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Terceiro mandato de Putin?

15.08.2005 | Fonte de informações:

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Vladimir Putin alcançará o terceiro mandato presidencial?

Esta questão acabou sendo no centro da atenção internacional após a publicação no mês passado do artigo de Christopher Weafer, analista do Alpha Bank, um dos maiores bancos russos, dedicado ao clima de investimentos na Rússia. Na opinião de Weafer, o cenário ideal para os investidores é o que denomina-se de o surgimento de um mecanismo, que permita a continuidade de Putin no poder após o ano de 2008, isto quer dizer, quando expirar o prazo do seu segundo mandato presidencial. O analista sustenta a sua posição apoiando-se na experiência internacional bem conhecida no mundo dos negócios, segundo a qual uma das características mais importantes do sucesso das economias actualmente prósperas está ligada a estadia prolongada no poder de um líder forte.

Dentro da Rússia, o interesse para com este tema é incentivado pelos políticos locais que vêm avançando de vez em quando as respectivas iniciativas constitucionais, mas por enquanto sem resultado positivo. No final de Junho a Duma de Estado (câmara baixa do Parlamento da Rússia) rejeitou a emenda do deputado Aleksandr Moskalets que praticamente dá a Putin o direito formal de ser eleito pela terceira vez. Há alguns dias o presidente do Conselho da Federação, Seguei Mironov, falou em termos negativos da recente iniciativa dos deputados da Assembleia Legislativa do Primorie (Extremo Oriente da Rússia) na opinião dos quais o veto constitucional para o "terceiro mandato" contradiz uma série de outros artigos da Lei principal do país.

A atitude negativa dos notáveis políticos de Moscovo para com a ideia do "terceiro mandato" é clara e baseia-se plenamente na posição do próprio Presidente. Putin declarava mais de uma vez que o seu eventual terceiro mandato presidencial iria contradizer a Constituição da Rússia, assinalando que está contra as emendas à Lei principal. "A estabilidade é possível só se forem respeitadas as clausulas da Constituição", declarou Putin na Finlândia. Será que isso quer dizer que a questão já está fechada? De modo algum. Ao que parece à medida que o ano de 2008 vai se aproximando, as discussões vão sendo ainda mais fervorosas, ultrapassando as fronteiras da classe política e envolvendo uma parte significativa da sociedade.

Os partidários do terceiro mandato argumentam dizendo que no país agora não há políticos que possam concorrer com Putin e é pouco provável que alguns venham aparecer num futuro próximo. Ao mesmo tempo, o país ainda não se recuperou totalmente da instabilidade em que caiu na década de 1990, continuando a ser o alvo de atentados maciços por parte do terrorismo internacional, debatendo-se com os problemas sérios na área de relações interétnicas, realizando o programa nada fácil de reformas sócio-económicas e procurando para si um lugar digno no mundo actual. Tudo isso implica um líder forte, prestigiado e popular. Este líder é Putin que soube desde o início da sua carreira presidencial delinear e começar a realizar o seu próprio programa de estabilização política, garantindo assim à Rússia um progresso significativo rumo à modernização pós-comunista.

A questão de princípio neste contexto, relacionada com a temática do terceiro mandato, insere-se no quanto Putin agora está próximo da finalização da implementação do seu programa político e o quanto estará próximo disso em 2008. Nos últimos cinco anos o Presidente da Rússia soube fazer muita coisa e, antes de tudo, criar na Rússia com base na democracia um sistema estável de direcção de Estado que estabeleceu os laços bem eficazes entre a administração presidencial e as autoridades regionais, o mundo de negócios, o governo, o Parlamento, os partidos políticos e as organizações sociais. Trata-se do eixo vertical de poder pelo qual Putin está amiúde criticado no Ocidente. Nem Gorbatchev, nem Yeltsin, por diversas razões não souberam construir este eixo vertical, e por isso falharam em garantir ao país a estabilidade política, pondo termo às tendências separatistas além das crises sociais e económicas, tendo como efeito disso, ao terem seus prazos de mandato expirados, ninguém os pediu, a prorrogação do tempo de permanência no poder.

O paradoxo da situação consiste no que se a reforma de Estado de Putin acabou por ser realidade, então o seu autor pode abandonar o Kremlin com alma tranquila, porque a sua missão principal foi cumprida. Mas se ainda não é assim, então as discussões em torno do terceiro mandato têm todas as razões de serem continuadas

Yuri Filippov observador político RIA "Novosti"

 
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