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Construções do imaginário popular

21.06.2005 | Fonte de informações:

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Confundir, formular um chavão, legitimar e repetir a tática indefinidamente. Enquanto o governo Lula tropeça na sua desastrada tática de alianças, a ‘oposição’ dita o que a imprensa chama de ‘opinião pública’.

Por Gustavo Barreto Da redação, 20/5/2005

A tática é segura, sutil e tem bom resultado. Primeiro, a confusão. Denúncias de corrupção, ex-aliados descontentes, grandes nomes supostamente envolvidos, governo nega et cetera. “Não entendi nada”, disse um, em frente ao ‘Jornal Nacional’ – JN, na sexta (17/6). A suspeita atinge o Instituto de Resseguros do Brasil (IRB). Alguém sabe o que é? Ou para quê serve? O JN tenta explicar. Não deu certo: “Pra quê dois seguros?”

O JN aproveita para “explicar” que há uma incoerência entre o IRB ter o “monopólio do mercado” e ser o fiscalizador desse mercado. Veja que reformulação interessante, que transforma uma estatal em uma empresa em processo de privatização. Aproveita então a reportagem para propor uma “solução” para o “problema”, divulgando um projeto que visa “abrir o setor ao mercado”. Não explicam que, na visão de muitos, não há incoerência no fato de o governo controlar setores que sejam estratégicos para a Nação. Eles não perdem tempo.

Em suma, a confusão é geral. Nenhuma prova e muita gritaria: eis o que chamam de “escândalo do mensalão”. É preciso investigar, punir, cortar na própria carne, diga-se. No entanto, a mesma imprensa que, durante o governo FHC, “esqueceu” de criar chamadas para dezenas de casos de corrupção – e mesmo depois de extensa documentação se negou a fazer tanta gritaria – agora não quer nem saber: virou juiz e tem como única evidência o que a juíza Denise Frossard classificou como a “prostituta das provas” – o depoimento, oriundo de um notável corrupto.

Quando a imprensa deseja massacrar o corrupto, o chama pelo nome. Quando deseja enaltecer, o chama de profundo conhecedor da corrupção – um corruptólogo de primeira linha que sabe do que está falando. Vem daí o perfil de Roberto Jefferson, ouvido em uma rádio de notícias hoje (17/6): “Notável advogado criminalista, participou de mais de 200 casos”.

Outra tática: responder o que não foi perguntado. “Lula não é igual a Collor”, dizem os tucanos Aécio Neves e Fernando Henrique. Quem disse que era? Eles mesmos, mas com outros porta-vozes.

O sujeito então formula, sentado no sofá ou no bar: “Bando de corruptos! Que decepção esse PT, tudo farinha do mesmo saco!” A política se reforça como espaço para a bandidagem de terno, abrindo caminho para a volta dos mesmos ladrões de sempre. Aqueles que, ao se ver impedidos pela opinião pública de roubar o patrimônio público, terceirizam a corrupção e o vendem ao capital estrangeiro, recebendo o pagamento por fora. Vide FHC, Malan e companhia. Privatizam, correm para os braços dos grandes banqueiros e empresários e acabam ricos e ilesos.

FHC promoveu a sofisticação da.. corrupção. Foi bem sucedido..

Depois de formulada as frases-chavão, repetidas por marionetes formadoras de opinião, o JN divulga duas pesquisas “de opinião” que mostram “queda na avaliação do governo Lula”. São dois institutos – IBOPE e DataFolha – sendo que apenas o primeiro mostra tal resultado. Eles vêm a “comprovar” o que a imprensa e a oposição tenta impor. Efetivamente as pesquisas nada dizem sobre a popularidade do projeto de Lula, mas servem para derrubar um dos segmentos da ala desenvolvimentista do governo, José Dirceu, que pedia no começo de 2004 juros básicos de 12% ao ano. Já Henrique Meirelles, responsável pelo repasse de R$ 10 bilhões (com ‘bê’) por mês (doze vezes por ano) a banqueiros e especuladores (parte do dinheiro para o bolso dele mesmo), continua muito bem, obrigado. Em uma das pesquisas de opinião divulgadas pelo JN, é constatado que 41% dos entrevistados desconhece que haja denúncias de corrupção no governo Lula, contra 58% que conhecem. E daí? E o fato de 70% da população achar que “existe corrupção no governo”, o que quer dizer? Será que alguém, em sã consciência, achava que um problema dessa proporção não ia continuar acontecendo, mesmo que uma aliança entre Deus, Alá e Buda assumisse o Planalto?

Confundir, formular um chavão, legitimar e repetir a tática indefinidamente – até as próximas eleições.

Gustavo BARRETO

 
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