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SERÁ NECESSÁRIA TANTA PRESSA EM ADERIR À OMC?

24.05.2005 | Fonte de informações:

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Pelo menos em princípios de Maio os dirigentes da União Europeia e dos Estados Unidos mostraram o seu interesse em ver a Rússia integrada nesta representativa organização internacional. E nos meados deste mês o Ministério do Desenvolvimento Económico e Comércio (MDEC) da Federação Russa passou a convencer a opinião pública de que a integração na OMC tem que ser efectuada o mais depressa possível.

O chefe da delegação russa responsável pelas conversações e director do Departamento de Negociações Comerciais do MDEC, Maksim Medvedkov, teve contactos frequentes com representantes ora do sector dos transportes, ora químico, ora com jornalistas, repetindo sempre a mesma ideia: para a Rússia é de vital importância terminar as conversações com a OMC ainda este ano. "E há motivos para acalentar tais esperanças", reiterava. Conforme a expressão de Maksim Medvedkov, a demora na adesão à OMC pode "fazer aumentar o preço do bilhete de entrada". A primeira razão é que as exigências dos outros países à Rússia podem aumentar se as negociações não forem concluídas até aos finais deste ano. A segunda razão é que podem surgir na OMC novos países com que a Rússia terá de entrar em negociações. Digamos, a Ucrânia poderá em breve ser um dos novos membros da Organização Mundial do Comércio e então novas negociações serão inevitáveis. "Entretanto, em Dezembro próximo existe uma boa hipótese de concluir as conversações nas condições actualmente vigentes", refere Maksim Medvedkov. Na Rússia são poucos os que duvidam da necessidade de entrada na OMC, pois não existe outra alternativa melhor. A integração na OMC pode proporcionar à Rússia o acesso mais fácil a novos meios de produção e tecnologias, a possibilidade de participar na criação de novas regras e normas de jogo no mercado mundial. No entanto, o empresariado russo está nervoso. É incontestável que os ramos económicos competitivos serão beneficiados com a adesão à OMC. E, mais concretamente, o sector metalúrgico russo está em euforia. O dirigente do Conselho de Directores da Severstal, Aleksei Mordachov, declarou que não vê nada de mal na adesão à OMC, uma vez que a economia nacional já mantém laços fortes com a economia mundial. A Organização Mundial do Comércio até pode defender as exportações russas nos mercados externos. À parte disso, com a entrada da Rússia na OMC as companhias estrangeiras terão mais possibilidades e melhores condições de acesso ao mercado russo. Os investidores estrangeiros e russos poderão apelar junto da arbitragem internacional, o que necessariamente terá incidências positivas sobre a entrada de capitais estrangeiros no país. Todavia, as indústrias automobilística, ligeira, aeronáutica, o sector agrícola e alguns outros ramos manifestam grandes receios de concorrer com as companhias ocidentais. É sobejamente sabido que a maioria dos países membros da OMC subsidia tanto a agricultura como a indústria ligeira. Evidentemente, quanto ao volume de subvenções a Rússia e a União Europeia não se podem comparar. Portanto, alguns ramos nacionais não têm hipótese de sobreviver nas condições de concorrência global. A dirigente da empresa têxtil Don Tex, Anna Ignatova, considera que a indústria ligeira da Rússia não está preparada para aderir à OMC. De acordo com ela, nas prateleiras russas só passará a haver produtos da Turquia, Índia e China. "Trabalhamos em condições absolutamente desiguais - constata. - Os Estados Unidos subsidiam a sua indústria têxtil; na Turquia o Governo paga 25 por cento da energia eléctrica consumida e nós aqui não temos nada disso. Na Rússia vai tudo para pior". O director da companhia aeronáutica Ilhuchin, Viktor Livanov, sublinha que em muitos países membros da OMC o Estado apoia e financia em medida considerável os projectos de novos aviões. Por exemplo, a Comissão Europeia canalizou 4 mil milhões de dólares dos 12 mil milhões necessários para impulsionar o projecto do novo avião Airbus-380. "Aqui na Rússia temos imensos problemas com o acesso ao financiamento". Em resumo - refere Viktor Livanov, - os aviões russos serão competitivos em relação aos modelos europeus e americanos desde que o Estado subsidie devidamente este sector e elimine as taxas de importação de componentes e sobressalentes. Mesmo assim, esta perspectiva poderá vir a ser realidade só dentro de uns dez anos. Portanto, uma vez que não existe outra alternativa à adesão à OMC, existem alternativas no que concerne aos prazos e aos termos da integração. Até agora ninguém respondeu do ponto de vista meramente económico para que é que tanta pressa em aderir à OMC. O dirigente do Instituto de Problemas da Globalização, Mikhail Deliaguin, refere que os mercados russos são actualmente demasiado vulneráveis e fracamente protegidos. Portanto, a integração da Rússia na OMC privará totalmente o país da possibilidade de os proteger no futuro. Além disso, para concorrer nos mercados internacionais de igual para igual é preciso ter o respectivo nível de desenvolvimento económico e uma clara política industrial e estrutural. De acordo com o director do Instituto da Europa da Academia das Ciências da Federação Russa, Nikolai Chmelev, a economia da Rússia não está ainda preparada para enfrentar os desafios da OMC. "Segundo estimativas, 90 por cento da indústria transformadora russa irá sucumbir. Por isso, é melhor mais tarde do que agora", resumiu o analista. Segundo conclusões da OMC, a Rússia é, a seguir à China, o país mais discriminado na economia mundial. E quanto maior é o valor acrescentado das exportações russas, tanto mais contramedidas se tomam contra ela. Fica aberta a questão: passará a Rússia a ser menos discriminada depois de terminadas as negociações?

Nina Kulikova observadora económica RIA "Novosti"

 
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