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BUSH E HITLER

09.10.2003 | Fonte de informações:

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Desde que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, decidiu atacar o Iraque, em março deste ano, têm sido comum, tanto na imprensa crítica quanto entre opositores a esta ação militar no mundo todo, comparar o presidente dos EUA com Adolph Hitler.

Basta ter um mínimo de consciência moral, amor à paz e respeito às leis internacionais para ver quão absurdo, cruel, ilegal, infundado e criminoso foi o ataque de Bush e seus poucos aliados ao Iraque, e todas as críticas ao atual presidente norte-americano procedem. Mas compará-lo a Hitler e ao nazismo é algo que não faz sentido, e tal fato tem duas explicações: acontecimentos atuais impressionam mais do que os passados, e portanto as pessoas tendem a exagerar em suas críticas a erros e crimes do presente; e a Segunda Guerra Mundial acabou há quase sessenta anos, o que é tempo suficiente para que todos os horrores perpetados por Hitler tenham sido um tanto esquecidos e atenuados. O nazismo foi a mais cruel, demoníaca e brutal doutrina política que já existiu no mundo, inigualável em toda a história. Este artigo pretende revelar uma vez mais os crimes nazistas e mostrar que, embora Bush seja sem dúvida um líder imperial, desejoso de submeter todo o mundo aos interesses de seu país, ainda assim não consegue (e, ao que tudo indica, nem pretende) igualar as brutalidades nazistas. Pode-se dizer que Hitler e Bush diferem em três aspectos principais:

1- Hitler eliminou toda oposição a seu governo na Alemanha, literalmente: o incêndio ao Reichstag, o Parlamento alemão, cometido pelos próprios nazistas, foi o pretexto para encerrar toda atividade parlamentária, fechar todos os demais partidos que não o nacional-socialista, e matar todos os opositores, fossem eles liberais, social-democratas, democratas-cristãos ou comunistas. Qualquer atividade de dissensão era punida com prisão ou, mais comum, a morte. E não apenas exterminou toda oposição política, mas também aqueles que eram considerados "indesejáveis", como pessoas com deficiência física ou mental e homossexuais.

Bush conseguiu um grande apoio da imprensa de seu país, sem no entanto recorrer a nenhum ação coercitiva: como já se sabe há muito tempo, dificilmente a imprensa estadounidense critica ações militares de seu governo. Jornalistas, e também muitas celebridades dos espetáculos, apoiaram Bush por livre e espontânea vontade. Porém, aqueles que não quiseram fazê-lo não sofreram nenhum atentado contra sua liberdade e vida: alguns atores famosos, como Susan Sarandon e Danny Glover, se colocaram contra o ataque ao Iraque, fizeram campanhas em emissores de TV e jornais, e não sofreram nenhum tipo de restrição governamental. Também os protestos dos poucos cidadãos comuns contrários à guerra no Iraque, inclusive diante da Casa Branca e do Congresso, não foram reprimidos ou proibidos.

2- Hitler iniciou uma guerra de escala mundial na Europa, na qual até alguns países americanos, como os Estados Unidos, o Canadá e o Brasil, tiveram que se envolver para ajudar a defender a liberdade e a vida de vários povos. O líder nazista participou da guerra civil espanhola para ajudar o general Franco, de tendência fascista, a tomar o poder; invadiu a Tchecoslováquia, Áustria, Polônia, Dinamarca, Noruega, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, França, Iugoslávia, União Soviética, Líbia, e Argélia; bombardeou a Grã-Bretanha; e depois da queda de Mussolini suas tropas ocuparam a Itália. O único país vizinho que Hitler não atacou foi a Suíça, que, por detrás da neutralidade oficial, ajudou os nazistas a esconderem dinheiro e diversos outros butins de guerra, roubados em todos os territórios ocupados pelos alemães.

