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Por quê é que a Rússia não defende o Iraque?

25.03.2003 | Fonte de informações:

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Caros amigos Paulo e Guida,

Muito obrigado pela pergunta muito interessante. Em primeiro lugar, concordo com a vossa posição relativamente ao facto do mundo ter ficado muito desequilibrado depois do desaparecimento da URSS, porque os EUA não conseguem abordas a gestão de crises dum ponto de vista magnánimo, têm de impor a sua vontade onde quer que esteja petróleo.

Porém em segundo lugar, gostaria de explicar algo sobre o fim da União Soviética. "Soviet" quer dizer "conselho" e este modelo de governo foi adoptado para tornar um país retrógrado e medieval, que era a Rússia Tsarista e transformá-la num país moderna, poderosa, com uma cariz social, providenciando uma boa educaçãa e sistema de saúde aos cidadãos e guarantindo pão e paz.

Estes objectivos foram conseguidos plenamente. Hoje em dia qualquer russo está muito bem posicionado para lutar em pé de igualdade, pelo menos, para qualquer posto de trabalho em qualquer lugar no planeta com qualquer outro cidadão.

Este modelo de governo já não era preciso porque, copm os objectivos conseguidos, a sociedade russa tinha de se transformar e adaptar-se à realidade actual, que é um mundo onde a concorrência dita as regras. Se um bloco ficar isolado, a história já nos ensinou que ou conquista o resto do mundo, ou morre.

Por isso, a Rússia tinha de adoptar outro sistema, um sistema igual ao resto do mundo porque a Rússia, por causa do modelo URSS, conseguiu o milagre de apanhar o resto do mundo em apenas sete décadas!

Agora, a URSS nunca era o agressor, practicava sempre uma política de paz. Quando intervinha, era ao pedido de um regime que estava a ser alvo de ataques por forças reaccionárias. Vejamos por exemplo o Afeganistão, onde o regime de Dr. Najibullah, o mais progressista de sempre, que garantia emprego e educação às mulheres. estava a ser atacado pelos Mujaheddin de Osama bin Laden, apoiados pela CIA. Estes elementos depois se transformaram nos Taleban.

Não faz muito sentido a Rússia apontar os mísseis para as cidades dos EUA e alguém carregar no botão. Poder, pode, isso seria muito fácil, seria preciso juntar as duas pessoas que têm as chaves e simplesmente por a funcionar os muitos sistemas.

Mas a Rússia não vai fazer um ultimato militar aos EUA, nem vai enviar tanques. Sabem porquê? Porque a Rússia é um país responsavel e coerente. É um país que vai surgir depois deste conflito como um dos líderes duma Nova Ordem Mundial, baseada numa abordagem multi-lateral de resolução de problemas e crises, baseada na ONU, em termos de igualdade e liberdade de expressão.

Brasil será um parceiro muito importante neste processo, como também serão Beijing, Paris e Berlin. De fora neste momente estão Washington e Londres, que, juntamente com Lisboa e Madrid, escolheram a linha de demagogia, chantagem, e despotismo e não discussão, diálogo e debate. Pode ser que posteriormente tenham uma mudança de ideias.

No entanto, a Rússia continuar a falar com os EUA porque há outros assuntos a resolver, nomeadamente processos em que os dois países agem em conjunto, como por exemplo o processo de paz no Médio Oriente.

A Rússia tem duas opções: lamentar a posição americana e sair disto tudo como o bom da fita ou então provocar a terceira guerra mundial, o que deixaria as suas cidades devastadas, os EUA obliterados e uma onda tóxica nuclear que varreria o Mundo. Visto assim, há só uma via a tomar.

A Rússia tenta no entanto convencer os EUA por diálogo e debate, processos que esta administração ignora rotundamente. Isso, sabemos, é o fruto dá estúpida arrogância que reside normalmente nas mentes dos dimunuidos mentais.

Ummabraço de amizade Timothy Bancroft-Hinchey

 
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