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O direito que nós não temos

14.09.2004 | Fonte de informações:

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Mas há homens e mulheres que possuem ainda mais coragem. Coragem de fechar os olhos para o horror. De ignorar os números, dolorosos números para quem os enfrenta para além do papel. São estes homens e mulheres que mantém a lógica perpetuadora da fome e da miséria. Com uma mão dá aos pobres, com a outra afaga perversos sistemas de controle social e deles tira proveito.

Não é fácil lutar por gotas de justiça em um mar de incertezas. De fato, não é fácil. Fazer de seus desejos um estilo de vida não é tarefa para desinteressados pela vida. É alto o custo por não aderir à barbárie. Por não se acomodar na poltrona do sofá. É difícil. Então tente ‘fome’. Ou ‘miséria’.

O que é mais difícil?

Quatro bilhões de pobres. Cinco milhões de famintos. 800 milhões com desnutrição, incluindo 150 milhões de crianças. 10% das crianças dos países em desenvolvimento morrem antes dos cinco anos. Nestes países, as carências em saúde reprodutiva fazem que a cada 48 partos uma mãe morra. 113 milhões, seus filhos e filhas, estão fora da escola. Apenas 2% destes está nos países ricos. Um destes países promete investir este ano um milhão de dólares por minuto na guerra, para o nosso próprio bem. Seria possível dar acesso ao tratamento de AIDS a milhões de africanos por menos de US$1 por dia. E viva o capitalismo, que possibilita que quatro cidadãos dos EUA concentrem o equivalente ao PIB de 42 países pobres, com uma população de 600 milhões de habitantes.

Os frios números da nossa angustiante realidade não nos permite ser otimistas. Pelos que estão sofrendo o peso destas palavras, no entanto, nós não temos o direito de ficarmos parados. Muito menos de ser pessimistas.

Gustavo Barreto editor da revista Consciência.Net (www.consciencia.net), colaborador do Núcleo Piratininga de Comunicação (www.piratininga.org.br), estudante de Comunicação Social da UFRJ e bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Inciação Científica (PIBIC) pela ECO/UFRJ

Jornalismo Propositivo.—.Consciência.

 
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