperar mais com os EUA, pelo contrario, a vitória de Ahmadinejad confirmou um regime de linha dura hostil à política americana.

Dimas Melo Alencar Bacharel em Relações Internacionais Comunidade Russa de São Paulo

 
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