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O trabalho "liberta"

12.01.2005 | Fonte de informações:

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Deve o cidadão desistir da sua consciência, mesmo por um único instante ou em última instância, e se dobrar ao legislador? Por que então estará cada homem dotado de uma consciência? Henry David Thoreau.

A Desobediência Civil

Recentemente, um ex-jornalista do jornal O GLOBO confindenciou para um número razoavelmente grande de profissionais ligados à comunicação que foi demitido do diário e substituído por uma pessoa que não tinha diploma.

O Sindicato que representa a categoria no Rio, na ocasião, o orientou “em off” a não recorrer, porque “o Jornal do Brasil não aceita jornalista que recorre”. Grave é a orientação do sindicato, mas igualmente a restrição do JB e a prática d'O GLOBO.

Sobre esse tema, ontem mesmo o Jorge Pontual fez uma belíssima entrevista com a jornalista norte-americana Barbara Ehrenreich, que está promovendo seu mais novo livro, "Miséria à americana" (já disponível no Brasil). Foi no programa "Milênio", do canal de jornalismo GLOBONEWS, da TV fechada.

Ela se baseou — pela entrevista, porque eu não li o livro — na idéia do ex-presidente Bill Clinton de que o trabalho por si só mudava a condição social das pessoas. É o velho "o trabalho liberta".

A novidade é que a pesquisa foi feita in loco, ou seja, a jornalista trabalhou em diversos ramos "populares", entre outros de empregada doméstica. "Precisávamos limpar cinco casas — em geral mansões — por dia. No começo, eu achava que era mais forte que as outras pessoas, apesar da idade. Depois comecei a ter problemas. Descobri que qualquer pessoa que tenha aquela rotina por três meses acaba ficando doente rapidamente e, por conta disso, perde o emprego", avalia.

Em determinado momento, Ehrenreich cumpriu uma rotina de trabalho muito dura, chegando a ter dois empregos pesados. No Brasil, como nos Estados Unidos, esta rotina "dura" é a realidade anestesiante da classe do andar de baixo.

Diferente, antecipando o argumento, de um jornalista (por exemplo) que tem dois empregos (três que seja). O esforço físico acaba debilitando a empregada, o pedreiro ou o metalúrgico de forma muito mais grave do que o cara que está em sua cadeira, de forma confortável, realizando seus questionamentos e pesquisa (como, inclusive, este que vos fala).

"A elite econômica precisa justificar seu poder aquisitivo desproporcional, e uma das formas de fazer isso é dizendo que os pobres estão nessa situação porque não sabem gastar bem o dinheiro, porque são preguiçosos, etc. Porque merecem. É uma das formas de eliminar as injustiças sociais", argumenta. Filha de trabalhadores humildes, ela se disse prova real de que os pobres são, sim, muito inteligentes, ao contrário do que prega a elite. "Todos lá em casa se achavam gênios", brinca.

A jornalista mostra, por exemplo, quais são as práticas das empresas norte-americanas para barrar a ação dos sindicatos — presentes em apenas 15% delas por lá. Além disso, entre as razões mais "sérias" para se demitir — como a associação ao sindicato — também se encontram razões bem peculiares. Como exemplo, ela citou o caso de um empregado que foi com a camisa do time de futebol de outra cidade ao local de trabalho, bastando este ato para a demissão. Ehrenreich conta que não era apenas um pretexto, e sim à razão real (!).

Jorge apontou, em uma das perguntas, que a prática é comum no mundo inteiro (incluindo, como exemplifiquei, o Brasil). Ehrenreich confirmou que o dado era real, como comprovou sua pesquisa, basicamente porque o modelo de administração americano é, em grande parte, o modelo adotado em boa parte do planeta. Até porque as empresas norte-americanas se fazem presente na maioria dos países, em melhores condições de competição que as nacionais devido à falta de proteção ao empresariado local. A tal abertura de mercados.

É claro que a lei contra este tipo de coisa — me refiro à perseguição, assim como o desprezo pela saúde do trabalhador — existe. Está lá, no papel, em algum lugar de Washington ou Brasília. Mas, pelo menos por aqui, continua a reinar a idéia de que o respeito às "leis" — mesmo que injustas — devem ser o parâmetro de comportamento.

Em parte, é claro que todos nós concordamos com isso. A lei. Claro. No entanto, será que ninguém percebe que a desobediência civil — tão presente na vida de pessoas como Mahatma Gandhi — encontra-se em um grau de popularidade sem precedentes? Enquanto os trabalhadores organizados (ou não) — com exceções louváveis, inclusive no Brasil — fazem o dicurso de pombas da Paz, as grandes corporações e governos confirmam a sabedoria de Henry David Thoreau diariamente. Conseguiremos romper com mais esse tabu?

Gustavo Barreto é editor da revista Consciência.Net (www.consciencia.net), colaborador do Núcleo Piratininga de Comunicação (www.piratininga.org.br), estudante de Comunicação Social da UFRJ e bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Inciação Científica (PIBIC) pela ECO/UFRJ. Contato por e-mail: gustavo@consciencia.net Só para não esquecer "FMI acha guerra positiva". Não é invenção não. Está no Jornal do Brasil de 21 de setembro de 2002. Segundo o organismo, a ação contra Iraque "reduziria a incerteza". Só para não esquecer. Essas coisas sempre são úteis.

Inacreditável

A prefeita Marta Suplicy não está mais no comando da prefeitura de São Paulo e, mesmo assim, as enchentes continuam. Os anti-petistas estão sem entender nada. “PM mata 6 pessoas no baile” O leitor logo pensará que eu tirei essa frase do jornal carioca O POVO, aquele que, espremendo, sai sangue. Mas não. Essa era a frase pichada em alguns muros e portões do comércio de Nova Iguaçu, nos bairros Prados Verdes e São Francisco, citada pelo jornal O DIA de hoje (12/1). Fora a evidente preocupação com uma possível chacina, é mesmo estranho que a frase tenha adotado um tom jornalístico. Tem algo de novo. Depois do tom de recado engajado que alguns traficantes já adotaram em seus "comunicados" em outros anos, eles parecem estar se aperfeiçoando também na comunicação. O recado não é mais direcionado para o Estado. Vai direto para a população, como manchete informativa.

Eu não quero viajar muito, mas foi Arthur Schopenhauer, em "A arte de estar sempre certo", que dá a dica: "Convença o público, não seu oponente".

Patético Não sei se é de chorar ou de rir o título de uma reportagem de hoje (12/1) no Jornal do Brasil. Eles queriam dizer o seguinte: "As polícias Civil e Federal vão unir informações sobre cinco favelas no Rio que vêm sendo utilizadas pelos traficantes para armazenar drogas e armas. A intenção é que a partir daí sejam mobilizados 1.500 homens, auxiliados por helicópteros, para em ações integradas tentar a prisão dos criminosos e apreensão de material".

Título escolhido: "Poder público vai sufocar favelas".

O sufoco é — supostamente, porque não devemos eliminar nenhuma hipótese — nos líderes do tráfico. Não nas favelas, onde 99% da população é de trabalhadores e cidadãos comuns.

Até eles entenderem isso, lá se vai uma ou duas gerações.

Aliás, o jornal O DIA, mais sensato, publica: "Planos contra o tráfico". N'O GLOBO: "Polícia fará ações em massa contra o tráfico".

 
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