Bush atacou o Afeganistão com apoio internacional, e o Iraque por conta própria e sob os veementes protestos da maioria dos países. Atacou por motivos semelhantes aos que levaram Hitler a invadir tantos países: ter acesso a uma importantíssima reserva de matérias-primas, e colocar este país sob sua esfera de influência. Ele tem ameaçado atacar outros, como Irã, Síria e Coréia do Norte, mas resta saber se os Estados Unidos terão recursos para outras guerras, ocupações e reconstruções (já que a do Iraque está sendo bem mais difícil, cara e violenta do que eles esperavam). Além disso, a popularidade de Bush está em seu mais baixo nível, por conta da vergonha internacional que está passando por não ter encontrado as armas de destruição em massa de Saddam Hussein (o pretexto para a guerra) e não conseguir pacificar e reconstruir sozinhos o Iraque, depois de terem atacado este país por conta própria. O fato de os EUA serem uma democracia faz com que Bush tenha que se cuidar diante da opinião pública e do eleitorado (diferentemente de Hitler, que pouco se importava com os milhões de alemães que morriam em Stalingrado), e talvez até mesmo a má-informada população estadounidense esteja começando a mostrar sinais de insatisfação com a política imperialista de Bush. Seja como for, Bush está no poder há três anos, e neste ínterim atacou dois países (um deles, como já afirmado, com respaldo internacional). Hitler, no mesmo período de tempo, de 1938 a 1941, já havia invadido 11 países.

3- Hitler praticou o extermínio sistemáticos de civis em vários países por ele invadidos. Judeus foram caçados em todos os territórios que ele ocupou, ou que eram governados por aliados ou títeres seus (como a Itália, a França de Vichy, a Romênia, a Hungria e a Bulgária colaboracionistas); o mesmo ocorreu com os ciganos, outra "raça inferior" na delirante doutrina de Hitler; e diversos povos dos territórios da União Soviética foram mortos aos milhões, e os sobreviventes usados como mão-de-obra escrava, pois além de eslavos (também uma "raça inferior") ainda por cima eram comunistas. Apenas o genocídio judeu é lembrado hoje em dia, esquecendo-se as dezenas de milhões de ciganos e soviéticos que foram mortos em condições igualmente cruéis. Sem contar todos os que foram torturados, mutilados e mortos nos países ocupados onde os nazistas não praticaram extermínios sistemáticos (como a França, a Bélgica, a Holanda), por defenderem a liberdade de seus países e engajarem-se na resistência. A mera suspeita já bastava para que alguém fosse submetido a tremendas atrocidades pelos nazistas.

Bush matou milhares de civis no Afeganistão e no Iraque, embora o número exato seja desconhecido. Isto se deve à doutrina militar norte-americana de "baixa zero": para o Pentágono, se for necessário sacrificar 1000 civis de um país ocupado para salvar um único militar estadounidense, os 1000 civis serão mortos. Um soldado dos EUA, ao ver alguém vindo em sua direção, atira primeiro e pergunta depois: ainda que seja uma criança, uma mulher ou um idoso, ele não vai correr o risco de que seja um homem-bomba chegando para atacá-lo.

Esta tática é eficiente, poucos militares morrem e isso mantém a opinião pública norte-americana satisfeita com o andamento da guerra; mas é sem dúvida uma doutrina militar abominável, que tem um custo insuportável para todos os civis, que têm que agüentar a ocupação de seu país por tropas estrangeiras e ainda correm o risco de morrer sem nenhum motivo. Ainda assim, não se compara a extermínios sistemáticos de civis: Bush não ordenou a matança generalizada e indiscriminada de civis, com o propósito de eliminar povos inteiros, como fez Hitler.

A política de Bush é indubitavelmente indefensável, mas compará-lo a Hitler é uma opinião passional e exagerada que distorce os fatos presentes e atenua os horrores passados. Mostrar que Bush é tão mau ou pior do que Hitler é um argumento facilmente refutável, que fornece munição aos partidários do presidente norte-americano, que podem assim desmerecer todas as críticas. Além disso, tal comparação pode levar a um revisionismo histórico que "resgate" algum pretenso lado bom do antigo tirano nazista. E, embora num presente próximo não pareça haver nenhum perigo do ressurgimento do nazismo como força política séria e poderosa, nunca se sabe o que pode acontecer num futuro um pouco mais distante. Carlo MOIANA Pravda.Ru MG Brasil

 
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