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Por quê é que falhou o Comunismo?

09.06.2005 | Fonte de informações:

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Caro editor,

Gosto da sua publicação porque é o único que encontro que tem toda a lusofonia junta e notícias acerca da Rússia em português. No entanto, noto uma tendência para a esquerda.

A história provou que o capitalismo é um modelo superior porque toda a gente gosta de dinheiro. Se for honesto consigo próprio, gostaria que me explicasse por quais razões o Comunismo fracassou.

Obrigado e sem mais, Humberto Paulo de Brito Guimarães Portugal

Caro Humberto,

Muito obrigado pela sua opinião. Respondendo e sendo honesto ao mesmo tempo, devo dizer-lhe que o Comunismo não fracassou nem falhou. Foi no caso da União Soviética um sucesso rotundo e completo.

Tirou uma sociedade medieval da pobreza, injustiça social e miséria total e transformou-a em pouco tempo num exemplo de excelência na educação, no sistema de saúde, na mobilização social, nas oportunidades.

E vamos lá comparar os dois sistemas e depois Humberto, seja honesto consigo próprio e diga-me lá qual é o sistema melhor.

No sistema Comunista, tem um sistema de educação excelente e gratúito que o prepara para qualquer área que escolher e o deixa bem colocado para competir com qualquer pessoa por qualquer lugar em qualquer parte do mundo.

No sistema capitalista, tem vastas regiões do globo onde nem há um sistema de educação, tem outras onde tem educação só se pagar e muitas outras onde tem um sistema público que vomita gerações de burros para a praça pública todos os anos, muitos dos quais nem ler sabem. Depois quando quiser ir à faculdade, ou tem de pagar ou não pode ir.

No sistema Comunista, se tiver um problema de saúde, tem acesso ao melhor tratamento gratuitamente. Tem os melhores médicos e as melhores condições, sem pagar um tostão.

No sistema capitalista, tem de pagar se quer ser tratado porque os sistemas públicas são em muitos casos uma vergonha. Tem de pagar quando for visitar o médico, tem de pagar uma fortuna para arranjar os dentes. Se não tiver dinheiro, morre. Posso dizer que uma enfermeira num hospital de Inglaterra perguntou ao meu pai pouco antes da morte dele se ele sabia quanto estava a custar ao Sistema Nacional de Saúde.

No sistema Comunista, tem emprego garantido e tem desemprego a zero por cento. No capitalista, arranjar emprego é um drama, mantê-lo é outro e depois limitam o acesso ao subsídio de desemprego. No seu país, Portugal, quando a Manuela Ferreira Leite era Ministra das Finanças, durante aquela desgovernação que se chamava PSD/PP, houve famílias que esperavam 7 meses até receberem esse subsídio.

No sistema Comunista, tem casa gratúita e garantida. No sistema capitalista, é quase impossivel arranjar o dinheiro para a comprar e se decidir pedir um empréstimo, está perdido porque vai pagar as prestações ao banco durante uma parte substancial da sua vida, e depois terá de escolher entre educar os filhos (por terá de pagar) ou ter casa própria.

No sistema Comunista, tem transportes públicos gratúitos e excelentes. No capitalista são caros, desconfortáveis, escritos com grafitos e perigosos.

No sistema Comunista, tem alimentação garantida e tem uma pensão que lhe permite viver com dignidade. No capitalista, a fatia de dinheiro necessário para comprar comida no orçamento familiar é cada vez mais gorda e tem pensões que são uma vergonha, quase um convite para a morgue.

No sistema Comunista, tem ruas livres de crime, de drogas e montras sem pornografia. No capitalismo, tem ruas sujas, perigosas, toxico-dependentes armados a atacarem as pessoas, idosos que têm medo de sair a noite e é bombardeado com porcaria nas lojas, nos jornais e na Internet.

No sistema Comunista, quando morrer, depois de uma vida em que o estado lhe proporcionou grande mobilidade social, uma vida cheia de oportunidades e condições básicas condignas e gratúitas, em segurança, o Estado paga seu funeral, um último homenagem do sistema ao cidadão e uma mensagem de gratidão pelo seu contributo.

No sistema capitalista até aí o sistema tem-no agarrado pela garganta, pois terá de pagar milhares para o funeral dos seus entes queridos. É uma espécie de manguito final do sistema depois de ter passado uma vida inteira a braços com sistemas de educação que não o prepararam para a vida, com sistemas de saúde que não funcionam, depois de ter passado a vida inteira proporcionando mais dinheiro ainda ao sistema financeiro que foi criado para o manter no seu lugar e depois de ter passado uma vida inteira num sistema que não favorece mobilidade social.

É honesto, Humberto, ou masoquista?

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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