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O MEDO VENCEU

07.11.2004 | Fonte de informações:

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A maioria dos eleitores daquele país escolheu seu caminho pelos próximos quatro anos: É a segurança. Aparentemente, não importa se há incompetência administrativa, o que ocasiona aumento do desemprego, crescimento da dívida e inflação. A segurança do povo se tornou o tema mais importante de todos e uma vez que o próprio território do país está sob ameaça, é imperioso eleger um presidente que seja forte e firme em suas opiniões, que seja capaz de combater o inimigo em seu próprio território não importa quantas pessoas tenham de morrer ou quanto dinheiro precise ser gasto. Um Presidente que seja capaz de assegurar ao povo que não haverá um novo 11 de setembro e este presidente, é George Walker Bush.

Aparentemente, não funcionou todo o apoio de que o adversário de Bush nas eleições, o senador John Kerry, obteve de todas aquelas celebridades, incluindo o autor do documentário Fahrenheit 9/11 que se tornou o documentário mais assistido em todos os tempos, Michael Moore, além de órgãos respeitáveis da imprensa dos EUA como os jornais The New York Times e The Washington Post. Mesmo nas pesquisas não oficiais por todo o mundo sobre a preferência entre Bush e Kerry, Kerry venceu. No entanto, parece que quanto mais forte era a oposição contra Bush, mais ele se tornava popular entre os eleitores. De qualquer forma, Bush demonstrou o quanto é importante ser carismático, pois foi esta a diferença que o levou a conquistar a presidência em 2000 além do sobrenome. Nestas eleições, contudo, uma vez que sua administração foi um completo desastre, tanto nos assuntos internos quanto na política externa e, desde que é muito difícil reeleger um presidente que não cria empregos, Bush se motrou ser um expert em carisma.

Durante todo o primeiro mandato, Bush tentou desviar a atenção do povo dos problemas internos uma vez que seus auxiliares eram incapazes de reduzir os efeitos da grave crise econômica que assola a nação e, desde que ele ama o conflito, começou a provocar reações para ter uma desculpa para agir. No início foi o desejo de espalhar os ventos da democracia em países como a Síria e o Irã. Após, desejou estabelecer uma aliança militar com Taiwan para confrontar a China. E tentou trazer de volta os velhos e bons tempos da Guerra ?Fria, tentando restaurar o programa de defesa de Reagan, “Guerra nas Estrelas” e ainda vendo como uma provável ameaça o programa nuclear norte-coreano e o iraniano, inspirado por seu ídolo o ex-presidente Ronald Reagan, que costumava cognominar os soviéticos de “Império do Mal”, criou o “Eixo do Mal”. Pergunta-se, no entanto, se Bush agiu dessa forma para desviar a atenção ou simplesmente porque ele queria iniciar um conflito.. Infelizmente parece que a segunda opção parece ser a mais plausível.

Após os eventos de 11 de setembro de 2001, Bush tinha uma boa razão pára agir e para mostrar ao mundo, o quanto Republicanos no poder, são grandes guerreiros. Inicialmente foi a campanha no Afeganistão que deveria ser mais efetiva que u simples bombardeio como Clinton fez em 1998. Então o exército dos EUA demonstrou toda a sua força invadindo o país e removendo o regime anti-ocidental, Talibã do poder.Esta foi um grande feito do exercito norte-americano embora o principal objetivo de capturar o líder da rede terrorista Al Qaeda, não tenha sido atingido. Este estrondoso sucesso militar fez com que Bush pensasse em projetos mais ambiciosos. Então ele decidiu terminar o que seu pai havia começado e remover Saddam Hussein do poder, para desta vez, conquistar um país que representasse algum retorno financeiro. Bush imaginou que a campanha no Iraque fosse tão fácil quanto no Afeganistão e realmente foi, pois a vitória foi alcançada em 3 meses. Entretanto, o Iraque do pós-guerra se transformou num novo Vietnã e a popularidade de Bush que estava alta começou a despencar. Juntamente com a longa agonia que estava se tornando a campanha iraquiana, vieram as acusações contra a administração. Inicialmente, foram as alegações do inspetor de armas David Kay de que não havia armas de destruição em massa no Iraque o que era a causa da guerra. Após, vieram as acusações de Richard Clarke que acusava de negligência os membros do governo que não evitaram os ataques de 11 de setembro, embora o serviço de inteligência estivesse ciente da ameaça.

O resultado das eleições, no entanto, mostrou ao mundo que a maioria dos eleitores dos EUA, endossaram tudo o que Bush fez e lhe deram autoridade para fazer todo o possível para vencer a guerra contra o terror.

Cada presidente dos EUA, que se elegeu pela primeira vez passa todo o seu tempo no primeiro mandato imaginando-se no segundo. No primeiro mandato o presidente deve ser cuidadoso para não desagradar demasiado o eleitorado ao menos próximo das eleições. Por exemplo: se as eleições nos EUA fossem em junho, quando a popularidade de Bush estava no abismo porque todos os dias no Iraque havia noticia de soldados americanos mortos, John Kerry seria o próximo presidente. Entretanto, Bush , além de não ser estúpido, é um homem de sorte, pois após o golpe de mestre que foi a transferência da soberania para os iraquianos ter se realizado um dia antes, a situação no Iraque começou a melhorar, ao menos para Bush, eis que os soldados americanos, a partir daquele momento, apenas dariam suporte a força policial iraquiana e houve uma redução significativa no número de soldados mortos. Bush, então, precisou de apenas quatro meses para reconquistar a confiança do povo.

Um segundo mandato, no entanto, é sempre pior, pois não há mais necessidade de agradar ninguém. A administração Clinton, por exemplo, .que muitos consideram como uma das melhores de todos os tempos deixou uma herança para o governo Bush em forma de uma crise econômica que ele e seus auxiliares ainda não foram capazes de resolver.

George W. Bush está agora em seu segundo mandato mas, diferentemente de Clinton, ele não foi reeleito pela criação de empregos ou pelo crescimento econômico, mas sim porque conseguiu convencer a maioria do eleitorado de que o país está sob grande ameaça. E que ele é o único capaz de protegê-los. Ele agora, pode fazer o que bem entender pois na há mais necessidade de agradar ninguém nem de se preocupar com casamento homossexual ou pesquisas com células-tronco e nem mesmo, crescimento da economia. Isto é trabalho para o vice-presidente Dick Cheney se caso ele desejar ser o próximo presidente, é claro. Bush agora pode se dedicar ao que sempre desejou: a dominação do oriente médio. Caso a situação no Iraque estivesse sob controle desde o fim da guerra, Bush já teria ordenado a invasão do Irã A questão é: agora que o Iraque está se tornando um novo Vietnã, Bush continuará com seus planos com relação ao Irã?

Uma coisa certamente continuará. O exército dos EUA, sob o comando do linha-dura Donald Rumsfeld, está realizando um massacre entre a população civil do Iraque, na caça aos iinsurgentes, principalmente os grupos de Muqtada Al Sadr e Abu Mussab al-Zafrqawi. Tal ação não se desacelerou nem mesmo durante a campanha eleitoral. Agora que o comandante em chefe foi reeleito, presume-se que tais ações não são totalmente erradas e podem continuar no mesmo ritmo e até mesmo, serem intensificadas.

De qualquer forma, é melhor começar a rezar pois George W. Bush é o tipo de líder que não para até que alguém o pare. Com Hitler também foi dessa forma.

José Schettini Petrópolis BRASIL

 
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