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A dor do amor dos homens

08.03.2005 | Fonte de informações:

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Final de ano. Um jovem com nome de santo leva os filhos em uma cidade vizinha a sua, para os meninos escolherem os seus presentes de natal, uma bicicleta. Os filhos, Gabriel e Adolfo, faziam as considerações de cada bicicleta ao pai. Francisco observava. Enquanto isso, um menino de pés descalços, maltrapilho, se aproxima dos meninos vestidos como em dia de festa, e se dirige ao pai deles: "Moço, me dá uma bicicleta?". Francisco, com a compreensão de santo, justificou: "Ô meu filho, eu me preparei o ano inteiro para poder comprar os presentes para os meus filhos... Eu não posso lhe dar uma bicicleta...". Por duas vezes mais o menino insistiu.

Daquela loja, Francisco saiu com os filhos e a esposa para visitar outras.

Agora, quem conta a história é ele: " ...quando a gente saiu da loja para buscar o carro, alguma coisa me chamou para entrar no quarteirão anterior de onde eu havia estacionado o carro e, quando eu contornei a esquina, eu vi que tinha um menino chorando muito, sentando na calçada e de cabeça baixa. Não deu para ver quem era, então perguntei a ele por que chorava. Quando ele levantou a cabeça foi que o reconheci, era o mesmo menino da loja. Ao me ver, abaixou a cabeça dizendo que ninguém queira lhe dar uma bicicleta... Foi aí que eu vi os dedinhos dos pés dele feridos, via-se que ele andava muito a pé. Eu perguntei para a Neide (esposa) o que deveria fazer. Ela disse que eu é que sabia. Pensei por um minuto e perguntei o nome dele, dizendo que iria lhe dar uma bicicleta se a mãe dele concordasse..." .

O menino, que também tem nome de santo, chama-se Felipe e mora na Rua do Buraco, em Ipatinga, cidade vizinha a Belo Oriente, onde mora a família de Francisco. A casa de Felipe, cheia de irmãos, é de um cômodo só. A mãe, diante da boa vontade do desconhecido, respondeu: "A coisa que ele mais quer na vida é ganhar uma bicicleta, ele fala nisso o dia inteiro, mas como ele não tem Papai Noel...". Francisco então disse: "Felipe, vou te dar uma bicicleta, mas você tem que me prometer que vai estudar direitinho, viu!

Hoje, todo mês Francisco visita Felipe, que sempre está com a bicicleta brilhando, pés sarados e o boletim cheio de boas observações dos professores... O deputado Lourival Brasil visitava a cidade de Nhá Chica, no Sul de Minas, a histórica Baependi. Quando entrou na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, onde Nhá Chica está sepultada, Lourival resolveu folhear o livro de visitas dos devotos, e deparou-se com a seguinte mensagem dirigida à santinha: “Nhá Chica, vós que sois tão amiga dos pobres, fazei com que eu possa continuar os estudos. Mamãe é pobre e precisa de mim”. Comovido com a mensagem, o deputado tomou nota do nome da menina.

Fora da igreja, a esposa de Lourival, Dona Diva, comentou com ele que tinha lido uma mensagem comovente no livro de visitas da igreja, de uma menina que gostaria de continuar seus estudos. Lourival, surpreendido, interpretou naquele momento como sendo aquele, um pedido da santinha de Baependi para ele. Descobriu quem era a menina do livro e, por meio das verbas de subvenção, conseguiu ajudar o Colégio Santa Marcelina, mantido pelas Irmãs de caridade, e formar a menina.

Durante os anos de estudos, todo semestre a menina de Baependi enviava regularmente ao deputado seu boletim escolar. Até que um belo dia, chegou para Lourival Brasil um convite de formatura. Era a menina de Baependi tornando-se uma nova normalista. O presidente dos Estados Unidos da América, George W. Bush, não conhece o Francisco, o Felipe, Lourival ou a menininha de Baependi e, diariamente, aterroriza os Franciscos, os Lourivais, os Felipes e as meninas que querem ser professoras no Iraque. Bush não é capaz de saber, perceber, entender, sentir, que são eles que diariamente entoam um canto cabraliano que liga a “família humana em uma corrente luminosa de fraternidade universal”...

O cristão reza: Deus é grande... o muçulmano ensina: Deus é maior... E Bush é menor e mais insignificante que um grão de areia no deserto...

Petrônio Souza Gonçalves jornalista e escritor e-mail: belooriente@cidademais.com.br

 
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