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Bush : Falta total de ideias novas

14.04.2004 | Fonte de informações:

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George W. Bush lançou uma guerra ilegal contra uma nação soberana, causando a chacina de milhares de civis, ofereceu contratos de reconstrução aos seus amigos, alguns sem concurso, vê a mulher de Saddam a declarar que o homem que saiu a rastejar daquele buraco não era o marido dela e agora tem de enfrentar o pesadelo dos seus tropas serem aniquilados no Iraque.

“Entrarão, mas não irão sair”, disse o embaixador do Iraque no Brasil, em entrevista ao editor da Pravda.Ru, Armando Costa Rocha, em Brasília no início do conflito. E é verdade. As forças armadas iraquianas desapareceram e fundiram-se com o deserto, quase sem trocar um tiro e agora, passado um ano, estão presentes em todo o país, no norte, no centro, no sul, onde o exército Xiita de Moqtada al Sadr tem mais que um milhão de homens armados, que bloqueiam qualquer saída através do seu território para o Kuwait.

As forças armadas dos Estados Unidos da América estão rodeadas em território que elas hostilizaram com suas tácticas assassinas e desadequadas. Foram apanhados em filme a destruir as portas de casas particulares e esforçando as ocupantes (mulheres) a deitaram no chão, enquanto foram revistadas. Foram apanhados em filme a enfiarem armas automáticas nas caras de dois rapazes de seis anos, aterrorizados, gritando “Levantem as mãos, foda-se! Já, porra!!”

Que belos exercícios em relações públicas, esses actos de terrorismo. A estupefacção com que a população local recebeu estes tropas invasores há um ano foi substituído com ódio, que une os Sunni e Xiitas contra o que é agora percebido como o inimigo comum. George Bush criou um monstro que não sabe controlar.

Se a situação agora, quase um depois da declaração do fim das hostilidades, é tão má (o Iraque está em caos, com milhares de homens fortemente armados, determinados a resistir contra o invasor, tão determinados que estão prontos para darem suas próprias vidas), se a situação é tão má que Bush contempla enviar mais tropas, como é que ele poderia alguma vez simplesmente virar as costas ao problema em meados de Junho e os seus tropas irem-se embora?

George W. Bush propositadamente esbanjou nada menos que cento e sessenta e dois bilhões de dólares do dinheiro dos seus contribuintes (que para o clique do elite riquíssimo que rodeia o Bush significa pouco) e alguns peritos afirmam que 160 bilhões é pouco, até muito pouco. Quem vai pagar? Terá de ser o contribuinte norte-americano. Não surpreende que Bush hoje em dia nem se atreve a falar da política doméstica, nem surpreende que nem se atreve a sair dum avião na maioria dos países.

George Bush pode afirmar “Nós temos de acabar o trabalho dos caídos”, que soa bem, mas a sua porte, a linguagem corporal quando foi aproximar-se do pódio e quando deu seu discurso ontem soletraram uma mensagem dum homem nervoso, quebrado, desesperado, assustado, que sabe que cometeu um erro gravíssimo, apesar de ter sido avisado por Moscovo, por Paris, por Brasília, por Berlim, Pequim, entre outros, a utilizar a ONU, a organização que ele tão arrogante e desnecessariamente desprezou.

Ele sabe que mentiu ao seu povo, que mentiu à ONU, que mentiu à comunidade internacional. Ele sabe que não havia armas de destruição maciça, apesar dos documentos forjados, apesar das mentiras, apesar dos modelos de plástico com setas e etiquetas. Ele sabe que enviou os seus tropas às suas mortes, ele sabe que tem responsabilidade em último caso pelo assassínio de dez mil civis e ele sabe que não é ileso de responsabilidade por dezenas de milhares de feridos e mutilados.

Ele sabe que as suas forças armadas utilizaram urânio empobrecido em áreas civis, apesar de ter consciência dos perigos inerentes, ele sabe que empregaram bombas de fragmentação de cores brilhantes em zonas de fácil acesso para crianças, para estas apanharem os fragmentos e vê-los a rebentar nas suas caras. (“Hoje é criança, amanhã terrorista”).

Ele sabe que estas práticas são contra a Convenção de Genebra, ele sabe que quebrou a lei internacional quando violou a Carta da ONU e ele sabe que é um criminoso de guerra, um assassino em grande escala e um mentiroso descarado.

O que diz George Bush não faz qualquer diferença porque se mentiu uma vez, pode mentir sempre. Agora, até a captura de Saddam Hussein tem um enorme ponto de interrogação por cima, porque a sua mulher de 25 anos nega que o homem que foi levada a visitar é seu marido, antes um dos famosos duplos. Se podem forjar documentos, podem falsificar resultados de ADN.

Se mentiu uma vez, pode mentir outra vez. Para George W. Bush, é o princípio do fim, são horas de ouvir a pauta que ele escreveu. Só pode culpar ele próprio, porque avisaram-no e ele teimou em não ouvir. George W. Bush é vítima do regime que o criou e vítima da sua própria idiotice, casmurrice, miopia e total falta de preparação para o cargo que o fez discutivelmente o pior presidente de sempre na história do seu país.

Deveriam ter sabido melhor. Afinal, o quê é que se há de esperar dum homem que fica com um olho negro e um lábio cortado, quando come um pretzel.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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