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As Lições da crise ucraniana

25.11.2004 | Fonte de informações:

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Penso que nas eleições presidenciais na Ucrânia houve violações de lei dos dois lados e bastante significativas. Levando em consideração esta circunstância, nunca conheceremos a verdade até ao fim. Os dois candidatos recolheram aproximadamente um número de votos igual. Tornou-se também evidente que a Ucrânia se dividiu profundamente em este e oeste, o que ameaça a sua tranquilidade social e a paz e, em perspectiva, a manutenção do sistema estatal.

Porém, a crise na Ucrânia não corresponde nem aos interesses europeus, nem, tanto menos, aos russos. Apesar da gravidade patente de confrontação, penso que as duas partes não irão recorrer ao desenvolvimento sangrento da situação. Em qualquer caso, elas passaram através de uma grande luta democrática e seria pena para ambas as partes afundar em sangue esta conquista da Ucrânia. Por outro lado, os ucranianos são mais práticos e cautelosos do que nós, os russos. Demostram frequentemente intenções, mas poucas vezes chegam a vias de facto.

Hoje há muitos que desejam aconselhar os ucranianos a ultrapassar a crise. A meu ver, estes conselhos não têm sentido e os próprios ucranianos irão procurar a solução. Contudo, arrisco-me a propor uma das variantes mais pacíficas. Declara-se uma moratória provisória sobre os resultados das eleições e o presidente Kutchma e o parlamento alteram a Constituição, de modo a diminuir o poder do futuro presidente e a elevar o poder do futuro primeiro-ministro. Depois, são as forças políticas em oposição e os clãs financeiros oligárquicos que as apoiam que irão acordar as posições que pretendem ocupar.

Quero dar mais um conselho aos russos e aos nossos parceiros ocidentais: não se deve considerar a Ucrânia com um campo de batalha da "Guerra Fria". Convém lembrar que naquela guerra perderam todos: tanto aqueles que formalmente venceram, como os que foram formalmente vencidos. E a Ucrânia, sem dúvida, também perderá nesta guerra.

Direi algumas palavras sobre a política russa em relação às eleições ucranianas. Podíamos e tínhamos o direito de preferir um dos candidatos. Mas cometemos praticamente todos os erros que se pode imaginar. A nossa propaganda foi efectuada como uma operação comercial, o que não deixou de irritar mesmo os partidários da Rússia na Ucrânia. Além do mais, os "tecnólogos" políticos conseguiram envolver nos seus jogos até os altos dirigentes russos que ocuparam determinadas posições e deste modo enfraqueceram as suas possibilidades de longo prazo de influir na situação ucraniana.

Tal não significa que eu justifico a intervenção, embora mais branda, da parte dos nossos parceiros-concorrentes ocidentais. Mas, afinal, cabe-lhe a eles analisar os seus erros. Nós devemos tirar lições das nossas falhas. Não fizemos nada na situação com a Bielorrússia, deixando passar vergonhosamente o referendo, mas, pelo contrário, fizemos tantas coisas desnecessárias na Ucrânia que, falando grosso modo, perdemos, embora o nosso candidato, segundo os dados da Comissão Central de Eleição, tenha vencido.

Contudo, não devemos ficar desesperados face a qualquer resultado. O chamado candidato pró-russo, se ganhar com uma vantagem ínfima e a sua vitória for contestada, não poderá nunca, como era de esperar, aplicar uma política tão pró-russa como prometera ou como lhe fora prescrita. E o chamado candidato pró-ocidental, se ganhar com a mesma vantagem insignificante e a sua vitória também for contestada, nunca poderá aplicar uma política anti-russa. Devemos recuperar fôlego, voltar a si e compreender que a política é um assunto sério que não pode ser colocada na dependência de comerciantes ou políticos incompetentes. Da política depende o destino dos países e pessoas. Devemos, finalmente, traçar um curso de longo prazo em relação aos países e regiões estrategicamente importantes para a Rússia e aplicá-lo de maneira consequente, profissional e digna, tal como compete a uma grande potência.

© RIAN

 
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